SE OS SACRAMENTOS SÃO REALIDADES ESPIRITUAIS ABRIGADAS NA MATÉRIA NATURAL

1 — Parece que os sinais deixados por Cristo, como o batismo nas águas e a ceia do pão e vinho são rituais meramente simbólicos e inúteis à salvação, pois toda graça necessária à remissão dos pecados só nos vem pelo Espírito, e não pela matéria, cabendo aos sacerdotes a escolha por ministrá-los, assim como aos fiéis a escolha por aceitá-los.

2 — Ademais, os sinais ou sacramentos da lei antiga confiados a Moisés eram puramente simbólicos, do que se conclui que assim também sejam os sacramentos da lei nova, instituídos por Cristo.

3 — Mesmo porque, a salvação seria para a alma e não para o corpo, do que se conclui que a santificação corpórea por meio dos sinais que recebemos na água, no pão e no vinho não nos purificam plenamente porque não possuem eficácia para restabelecer nossa comunhão com o sagrado, pois como ensinam os gnósticos, se toda carne é matéria, e toda matéria se corrompeu, logo, a matéria de nada vale.[1]

4 — No mais, toda comunhão com Cristo nos é dada apenas espiritualmente.

5 — Por fim, se somos salvos somente por Cristo, não podemos encontrar a salvação nos sinais por ele deixados na água batismal, no pão e vinho eucarísticos ou no óleo da confirmação da nossa fé e da unção aos enfermos.[2]

MAS EM CONTRÁRIO, disse Jesus: — “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará, NO QUAL DEUS PAI IMPRIMIU SEU SINAL. Enquanto comiam, Jesus PEGOU UM PÃO, deu graças, quebrou-o, e o deu aos seus discípulos, e disse: — TOMAI, COMEI; ISTO É O MEU CORPO. Em seguida TOMOU O CÁLICE, deu graças e o entregou aos seus discípulos, proclamando: BEBEI DELE TODOS VÓS. POIS ISTO É O MEU SANGUE DA ALIANÇA derramado para remissão de pecados.[3]

E respondendo a Nicodemos, disse Jesus: — ‘Em verdade vos digo: QUEM NÃO RENASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO NÃO PODERÁ ENTRAR NO REINO DO CÉU.[4]

E ainda:

[…] um dos soldados ABRIU-LHE O LADO com uma LANÇA e, imediatamente, SAIU SANGUE E ÁGUA.” (Jo 19. 34 a 37)

“EI-LO JESUS CRISTO, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA E PELO SANGUE. (I São João 5. 6)

E por fim, para Santo Agostinho, os sacramentos são sinais visíveis do sacrifício do Corpo de Cristo, o qual já não vemos, mas que está agora eternamente entre nós.[5]

SOLUÇÃO: “HÁ UM SÓ DEUS, E UM SÓ MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS, JESUS CRISTO HOMEM. (I Timóteo 2, 5)

Por causa disso, todas as graças que recebemos de Deus, as recebemos por intermédio de Jesus mediante sua humanidade. Outra coisa não diz o texto sagrado. Só por meio do Corpo do Mediador teremos a graça do perdão dos pecados para a glória da ressurreição eterna. Nada recebemos diretamente de Deus em nossa humanidade, porque esta, corrompida pela culpa e manchada pela malícia, tornou-se incapaz de receber eficazmente as graças divinas necessárias à salvação.[6]

Todo terreno estéril há de ser adubado com terra boa para dar bons frutos.[7]

Assim é nossa humanidade, a terra infértil que necessita do fertilizante da santificação que só podemos encontrar na humanidade mística de Cristo, como ensina a Igreja: “VISTO QUE OS FILHOS TÊM CARNE E SANGUE, TAMBÉM ELE PARTICIPOU DA HUMANIDADE DELES, PARA QUE POR SUA MORTE PUDESSE DESTRUIR AQUELE QUE DETÉM O PODER DA MORTE, (Hebreus 2. 14), e, “QUANDO ESTE CORPO CORRUPTÍVEL ESTIVER REVESTIDO DA INCORRUPTIBILIDADE, E QUANDO ESTE CORPO MORTAL ESTIVER REVESTIDO DA IMORTALIDADE, ENTÃO SE CUMPRIRÁ A PALAVRA DA ESCRITURA.” (I Coríntios 15, 54)[8]

Por isso, convinha a humanidade corrompida e morta se unir a humanidade pura, incorrupta e viva de Cristo para se purificar, e assim voltar a interagir novamente com o ser Divino.

