O PRIMADO DE SÃO PEDRO PROFETIZADO POR ISAÍAS E O SÍMBOLO DA CRUZ INVERTIDA.

Prefigurar significa antecipar, representar previamente, anunciar um tipo, modelo futuro ou uma personagem histórica.

Santo Agostinho já ensinava que “[…] o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo só é desvendado no Novo.” (Quaestiones in Heptateucum, Liv. II p, 73)

As Escrituras, chamadas Antigo e Novo Testamento, transmitem a revelação Divina não só pela história, mas também pela tipologia profética ou alegoria.

Alegoria é a mensagem representativa de alguém ou algo, a qual se dá pela metáfora, que consiste na comparação da essência em cada tipo comparado, como por exemplo, a figura de Cristo e a figura dos cordeiros animais sacrificados pelos hebreus no monte Sião durante a antiga Aliança, representando o Cordeiro de Deus que é Jesus, o qual se ofertaria em sacrifício no monte Calvário.

O tipo usado para representar o Sacerdócio terreno e temporal, é o título do MORDOMO DA CASA REAL DE DAVI, o encarregado de guardar e zelar pelas chaves do Palácio do Rei de Israel, enquanto o Rei estiver fora, que num visão espiritual significa o encarregado da guarda e zelo das Chaves que ligam a terra ao Céu, o humano ao Divino até a volta de Cristo para o juízo final da humanidade.

Logicamente, o Rei Davi é também um tipo (tipum) de Cristo, assim como o Palácio ou Casa Real é a figura da Igreja, razão porque o Mordomo, detentor da Chave palaciana, é o encarregado de zelar por esta Casa até que o rei regresse.

Neste sentido, os escritos sagrados trazem a prefiguração profética da Primazia de São Pedro com relação Primeiro Mordomo do Palácio Real.

Isaías 22, versículo 20 à 24, profetou:

Naquele dia chamarei MEU SERVO Eliacim, filho de Helcias. Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um PAI para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros A CHAVE DA CASA DE DAVI; SE ELE ABRIR, NINGUÉM FECHARÁ, SE FECHAR, NINGUÉM ABRIRÁ.”

Neste sentido, diria Cristo no futuro:

E eu te declaro: TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS: TUDO O QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS, E TUDO O QUE DESLIGARES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NOS CÉUS.” (São Mateus 16. 18 e 19)

Outro ponto profético, está na anunciação da forma do martírio desse Mordomo que é São Pedro, e que historicamente seria crucificado de maneira invertida:

FIXÁ-LO-EI COMO PREGO1 em lugar firme, e ele será UM TRONO DE HONRA PARA A CASA DE SEU PAI. (Isaías 20. 23)”

Os testemunhos do primeiro século da Igreja, e toda antiga Tradição Eclesiástica são unânimes em afirmar que São Pedro, em imitação ao Mestre, morrera crucificado de cabeça para baixo:

“Mas é hora de você, Pedro, entregar seu corpo a quem está tomando. Pegue, então, você, cujo dever é. “E eu pedi-lhe, portanto, os carrascos, para crucificar-me de cabeça para baixo dessa maneira e nenhum outro.” Pedro faz o seu discurso final enquanto está de cabeça para baixo na cruz e depois morre.” (Atos de Pedro, 40.11)

Em seu profundo amor e respeito a Cristo, mas sabendo que também iria morrer crucificado, ele suplicou então aos seus algozes, que invertessem a cruz, pois não se sentia digno de morrer da mesma forma com que morrera Cristo.

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Esse fato fez com que Pedro virasse motivo de zombaria, piadas e chacotas contra os cristãos por parte dos inimigos de Deus, que utilizavam a cruz invertida para debochar da dor, martírio e morte vicária do Santo Apóstolo, ao passo que os ignorantes em sua falta de recurso teológico e desonestidade intelectual, imputam bestialmente a esse símbolo santo, a pecha de profano, dizendo tratar-se de símbolo do anticristo, quando na verdade é símbolo do Sacerdócio Temporal da Igreja edificada pelo próprio Cristo.

Aos caluniadores e difamadores dos símbolos e das Verdades da Igreja, seria bom que se lembrasse das palavras de São Paulo:

“São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. (Romanos 1, 30)

Por essa razão, a CRUZ DE PEDRO é o símbolo do trono onde os Papa, seus legítimos sucessores, se assentam.

Embora os satanista usem a cruz invertida do martírio de São Pedro em suas celebrações na “missa negra” por motivo de zombaria, escárnio e profanação, nós, Católicos, a usamos, como símbolo da fé de um mártir, o Primaz e Príncipe dos Apóstolos, sobre o qual Jesus edificou sua Igreja, e que venceu o medo e se entregou a Jesus, e que em sua humildade, não aceitou ser crucificado da mesma maneira que o Mestre, porque não era digno de uma morte tão gloriosa. 

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São Pedro negou a Cristo para escapar da morte por crucificação.

Mas sua morte na cruz, no futuro, seria anunciada pelo próprio Cristo, estando com Pedro após ressuscitar:

Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe. 55.Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles. 56.Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: “Também este homem estava com ele”. 57.Mas ele negou-o: “Mulher, não o conheço”. 58.Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: “Também tu és um deles”. Pedro respondeu: “Não, eu não o sou”. 59.Passada quase uma hora, afirmava um outro: “Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu”. 60.Mas Pedro disse: “Meu amigo, não sei o que queres dizer.” E, no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo. 61. Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então, Pedro se lembrou da palavra do Se­nhor: “Hoje, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. 62.Saiu dali e chorou amargamente.” (São Lucas 22, 54-62)”

Se Pedro, por três vezes negou a Cristo, por três vezes haveria de ser confirmado na fé, sendo que sua última confirmação, seria na aceitação do seu martírio, entregando a sua vida na cruz, igual a Cristo, e por Amor de Cristo:

“Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “Amas-me? – e respondeu-lhe: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas.” Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Por essas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: “Segue-me!” (São João 21. 15-19)

Assim, a CRUZ INVERTIDA, é o símbolo de uma fé cristã extrema, que supera a covardia e o medo da própria morte.

É o simbolo daquele que por covardia negou Cristo por três vezes, e por três vezes fora confirmado na fé, por causa do grande amor que tinha para com Jesus, e a imensa misericórdia que Jesus tinha para com ele, assim como por todos nós.

Por fim, sinaliza o profeta Isaías que quando houvesse ruptura desse Primado, que são hoje as cisões, divisões no Corpo de Cristo por doutrinas estranhas, (não católica ou anticatólicas) as quais rejeitam, repudiam a própria Autoridade de Cristo instituída no Sacerdócio Petrino, iniciaria então, um período da grade apostasia e decadência do cristianismo:

DELE ESTARÃO PENDENTES TODOS OS MEMBROS DE SUA FAMÍLIA, os ramos principais e os ramos menores, toda espécie de vasos, desde os copos até os jarros.” (Isaías 20, 24) “Porém, um belo dia, diz o Senhor dos exércitos, o prego, fincado em lugar firme, cederá, arrancar-se-á e cairá, E TODA A CARGA QUE ELE SUSTENTAVA SERÁ FEITA EM PEDAÇOS.” (Isaías 20. 25)


1 Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo” (Orígenes [+séc.III], Com. in Genes. 3) “Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo” (Eusébio de Cesaréia [+séc.IV], História Eclesiástica 3,1)

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