PARA SER JUSTO DIANTE DE DEUS NÃO BASTA SOMENTE A FÉ.

1 – Muitos ensinam1 que ao ser humano basta somente crer para que seja justificado, vindo a se tornar justo diante de Deus, sem que lhe sejam exigidas ações concretas, pois como disse Paulo, “Abraão creu em Deus, e isto lhe fora “imputado em conta de justiça”, pois ante a promessa Divina não vacilou, não desconfiou, mas conservou-se forte, e eis que por sua fé, fora contado dentre os justos.”2

2 – No mais, Abraão fora “contado dentre os justos” antes de circuncidado, e independente que viesse a sacrificar o seu filho Isaac, como Deus lhe havia ordenado, concluindo que fora justificado só pela fé, sem depender de qualquer obra, pois como dito, “[…] antes que recebesse o selo da justiça na circuncisão, recebera o selo da justiça na fé.3

3 – Defendem que sem necessidade de obras, por sua fé Abraão fora contado dentre os justos, no que se equivoca Tiago, ao afirmar que fora justificado não somente pela fé, mas pelas obras, por obedecer a Deus, não lhe recusando a vida de seu filho Isaac no altar.4

4 – Por fim, dizem que a fé vem de Deus, mas as obras vem da lei, razão porque toda justiça das obras é justiça da lei religiosa, inservível a nos tornar justos, mesmo se a praticássemos totalmente os dez mandamentos e as leis mosaicas, como dízimo e a circuncisão, pois “[…] julgamos que o homem é justificado pela fé, “sem as observâncias da lei”. Porque não há mais que um só Deus, o qual justificará pela fé os circuncisos e, também pela fé, os incircuncisos. (Romanos 3. 28 e 30)”

Mas em contrário, a fé de Abraão haveria de ser provada na prática, para só depois, confirmá-lo na condição de justo: “Foi PELA FÉ que Abraão, SUBMETIDO A PROVA, OFERECEU ISAAC, seu único filho, depois de ter recebido a promessa e ouvido as palavras – uma posteridade com o teu nome te será dada em Isaac. (Hebreus 11. 17 e 18)” “Porventura, NÃO FOI NA PROVA QUE ABRAÃO PERMANECEU FIEL? (I Macabeus 2. 52)” Além disso, “Abraão OBEDECEU à minha voz e OBSERVOU os meus PRECEITOS, meus MANDAMENTOS e MINHAS LEIS. (Gênesis 26.5) “Filhinhos, ninguém vos seduza: AQUELE QUE PRATICA A JUSTIÇA É JUSTO, (I São João 3, 7).”

SOLUÇÃO: O que nos define é o que somos, e o que somos se caracteriza pelo que fazemos. O médico pratica medicina; o atleta pratica esportes; o músico pratica as artes musicais; o matemático a aritmética, assim como quem é verdadeiramente justo, busca e pratica a reta justiça de Deus em todos os seus atos: “[…] sabei também que todo AQUELE QUE PRATICA A JUSTIÇA É NASCIDO DELE. (I São João 2, 29) FELIZ O JUSTO, PARA ELE O BEM; ELE COMERÁ O FRUTO DE SUAS OBRAS.” (Isaías 3.10) “ANDANDO NOS MEUS ESTATUTOS, e GUARDANDO OS MEUS JUÍZO, e PROCEDENDO segundo a verdade, O JUSTO CERTAMENTE VIVERÁ, diz o Senhor DEUS. (Ezequiel 18. 9)”  Nisso se responde as questões acima.