As virtudes espirituais que realizam a remissão dos nossos pecados foram recebidas na humanidade crucificada de Cristo para serem transmitidas a humanidade pecadora que delas necessita.

O Corpo humano de Cristo na cruz fora receptáculo da graça que nos redime dos nossos pecados.[9]

Se entre Deus e os homens havia um abismo intransponível que os impedia de se reunirem, o próprio Deus instituiria a comunicação, a ponte que os religaria. Essa ponte haveria de ser simultaneamente Deus e homem, para ser o caminho[10] pelo qual a humanidade acessa a Divindade. Ora, todo bom caminho é dotado de sinais, para que deles não nos percamos. E se há um Caminho que veio do céu, também haverá sinais celestiais.[11] CRISTO É ONIPRESENTE EM SUA HUMANIDADE, podendo estar simultaneamente em todos os lugares, e cujo corpo se fragmentou nos sinais sobrenaturais da água, da carne e do sangue por ele deixados e confiados à sua Igreja, assim chamados sacramentos ou selos. São estes, que convertendo-se em sete sinais, nos tornam participantes do sacrifício de Cristo, para que recebamos o efeito dele. A água e o sangue do Verbo Encarnado, caíram sobre a terra adoecida pelo pecado para sará-la, e assim, permanecer conosco estes sinais, até o fim dos tempos. [12]

Ora, o que é a matéria humana, senão água e sangue?

Se pudéssemos dissolver e liquefazer um corpo humano, não restaria nada além de água e sangue.  Por isso, o evangelista disse que Cristo é aquele que nos vem pela água e pelo sangue (Jo 5, 6), ou seja, que nos visita e se hospeda em nossa humanidade por meio da comunhão com sua humanidade sobrenatural e extraordinária. Essa humanidade, que é onipresente, nos é distribuída nesses sinais para que obtenhamos comunhão com seu Corpo Místico,[13] para que nele possamos nascer, morrer e ressuscitar para só então, vivermos eternamente.

Os sacramentos são sinais materiais nos quais ocultamente habitam as realidades espirituais.

Se na humanidade visível de Cristo se oculta a Divindade invisível[14]; e se na carne de cada homem e mulher se oculta a alma invisível, é no sacramento visível que habita o sagrado invisível da humanidade sobrenatural de Cristo, hospedada nos elementos naturais da água, do pão e vinho:

“PARECIA QUE EU COMIA E BEBIA CONVOSCO, MAS O MEU ALIMENTO É UM MANJAR INVISÍVEL E MINHA BEBIDA NÃO PODE SER VISTA PELOS HOMENS. (Tobias 12, 19)”

Deus se serve da humanidade para curar a própria humanidade, servindo-se do Corpo  humano incorrupto e imortal do Mediador, homem e Deus, e que por isso pode dar as mãos a Deus e aos homens ao mesmo tempo[15], unindo-os para sanar as deficiências da humanidade corrompida, para que do mortal possa vir o imortal, do natural possa vir o extraordinário, e da matéria possamos extrair o que é espiritual, no que se responde as questões acima.

 

1 — Os sacramentos não são símbolos vazios, os quais caberia ao ser humano a escolha por recebê-los ou não.[16] São sinais materiais onde habita ocultamente as verdades espirituais, como dito:

O ESPÍRITO DE DEUS PAIRAVA SOBRE AS ÁGUAS.” (Gn 1. 2)

 “QUEM NÃO RENASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO não poderá entrar no reino de Deus.” (Jo 3, 5)

Como disse o profeta: “ASPERGIREI ÁGUA PURA SOBRE VOCÊS, E FICARÃO LIMPOS. EU OS PURIFICAREI DE TODAS AS SUAS IMPUREZAS e de todos os seus ídolos. Dar-vos-ei um coração novo e POREI DENTRO DE NÓS UM ESPÍRITO NOVO.” (Ezequiel 36. 25-26), e ensinou o sábio: ““[…] os sacramentos podem ser considerados em relação a CAUSA santificante que é o VERBO ENCARNADO, que por meio de coisa visível toca o corpo, e é crido pela alma por meio da Palavra.  Donde vem essa tão grande virtude da água de tocar o corpo e purificar o coração, senão do Verbo enquanto crido?” (Suma Teológica Q 60, art. 5º Dos Sacramentos)

Logo, não só do Espírito e não só da água, mas do Espírito e da água.

