CARIDADE SE DISTINGUE DA FILANTROPIA?

1 – Parece que a filantropia não difere da caridade. Ora, dar esmola, acolher o faminto, agasalhar quem sofre ao frio e amparar desabrigados pode se dizer que são atos tanto da filantropia, quanto da caridade.

2 – Filantropia é bondade, e, portanto, um Bem, tal qual a caridade.

3 – Além disso, o amor natural ao nosso semelhante é o que nos teria ordenado Jesus,[1] do que se pode dizer que não se distingue a filantropia da caridade.

4 – Soma-se, que a filantropia, tal como a caridade, repara a injustiça social, pois acolhe os pobres que de alguma forma ficaram privados de um bem melhor.

Mas em contrário, ensinou o Apóstolo, que “[…] ainda que distribua todos os meus bens em sustento dos pobres, se não tivesse o amor ágape[2] (caridade), de nada valeria!

SOLUÇÃO: Caridade é tender o ser humano a Deus, por meio da bondade de Deus que ele vê no homem caridoso, de onde se conclui que a caridade é instrumento santo e forma visível[3] da autêntica fé. Ora, qual maior ato de caridade que levar ao encontro do Pai, o filho que jazia perdido? Caridade é amar o ser humano por causa de Deus, e assim, amar o filho em razão do pai. Já filantropia é amar o homem por si, e em si mesmo, sendo um amor restrito, e, consequentemente incompleto. Existe nos seres humanos aquilo que amamos e odiamos, e por isso, amar o ser humano pelo ser humano é amor imperfeito, pois não conseguiremos amar o que detestamos nele. Mas em Deus tudo é amável, e nada há que possamos odiar. Por isso, amar a Deus no próximo é o amor perfeito, e isso só se tem na santidade daquele que já não vive por si, porque Cristo vive nele. Mas de nada vale amar o filho e desprezar o Pai, pois o amor num todo é superior ao amor em parte, do que se conclui que amar o Pai no filho, e o filho no Pai, é superior a amar apenas ao filho ou ao Pai. A caridade é a manifestação do amor que promove o reencontro entre o filho que jazia perdido com o Pai Divino e amoroso que deseja ardorosamente esse reencontro, de onde vem respostas as questões lançadas.

1 – Muitas coisas possuem idêntica forma, mas se diferenciam no conteúdo. Um político filantropo e um santo podem fazer as mesmas coisas, formalmente, como dar esmola, acolher o faminto, agasalhar quem sofre frio e amparar desabrigados. Mas só o santo pode mostrar ao carente a imagem de Deus nessas coisas,[4] e levá-lo aquele que lhe dará a água cuja sede nele nunca mais existirá,[5] e o pão cuja fome saciará por toda eternidade.

2 – Os bens mais valioso duram para sempre, sendo estes superiores aos bens temporários. A vida eterna é mais valiosa que a vida natural, e por isso os mártires deram-se a morte para não negar a fé. Para realizar filantropia não é preciso amar a Deus, bastando que se ame ao ser humano. Mas esse amor não conduz o carente ao encontro com o bem superior que só há na amizade eterna com Deus, e sem Deus ele não compreende que a felicidade e o amor estão na partilha, não no ganho. Logo, a filantropia é um bem inferior porque é temporária,[6] e se esgota quando acaba a comida, a roupa, o cuidado e a esmola que se oferta ao necessitado, ao passo que a caridade permanece, porque o amor Divino recebido nos transforma.

3 – Cristo nos ensinou a buscar através dele os bens maiores, e assim, ele não nos ensinou o amor natural, pois este é inferior ao amor Divino. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo é impossível, naturalmente, razão porque, o amor na caridade só nos é dado por Deus.[7]

4 – A filantropia está limitada aos pobres, mas a caridade é proveitosa tanto ao rico quanto ao pobre, pois ensina a Igreja,[8] que a solidariedade cristã pratica a partilha dos bens espirituais mais ainda que dos bens materiais. Somos todos iguais em nossas necessidades da alma, e a caridade esconde um ato espiritual num ato material. O servo age com caridade com seu patrão quando se doa além de sua obrigação, assim como o patrão reconhece no bom servo o valor que vai muito além do salário, e assim, ambos agem caridosamente um para com o outro.

[1] São Marcos 12. 30-31

[2] “ I Cor. 13. 3 “”Ainda que distribuís­se todos os meus bens em sustento dos pobres, Sem amor em nada seria”.  O texto no grego: “kauqhswmai AGAPHN de mh ecw ouden wfeloumai” E em latim: “et si distribuero in cibos pauperum CARITATEM autem non habuero nihil mihi prodest”

[3] https://igrejamilitante.com.br/index.php/2020/03/27/existe-fe-sem-caridade/

[4] “Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebeste de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. (II Timóteo 1, 13)”

[5] “Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.”

[6] Tudo na terra findará, só Deus é eterno. (Mt 5.8)

[7] “[…] e em nome da caridade que é dada pelo Espírito, combatei comigo, dirigindo vossas orações a Deus por mim, (Romanos 15, 30)”

[8] http://catecismo.catequista.net/conteudo/a-z/s/solidariedade.html#SOLIDARIEDADE

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