1 – A fé é uma virtude unitiva, porque nos une a Deus, tornando unas nossa vontade e ações, com a vontade e as ações Divinas, imprimindo o caráter de Cristo em nossos pensamentos e atos, como disse o apóstolo, “[…] não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.5 ” Apenas a prática confirma a fé,6 quando sai da teoria para realidade, transladada da potência para o ato, tornando justo aquele que vive à imitação do Cristo que viveu, e nos dá condições de viver conforme a sua reta Justiça. Antes de praticar os atos de amor e obediência levando Isaac para morte no alto do monte, a justiça em Abraão era apenas IMPUTADA ou CONTADA. Todavia, ainda não CONFIRMADA, pois como se disse, “[…] a sua fé lhe é IMPUTADA EM CONTA DE JUSTIÇA. ” (Romanos 4.5) “Imputar em conta” (λογίζομαι) significa ser suposta, creditada para ser confirmada oportunamente7: “Foi pela sua  que Abraão, SUBMETIDO A PROVA, OFERECEU ISAAC, seu único filho, ” (Hebreus 11.17 e 18) “À prova8” (πειράζω) significa situação a ser testada, antes de confirmada. Pela fé, Abraão amou mais a Deus que a vida do próprio filho, e amando, e confiando no amor de Deus para com ele, obedeceu-lhe, tornando-se justo só após ter sua fé provada por ações de fidelidade, pelas quais conduziu Isaac ao monte, iniciando o que poderia ter culminado na sua morte. A prática da obediência e do amor, elevou a fé de Abraão à perfeição, sendo só então, capaz de justificá-lo: “Abraão OBEDECEU à minha voz e OBSERVOU os meus Preceitos, meus MANDAMENTOS e MINHAS LEIS. (Gênesis 26. 5) “[…] “O anjo do Senhor gritou-lhe: “Abraão! Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. AGORA SEI QUE TEMES A DEUS, pois não recusaste teu próprio filho, teu filho único.” “POIS QUE FIZESTE ISSO, E NÃO ME RECUSASTE TEU FILHO, TEU ÚNICO FILHO, EU TE ABENÇOAREI. “(Gênesis 22. 11, 12 e 16) “Porque os que OUVEM A LEI NÃO SÃO JUSTOS DIANTE DE DEUS, MAS OS QUE PRATICAM A LEI HÃO DE SER JUSTIFICADOS. (Romanos 2, 13)”

2 – Se não era desejo Divino a morte de Isaac, pedir sua vida viria provar a fé de Abraão, lhe sendo revelado o sacrifício de Cristo através do sacrifício simbólico de Isaac, como testemunhou Jesus: “ABRAÃO VIU O MEU DIA E REJUBILOU. (São João 8. 56) Isaac era figura de Cristo,9 pois sendo primogênito cujo nascimento fora anunciado por Deus, nasceu de um milagre, dada a avançada idade de sua genitora; e por obedecer, confiar e amar seu pai, aceitou o madeiro sobre seus ombros; dirigiu-se ao cume de uma montanha onde haveria de ser sacrificado; e sem contestar, colocou sua vida à disposição para que fosse tomada por amor a Deus. Em nenhum momento a justiça em Abraão estava condicionada à morte de Isaac, mas à morte do próprio Cristo revelada através de Isaac. Para se confirmar na justiça, Abraão tomou várias decisões, dentre elas, ter levado Isaac ao local aonde haveria de lhe sacrificar, preparando contra ele o golpe fatal com punhal.10 Se em Isaac, a finalidade era apresentar o sacrifício de Cristo, os meios para tanto, foram os atos nos quais Abraão confirmou sua condição de justo ao ter se disposto em sacrificar seu filho, e, de fato, agido no sentido de levar a seu primogênito à morte: “Abraão, nosso pai, NÃO FOI JUSTIFICADO PELAS OBRAS, OFERECENDO O SEU FILHO Isaac sobre o altar? (São Tiago 2, 21)” “Mostra tua fé sem obras, e eu TE MOSTRAREI A MINHA FÉ PELAS MINHAS OBRAS.(São Tiago 2.18)” Houvesse negativa em conduzir Isaac ao martírio, a fé de Abraão de nada valeria, pois “[…] é nisso que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: TODO O QUE NÃO PRATICA A JUSTIÇA NÃO É DE DEUS.” (I São João 3, 10)