As virtudes e dons que recebemos sem os sacramentos, de certo modo até nos ajudam a evitar o mal, a tentação e o pecado.[17] Mas somente pelas virtudes sacramentais é que se alcança a santificação, na realização do Bem, da Bondade, da Justiça, da Verdade, do Amor a Deus e da Caridade ao próximo como Jesus deseja de nós, pois não basta evitar o mal, a tentação e o pecado, sendo necessário também praticar o Bem para o qual o ser humano fora criado, pois quem sabe fazer o Bem e não o faz também peca. (Tg 4, 17) Todavia, praticar o verdadeiro Bem só pertence a Paixão de Cristo, e aqueles que por participarem dela, retiram dela seus efeitos beatíficos.[18]

 

2 — Assim como Cristo é superior a Moisés; a nova aliança superior a antiga e a nova lei superior a antiga lei, também os sinais deixados por Cristo são superiores aos deixados a Moisés. Se o real é superior ao simbólico, os sacramentos da antiga aliança que eram simplesmente figuras das realidades futuras que seriam instituídas por Cristo em seu Corpo, são obviamente, inferiores aos sacramentos da nova aliança. Os sacramentos da lei nova retiram sua eficácia do próprio corpo de Cristo crucificado para remissão dos nossos pecados, por onde as virtudes que nos salvam derivam da Divindade de Cristo, por meio de sua humanidade onipresente, a qual se fragmentou nos sinais sagrados por ele deixados. Os sinais pedagógicos deixados pelo sacerdócio de Moisés foram apenas símbolos de uso temporário porque haveriam de ser substituídos por realidades eternas[19] provindas do sacerdócio de Cristo que lhe é superior.[20] Logo, a realidade do SACRIFÍCO ETERNO do Cordeiro Primogênito de Deus na cruz, no monte Calvário, tomou lugar do sacrifício dos primogênitos dos cordeiros animais no monte Sião, que eram figuras de Cristo, assim como outros símbolos foram substituídos por suas respectivas realidades.

Então, onde antes havia só símbolos e as figuras:

“Então Moisés tomou o sangue[21], aspergiu-o sobre todo o povo e disse: ESTE É O SANGUE DA ALIANÇA QUE O SENHOR FEZ CONVOSCO, (Êxodo 24, 8)”

Encontramos agora, o que é real:

“Então Jesus disse: ESTE É O MEU SANGUE DA ALIANÇA, QUE É DERRAMADO POR MUITOS PARA REMISSÃO DOS PECADOS. (São Mateus 26, 28)”

Nos sinais da nova aliança, Cristo passa a habitar em nós, em nossa carne, e pelos mistérios da Encarnação do Verbo, sua carne torna-se nossa, seu corpo torna-se nosso, e por consequência, seu sacrifício corporal no qual os nossos pecados são retirados passa também a nos pertencer:

“Pois a minha carne É VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida. QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE PERMANECE EM MIM E EU NELE.” (São João 6. 55 e 56)

E se os sinais dados aos judeus eram simbólicos, os deixados à Igreja, e que nos selam ao Corpo de Cristo, são realidades extraordinárias e eternas, “PORQUE A VÓS É DADO COMPREENDER OS MISTÉRIOS DO REINO DOS CÉUS, MAS A ELES NÃO. (São Mateus 13, 11);

ESTE É O SANGUE DA ALIANÇA, QUE DEUS ORDENOU QUE VOCÊ GUARDASSE”. (Hebreus 9, 20)

“Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo E ADMINISTRADORES DOS MISTÉRIOS DE DEUS. (I Coríntios 4, 1)”

