OS SANTOS DO CÉU ESTÃO REALMENTE MORTOS?

1 – Parece “óbvio” que só podemos interceder por alguém se estivermos vivos, o que não se dá com os santos no céu, que para que fossem levados ao paraíso, tiveram de experimentar a morte do corpo.

2 – No mais, a alma despida do corpo nada pode, como aparentemente disse Santo Agostinho,1 pois o corpo é o instrumento prático da alma, razão porque, toda alma sem corpo é inoperante.

3 – Além disso, inexiste ligação entre o mundo dos mortos e dos vivos2, inexistindo possibilidade dos santos do céu intercederem ao lado dos vivos na terra, rogando com eles para que Cristo acolha suas justas súplicas.

Mas em contrário, como testemunhou Jesus, “[…] EU SOU a ressurreição e A VIDA. Aquele que crê em mim, MESMO QUE MORRA, VIVERÁ. Tu crês nisso? (São João 11, 25 e 26), razão pela qual, há registro histórico e arqueológico que os primeiros cristãos já faziam orações de intercessão aos santos do céu, como as destinadas a Pedro e Paulo: “Paule et Petre petite pro Victore.3

SOLUÇÃO: Os santos se ligam a Cristo como ramos ligados à árvore, e assim frutificam em abundante vida, pois Cristo é Vida,4 e todos que saíram da vida do corpo, e estão confirmados na comunhão com o Cordeiro de Deus, participam da Vida e do Amor na eternidade. Vida é a essência de Deus, sendo, portanto, o próprio Deus. Disso se toma, que na terra ou no céu, aquele que permanece em Cristo, e Cristo nele, não morre, mas vive, e se vive produz frutos no amor, pois todo que Nele permanece dará muitos frutos5” sendo a intercessão, o fruto dos santos que estão no céu. Por isso, os profetas de Israel mesmo após a morte, intercediam pela misericórdia de Deus em favor do povo: “Senhor, Todo-poderoso, Deus de Israel, ESCUTAI A PRECE DOS MORTOS DE ISRAEL, dos filhos daqueles que pecaram contra vós, que não atenderam à voz do Senhor, seu Deus, e por isso foram levados à desgraça.” (Baruc 3.6)

Por isso ainda, os mártires, cujas vidas na terra foram ceifadas por conta da pregação do Evangelho, na vida eterna clamam pelo fim dos tempos, quando então, todo sangue inocente derramado será justiçado: “[…] vi debaixo do altar AS ALMAS DOS HOMENS IMOLADOS POR CAUSA DA PALAVRA DE DEUS e por causa do testemunho de que eram depositários. E CLAMAVAM em alta voz, dizendo: “Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Apocalipse 6. 9, 10), no que se responde as questões acima.

1 – Uns morrem para vida eterna; outros para morte eterna, como ensinou o profeta.6 A morte corporal para os primeiros, nada mais é do que um renascimento para desfrutar da existência interminável ao lado de Deus, pois como disse o Messias, apesar de estarem mortos na carne, Abraão, Jacó e Isaac ainda eram servos de Deus.7 O Amor autêntico não é dom do corpo, mas do Espírito Santo,8 e, portando, não está no corpo físico que sucumbe na sepultura, mas na alma que transcende à eternidade. O que está no corpo são as paixões emocionais, que cessam com o findar da matéria corpórea sensível. Se no céu não há morte9, não pode haver mortos. A intercessão é dom espiritual que não depende de qualquer elemento biológico, mesmo nos que estão vivos de corpo e alma, sendo que o Apóstolo Paulo intercedia sem precisar de sua presença física: “[…] embora distante corporalmente, contudo, em espírito estou convosco, e me alegro em ver a firmeza da vossa fé. (Colossenses 2.) Os santos não clamam a Deus pelo corpo, mas pela alma, assim como Deus os não ouve pelas manifestações orgânicas do corpo, mas pela bondade contido no espírito, pois é sabido que Deus só ouve as orações dos justos: “Os olhos do Senhor contemplam os justos, e seus ouvidos estão atentos ao seu clamor por socorro. (Salmo 34. 15)

2 – A alma só precisa do corpo para aquilo que é próprio da alma realizar através do corpo, o que se resume no sentir e agir emotivamente. O amor de Deus (que não é emoção, posto ser virtude), o qual nos move a interceder a Deus uns pelos outros habita na alma imortal, razão porque, quando Agostinho diz que o corpo é o instrumento da alma, está se referindo somente as reações anímicas que se expressam através do corpo, já que em relação a intercessão dos santos, ensinou o Doutor da Igreja, falando das santas mártires Perpétua e Felicidade: “Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo corpo que elas (Santa Perpétua e Santa Felicidade) (…) Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós […] Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um amor, envolvendo uma unidade.” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 280,6)

3 – Inexiste possibilidade de ligação entre mortos e vivos. Todavia, aquele que crê em Cristo, ainda que morra, desfrutará da vida eterna, pois “[…] aquele que crê em mim, MESMO QUE MORRA, VIVERÁ. Tu crês nisso? (São João 11, 25 e 26); e ainda: “Deus NÃO É DEUS DOS MORTOS, MAS SIM DOS VIVOS, pois para Ele todos vivem. (São Lucas 38. 15)” Cristo é a VIDA dos que estão em sua comunhão, seja na terra ou céu, porque Jesus é o mediador único que liga o céu e a terra, através da Igreja, detentora das chaves espirituais dessa ligação: EU TE DAREI AS CHAVES DOS REINOS DOS CÉUS. TUDO O QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS;” (São Mateus 16. 18) Daí ensinou o Apóstolo, que os santos estão com Cristo, unidos na vida (II Coríntios 7.3), e que Ele reuniu em si o céu e a terra. (Efésios 1. 9 e 10).


1 O corpo É O MENSAGEIRO da alma. (De Ord. II e XI, 32)

2 “Não vos dirijais aos necromantes nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.” (Levítico 19, 31) Necromancia é consiste em invocar a presença da alma do desencarnado entre nós, por meio da manifestação em alguma matéria (cartas, búzios, tarós etc) para que, conforme creem, nos dê conhecimento sobre e controle sobre o futuro (adivinhações). Já a intercessão dos santos no céu ou na terra, é solicitar o amor do justo que está ligado ao Corpo de Cristo, para que conosco possa pedir que Cristo acolha nossas petições, súplicas e clamores: […] nós, embora muitos, FORMAMOS UM SÓ CORPO EM CRISTO, E CADA UM DE NÓS É MEMBRO UM DO OUTRO.” (Rm 4, 5)” “[…] tenham o mesmo CUIDADO UNS PARA COM OS OUTROS. (I Cor 25, 25)” Pois estou persuadido de que NEM A MORTE […] nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunhou em Cristo (Rm 8. 38 e 39) “[…] já vos declaramos que estais em nosso coração, CONOSCO UNIDOS NA MORTE E UNIDOS NA VIDA. (II Cor 7,3)”

3 Registro arqueológico, datado do início do segundo século do cristianismo primitivo, uma oração de intercessão dos primeiros cristão dirigidas a São Pedro e São Paulo,  (Pedro e Paulo roguem por nossa vitória) após o martírio, nas paredes da catacumba de San Sebastian, Via Ápia, Roma.

4 Eu sou o caminho, e a verdade e a vida(São João 14. 6)

5 Aquele que permanece em mim, e Eu nele, esse dará muito fruto. (São João 15. 5)

6 […] muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno.”(Daniel 12, 2)

7 “[…]não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: EU SOU o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3,6)? (São Marcos 12, 26)”

8 I Coríntios 13. 13.

9 “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 15:55-56)

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