3 – Aquele que tem a justiça da fé na alma, há de trazê-la também nas suas ações. “A fé interna, mediante o amor, causa todos os atos virtuosos exteriores.11 ” Uma coisa é ser imputado ou contado dentre os justos; outra é ser confirmado na justiça, e assim, justificado plenamente. Paulo fala da imputação, que é a condição do justo que está prestes a ter sua fé testada nas práticas justas. Já Tiago vai além, ensinando sobre a confirmação daquele, outrora, imputado justo: “Abraão, nosso pai, NÃO FOI JUSTIFICADO PELAS OBRAS, OFERECENDO SEU FILHO SOBRE O ALTAR? (São Tiago 2, 21) “De que aproveitará, irmãos, a alguém DIZER QUE TEM FÉ, SE NÃO TIVER OBRAS? ACASO ESTA FÉ PODERÁ SALVÁ-LO?(São Tiago 2. 14)” Vês como A FÉ COOPERAVA COM AS SUAS OBRAS E ERA COMPLETADA POR ELAS. (São Tiago 2, 22)” No mesmo sentido, disse Paulo: “Foi PELA SUA FÉ que Abraão, SUBMETIDO A PROVA, OFERECEU ISAAC, seu único filho,” (Hebreus 11.17 e 18) “Porque os que OUVEM A LEI NÃO SÃO JUSTOS DIANTE DE DEUS, MAS OS QUE PRATICAM A LEI HÃO DE SER JUSTIFICADOS. (Romanos 2, 13)”

4 – Há de se distinguir entre ATOS DA FÉ e ATOS DA RELIGIÃO para compreender que Paulo está dizendo em Romanos 3, 28 e 30, que cumprir a lei religiosa sem conversão a fé cristã de nada vale, pois o jovem rico cumpria os mandamentos, e os fariseus pagavam o dízimo e guardavam os sábados. Todavia, o jovem rico foi incapaz de cumprir as obras da fé que se realizam por meio do amor, dando seus bens aos miseráveis para seguir Cristo12, enquanto os fariseus que eram circuncidados e pagavam o dízimo pontualmente, impunham por desamor encargos pesadíssimos sobre os mais pobres.13  O que nos justifica são as obras realizadas pela fé, a qual nos une ao Amor por meio da Caridade: “Diante de Deus, pensamos CONTINUAMENTE NAS OBRAS DA VOSSA FÉ, nos SACRIFÍCIOS DA NOSSA CARIDADE e na firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, nosso Pai.(I Tessalonicenses 1.3)” “FAZES OBRAS DE FÉ EM TUDO o que realizas para os teus irmãos. (III São João 1,5)” “Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da graça. Quanto a nós, é DA FÉ QUE AGUARDAMOS A JUSTIÇA ESPERADA. ESTAR CIRCUNCIDADO OU INCIRCUNCISO DE NADA VALE EM CRISTO JESUS, MAS SIM A FÉ QUE OPERA PELA CARIDADE.” (Gálatas 5. 4 a 6) Obras sem fé não nos tornam justos, tanto quanto não nos justifica uma fé que não produza as obras próprias dessa fé, sendo uma confiança intelectual não disposta na vontade, e nem nas ações, vez que ainda não nascida na alma. Tiago e Paulo jamais divergiram que a fé nos faz ser contados dentre os justos: “Abraão creu em Deus e isto LHE FOI TIDO EM CONTA DE JUSTIÇA, e foi chamado amigo de Deus.” (São Tiago 2. 23)” Abraão creu em Deus, e isso lhe foi “IMPUTADO EM CONTA DE JUSTIÇA.” (Romanos 4. 3 e 4)” Todavia, são os atos visíveis da fé invisível, que conduzem a fé a sua plenitude, confirmando na prática a justiça que nos vem da Lei Nova. Justo é o que abandona a arcaica lei religiosa, e segue a Nova e Eterna Lei do Amor, cumprida mediante a fé, confirma na virtude da Caridade: “A CARIDADE NÃO PRATICA O MAL CONTRA O PRÓXIMO. Portanto, A CARIDADE É O PLENO CUMPRIMENTO DA LEI. (Romanos 13, 10)” “Vês como A FÉ COOPERAVA COM AS SUAS OBRAS E ERA COMPLETADA POR ELAS. (São Tiago 2, 22) Assim ensinou Santo Agostinho,14  e neste contexto, colhem-se os cânones do Concilio de Trento:

“821: Se alguém disser que os homens são justificados ou SÓ PELA IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA DE CRISTO, ou só pela remissão dos pecados, EXCLUÍDAS A GRAÇA E A CARIDADE QUE O ESPÍRITO SANTO INFUNDE EM SEUS CORAÇÕES E NELES INEREM; ou também que a graça pela qual somos justificados é somente um favor de Deus — seja separado. [cfr. n° 799 e 809].

 819. Cân. 9. Se alguém disser que o ímpio é JUSTIFICADO SOMENTE PELA FÉ, entendendo que nada mais se exige como COOPERAÇÃO para conseguir a graça da justificação, e que não é necessário por parte alguma que ele se prepare e disponha pela ação da sua vontade — seja separado. [cfr. n° 798. 801, 804].

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1 A consciência não pode alcançar descanso e paz mediante obras, porém SOMENTE PELA FÉ, conforme também diz Paulo Rm 5: “Justificados mediante a fé, temos descanso e paz com Deus.” (Confissão Augustana, 1,530, artigo 4° e 20°) …] exalto essa epístola de Tiago, mas não a considerado escrito apostólico, porque contrariando frontalmente S. Paulo e toda escritura, ele imputa justiça às obras, dizendo que Abraão teria se tornado justo por suas obras ao sacrificar seu filho. Enquanto isso, S. Paulo, em romanos, ensina que Abraão teria se tornado justo sem obras, exclusivamente por sua fé, pois sua justificação ocorre antes dele sacrificar o filho. […] Esse Tiago não faz outra coisa, senão promover a lei e as obras. ”(Obras Selecionadas, vol. VIII. Comentários ao Novo Testamento – Prefácio as epístolas de Judas e Tiago, ano 1.546, p. 153 e 154, tradução: Walter Schlupp) “Daí sucede que SOMENTE A FÉ.” (LUTERO. Obras Selecionadas, vol. VIII. Comentários ao Novo Testamento – Prefácio as epístolas de Judas e Tiago, ano 1.546, p. 131, tradução: Walter Schlupp)

2 Abraão creu em Deus, e isso lhe foi “IMPUTADO EM CONTA DE JUSTIÇA.” (Romanos 4. 3 e 4)” “Ante a promessa de Deus, não vacilou, não desconfiou, mas conservou-se forte na fé e deu glória a Deus. Eis por que sua fé lhe “FOI CONTADA COMO JUSTIÇA.” (Romanos 4. 20 a 23)

3 Quando ela (justiça) FOI IMPUTADA? Antes ou depois da circuncisão? Depois é que recebeu o sinal da circuncisão, como selo da justiça que tinha obtido pela fé, antes de ser circuncidado. (Romanos 4.10)”

4“ Abraão, nosso pai, NÃO FOI JUSTIFICADO PELAS OBRAS, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? (São Tiago 2, 21)” “Mostra tua fé sem obras, e eu TE MOSTRAREI A MINHA FÉ PELAS MINHAS OBRAS. (São Tiago 2.18)”    Vês como A FÉ COOPERAVA COM AS SUAS OBRAS E ERA COMPLETADA POR ELAS. (São Tiago 2, 22)

5 Gálatas. 2.20.

6 Se alguém não cuida dos seus e especialmente dos de sua família, tem negado a fé e é pior que um incrédulo. (I Tm 5, 8)