“A VÓS É CONCEDIDO CONHECER OS MISTÉRIOS DO REINO DE DEUS, MAS AOS OUTROS SE LHES FALA POR PARÁBOLAS, DE FORMA QUE VENDO NÃO VEJAM, E OUVIDO NÃO ENTENDAM. (São Lucas 8, 10)

 

3 — O homem é um ser uno composto indivisivelmente de corpo e alma[22], e ainda que a alma na morte seja temporariamente separada do corpo, a ressurreição da carne ocorrerá tanto para o justo que A receberá para a vida eterna com Deus; quanto para o injusto que a receberá para viver no sofrimento infinito longe de Deus.[23] Não por outra razão é a lição do Apóstolo, que o que semeamos na carne é o que colheremos na carne, seja o prêmio ou a pena.[24] Cristo não assumiu nossa humanidade para desprezá-la, mas para salvá-la, curá-la e elevá-la ao estado de perfeição superior a qual fora criada. Ele não é inimigo da matéria e da natureza humana que ele mesmo criou, pois tudo que ele criou é bom.[25] Os defeitos da alma que nos condenam a vida eterna sem Deus são causados pela corrupção do corpo que gera atos, condutas e ações defeituosas, lesivas e corrompidas, e assim a doença do pecado instalada no corpo apodrece a alma. Por isso, não podemos receber plena e eficazmente as graças e virtudes em nosso espírito sem que passem primeiro pelo nosso corpo, pois como está escrito:

SE HÁ UM CORPO ANIMAL, TAMBÉM HÁ UM ESPIRITUAL. (I Coríntios 15, 44)”

MAS NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL; O ESPIRITUAL VEM DEPOIS. (I Coríntios 15, 46)”

Todavia, os defeitos e vícios da alma espiritual são causados pelo pecado do corpo animal, como disse o Apóstolo, “[…] OS DESEJOS DA CARNE COMBATEM CONTRA A ALMA.” (I São Pedro 2, 11)

Ora, se todo remédio é aplicado onde está a raiz da doença, e se essa está na carne pecadora[26], mortal e corrompida, então, a salvação não desprezará o remédio espiritual para os corpos doentes, remédio este, que só nos vem por meio de um outro Corpo, sadio, imortal e incorrupto no qual habita a própria Divindade.

Por isso, muitas vezes Jesus serve-se de sinais da matéria do corpo humano para curar, como a saliva e o barro da terra.[27] Com barro da terra misturado a sua saliva, Cristo untou os olhos de um cego, e este passou a enxergar.[28] O milagre da cura recebido pelo cego veio pelo barro da terra e pela saliva de Cristo. O barro significa a matéria do corpo humano, pois o corpo foi formado do barro.[29] Já a saliva significa água límpida, sobrenatural e pura que viria do Corpo de Cristo crucificado e no qual somos salvos.[30] Assim, temos nesse lodo no qual Jesus untava os olhos do cego o sinal de seu próprio CORPO MÍSTICO, nos sinais da água na saliva e da carne e sangue no barro, que é a substância na qual Deus formou o corpo humano, para que então, as profecias se cumprissem:

ASPERGIREI ÁGUAS PURAS SOBRE VÓS, E FICAREIS PURIFICADOS DE TODAS AS IMUNDÍCIES E DE TODOS OS NOSSOS IDOLOS VOS PURIFICAREI.” (Ezequiel 36.25); “E MOSTROU-ME O RIO PURO DA ÁGUA DA VIDA, CLARO COMO CRISTAL, QUE PROCEDIA  DO TRONO DE DEUS E DO CORDEIRO. (Apocalipse 22.1)”

Vemos neste episódio um ensinamento sobre os sacramentos, na realidade espiritual da graça da cura, depositada pelo Espírito Divino na matéria natural do barro e da saliva. A medicina da salvação é para o corpo e para alma justamente porque Deus não salva apenas almas, mas o ser humano completo dotado de corpo e alma, como se prova pela promessa da ressurreição da carne para viver a vida eterna ao lado dele. E porque a salvação não despreza o remédio espiritual para o corpo, é dito que é o Espírito quem vivifica a carne pecadora por meio da carne crucificada do Mediador, a qual fora dada em sacrifício de amor para remissão dos nossos pecados. Se protegemos o mais importante pelo manto, protegemos a alma pelo corpo, e o corpo só nos é santificado nos sacramentos: “FELIZES AQUELES LAVAM AS SUAS VESTES para ter direito à árvore da Vida E PODER ENTRAR NA CIDADE PELAS PORTAS. (Apocalipse 22, 14)

