POR QUE A IMAGEM DA CRUZ É SAGRADA?

1 – Parece que não convinha Cristo tornar sagrada a imagem da cruz na qual seu Corpo padeceu, porque na cruz, os malfeitores e criminosos eram executados com a pena capital, não podendo a imagem do profano estar associada a imagem do sagrado, pois como dito: “Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro. ” (Gálatas 3. 13)

2 – Soma que a cruz não é fundamental para o cristianismo, mas sim, a fé na ressurreição daquele que nela fora crucificado.

3 – Por fim, sabemos ainda que Cristo ressuscitou, e o ressuscitado se opõe ao crucificado, tanto quanto o que está vivo se opõe ao que está morto.

MAS EM CONTRÁRIO, diz a Escritura: “[…] BENDITO É O MADEIRO PELO QUAL SE OPERA A JUSTIÇA. ” (Sabedoria 14. 7);

SOLUÇÃO: Não basta admirar Cristo, é preciso segui-lo. Para segui-lo é preciso entendê-lo, e para entendê-lo é necessário olhar para o retrato do crucificado, o Deus que lá está, humilhado por amor a toda humanidade, e dizer: – Senhor, quanto me amas! Como sou precioso aos vossos olhos! A cruz sagrada é o memorial do amor que se doa aqueles que nada tem e nada podem, pois não há verdadeiro cristianismo sem amor, e o amor que não suporta ser testado e provado na cruz não pode ser autêntico. A grandeza da morte está na grandeza do amor pelo qual se morre. Por conta disso, é a cruz o ícone mais belo, a imagem mais cara da nossa salvação. Deus foi morto amando seus assassinos. Olhando Cristo morto na cruz é que um pagão, o soldado romano, armado e brutalizado pela violência da sua função, encontrou-se com o Amor e se converteu1 no que se responde as questões acima:

1 – Na cruz toda maldição que recaia contra a humanidade, transformou-se em bendição. Nela, a morte tornou-se vida; a humilhação glória; a dor verteu-se em amor; e o sangue do Cordeiro transformou-se em sacrifício de misericórdia, pois ele “[…] tomou por herança os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, TRIUNFANDO DELES PELA CRUZ. (Colossenses 2, 15) Na cruz, Cristo tornou possível nossa salvação, e, portanto, honrar a cruz é honrar a memória daquele que nela se deu em sacrifício. Fosse a cruz maldita, Jesus não nos mandaria tomá-la para só depois o seguir, como está escrito: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, TOME SUA CRUZ E SIGA-SE. (São Marcos 16, 24) Cristo se fez maldito por nós na cruz para que por seu sacrifício pudéssemos na cruz sermos abençoados: “CRISTO REMIU-NOS DA MALDIÇÃO DA LEI, FAZENDO-SE POR NÓS MALDIÇÃO, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21,23). “ASSIM, A BENÇÃO DE ABRAÃO SE ESTENDE AOS GENTIOS, em Cristo, e pela fé recebemos o Espírito prometido.” (Gálatas 3. 14 e 15) A cruz e Cristo uniram-se definitivamente numa mesma história, numa mesma verdade, num mesmo propósito e numa mesma imagem2, razão porque toda imagem da cruz é santa, é sagrada, pois o Cordeiro de Deus a SANTIFICOU, marcando-a com seu CORPO SANTÍSSIMO como prova visível do seu grande amor pela humanidade. Em Cristo tudo se fez novo, inclusive a cruz, que outrora objeto de desonra e vergonha, tornou-se objeto sagrado, memorial do seu grande amor por todos nós.

2 – A fé cristã nada valeria sem a crucificação. Sem sacrifício de morte na cruz não haveria propósito no nascimento de Cristo, menos ainda na ressurreição. Cristo não partiria sem antes morrer por todos nós, pois só o seu sacrifício nos leva a esperança da salvação. Depois da crucificação já não há cruz sem Cristo, nem Cristo sem cruz, porque o corpo do crucificado está eternamente representado no objeto do seu flagelo: “A LINGUAGEM DA CRUZ é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18) Por causa disso, “[…] nós pregamos CRISTO CRUCIFICADO, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; (I Coríntios 1, 23)”

3 – Pelo Cristo padecente no madeiro, Deus se reconciliou com o mundo, e nos reuniu “[…] num só corpo PELA VIRTUDE DA CRUZ. (Efésios 2, 16) porque “[…] ele arregou nossos pecados EM SEU CORPO SOBRE O MADEIRO, para que mortos pelos nossos pecados, vivamos para a Justiça. POR SUAS CHAGAS FOMOS CURADOS. (Is 53, 5)” (I São Pedro 2, 24) Ora, se Cristo convinha tomar a cruz, e nela morrer para só depois ressuscitar, a nós não será dado ressuscitar sem que tenhamos morrido crucificados com ele: “Na realidade, pela fé, eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. ESTOU PREGADO A CRUZ DE CRISTO. JÁ ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO; E VIVO, NÃO MAIS EU, MAS CRISTO VIVE EM MIM.” (Gálatas 2. 19)” Assim, morte e ressurreição não se opõem, e por isso, nesses dois mil anos a Igreja sempre rezou assim:  “Ó boa cruz, que do Corpo de Jesus recebeste a formosura, tanto tempo desejada, tão ardentemente amada, sem descanso procurada! Para a minha alma ansiosa estás por fim preparada! Retira-me dentre os homens e devolve minha vida ao Mestre a quem pertenço! Por ti me receba, naquele que em ti me resgatou.” Amém.


1“O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, dian­te do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!” (Mt 27, 54)

2A imagem da cruz sempre foi forte e poderosa entre o povo verdadeiramente escolhido, tendo Deus, no deserto, lhes ordenado para que insculpissem a imagem de uma serpente em bronze pendurada num madeiro (que era representação da cruz e da morte de Cristo, matando o pecado representado na serpente), para que todos os que fossem picados por cobras venenosas, fossem curados ao tocar-lhe: “[…] e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente, E METE-A SOBRE UM POSTE. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”. (Números 21, 8)  “COMO MOISÉS LEVANTOU A SERPENTE NO DESERTO, ASSIM COMO DEVE SER LEVANTADO O FILHO DO HOMEM, (São João 3, 14)”Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, E FIXOU-A SOBRE UM POSTE. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. (Números 21, 9)”

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