9 “O SENHOR APARECEU a Abraão nos carvalhos de Mambré, quando ele estava assentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia. Ele disse-lhe: Voltarei à tua casa dentro de um ano, a esta época; e Sara, TUA MULHER, TERÁ UM FILHO” (Gn 18. 1 e 10) Deus preceituou a Abraão, que “TOMASSE SEU FILHO PRIMOGÊNITO, A QUEM TANTO AMAVA, Isaac, e partisse com ele à terra de Moriá, e o ofertasse em SACRIFÍCIO sobre os MONTES” (Gn 22, 2) – “Abraão tomou a LENHA DO HOLOCAUSTO e pôs aos OMBROS de seu filho Isaac> (Gn 22, 6) ” “quando chegaram ao local, Abraão edificou um altar, colocou nele lenha, e amarrou Isaac, seu filho, e o pôs sobre o altar EM CIMA DA LENHA” (Gn 22.9) –  “quando chegaram ao local, Abraão edificou um altar, colocou nele lenha, e amarrou Isaac, seu filho, e o pôs sobre o altar EM CIMA DA LENHA” (Gn 22.9) – Eu e o MENINO vamos até lá adiante para adorar, mas LOGO VOLTAREMOS para junto de vocês.> (Gn 22.5)

10 […] estendendo a mão, TOMOU A FACA para imolar o seu filho> (Gn 22,10)”

11 Santo Tomás de Aquino. Suma Teológica Q 3. Do Ato Exterior da Fé. Art. 2)

12 Disse-lhe o jovem: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?”Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois, venha e siga-me”. Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. (São Mateus 19. 16-30)

13 “Ai também de vós, doutores da Lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos.” (São Lucas 11, 46)Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus (São Mateus 5. 20)

14 Quem já entendeu que há justificação pela fé, não pelas obras, note o sorvedouro de que falei: Vês, pois, que Abraão foi justificado, não pelas obras, mas pela fé. Então posso fazer o que quiser; apesar de não ter praticado boas obras, somente se acreditar em Deus, isso me será reputado em conta de justiça. Se alguém assim falar e decidir, cai e submerge; se ainda pondera e hesita, expõe-se a grande perigo. A Escritura de Deus, porém, bem interpretada, não só livra o periclitante, mas ainda retira do abismo quem nele mergulhou. Respondo, por isso, numa espécie de réplica ao Apóstolo, dizendo acerca de Abraão o que se encontra também na epístola de outro apóstolo, o qual queria corrigir os que haviam entendido mal o apóstolo Paulo. Efetivamente Tiago, em sua epístola, impugnando os que presumiam da fé apenas, sem as boas obras, recomendou as obras do mesmo Abraão, cuja fé Paulo destaca. Mas, os apóstolos não estão se contradizendo. S. Tiago refere-se à obra notória a todos de Abraão, ao oferecer seu filho em sacrifício a Deus (Tg 2,21). OBRA GRANDIOSA, MAS ORIUNDA DA FÉ. APROVO O EDIFÍCIO EM CIMA, MAS VEJO EM BAIXO OS ALICERCES DA FÉ. LOUVO O FRUTO DA BOA OBRA, MAS RECONHEÇO COMO RAIZ A FÉ. SE ABRAÃO AGISSE ASSIM, DEIXANDO DE LADO A FÉ VERDADEIRA, NADA LHE ADIANTARIA A OBRA, POR MELHOR QUE FOSSE. AINDA MAIS. SE ABRAÃO CONSERVASSE A FÉ, AO LHE ORDENAR DEUS OFERECESSE SEU FILHO EM SACRIFÍCIO, MAS DISSESSE A SI MESMO: NÃO FAÇO, E, NO ENTANTO, ACREDITO QUE DEUS ME LIVRARÁ, MESMO ENQUANTO DESPREZO SUAS ORDENS. A FÉ SEM AS OBRAS ESTARIA MORTA, E COMO RAIZ INFRUTÍFERA FICARIA ESTÉRIL E SECA.”(Santo Agostinho. Comentário aos Salmos p. 215, Livro II – Sermão ao Povo – Enarrationes in Psalmos I à LX)

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