 

4 — Receber a humanidade mística e sobrenatural de Cristo em nossa humanidade nos permite participar com ele do seu sacrifício que nos redime dos pecados. Deus se serve da humanidade santíssima de Cristo, e sacrificada para isentar-nos de toda culpa, e para distribuir suas graças à humanidade corrompida. Por isso, “EI-LO JESUS, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA E PELO SANGUE.” (I Jo 5.6) “[…] FOSTES BATIZADOS, FOSTES REVESTIDOS DE CRISTO. (Gálatas 3, 20)”

Os sinais sacramentais são os frutos do sacrifício da cruz.[31]

Neles, nos tornando membros de um só Corpo com Cristo[32] para que possamos renascer pelo batismo, crescer pela crisma, nos alimentarmos pela eucaristia, participarmos na obra da criação do homem e da mulher pelos frutos do matrimônio, corrigir a desordem entre o corpo e a alma, e morrermos na unção dos enfermos para ressuscitarmos na glória dos eleitos: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos sepultados com ele na sua morte PELO BATISMO, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.” (Rm 6. 3-6) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele,” (Rm 6. 8) “QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO; (Mc 16, 16)”

As graças e méritos da salvação nos vem pela humanidade pura, santa e imortal de Cristo, que em comunhão com a nossa, nos santifica, purifica e imortaliza, preparando-nos para a ressurreição futura na vida eterna.

Deus usa a humanidade de Cristo para nos salvar.

Deus quis salvar toda humanidade por meio de uma única humanidade que no Verbo Encarnado tornou-se mediadora, e assim, salvar todos os homens por meio de um só homem[33], o Mediador, JESUS CRISTO, HOMEM, em sua natureza humana.  Só por meio da humanidade de Cristo, poderemos receber plenamente a glória e a graça da Divindade de Cristo. Assim, “permanecemos nesta tenda onde gemem os oprimidos: desejamos ser não despojados, mas REVESTIDOS COM UMA VESTE NOVA POR CIMA DA OUTRA, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. (II Coríntios 5, 4)”

 

5 — A mesma substância da carne, da água e do sangue que existe no sinal fragmentado do corpo é a que existe no corpo inteiro. Jesus é a causa da graça que nos cura, e os sacramentos, os sinais do seu corpo dado em sacrifício por amor de nós, o instrumento que ele quis e escolheu para partilhar essa graça com os enfermos de corpo e de alma.

A remissão dos pecados pertence exclusivamente a paixão de Cristo, na cruz.

Logo, é certo que em sua humanidade carnal sacrificada, o Verbo Divino e Encarnado tornou-se o remédio de vida eterna para nossos corpos e nossas almas, remédio este que, PELA FÉ, nos vem nos sinais sensíveis e eficazes a promover a graça e a comunhão entre ele e nós:

“Ele vos reconciliou PELA MORTE de seu CORPO HUMANO, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai.” (Colossenses 1. 22)

Então, “[…] SOMOS UM SÓ EM CRISTO, (Romanos 12,5)”

Por onde, é manifesto que os sacramentos dados a Igreja tiram especialmente a sua virtude da paixão de Cristo, a qual nos une a nós pelos sacramentos.

Nos sinais que verteram do lado de Cristo na cruz, ao ser alvejado por uma lança romana, são os sinais da água do Batismo e do sangue da Eucaristia, sacramentos principais, dos quais decorrem os demais sacramentos.

 


[1] Gnosticismo é uma religião filosófica milenar com muitos conceitos e divisões, cuja origem está no pensamento maniqueísta de que o mundo se divide entre o mundo da matéria que é mal porque toda matéria é má; e o mundo dos espíritos que é bom porque todo espírito é bom. Porque os gnósticos repudiavam toda matéria, inclusive a humanidade do corpo, eles negavam que em Cristo, Deus tenha se tornado homem sem deixar de ser Deus. O gnosticismo foi combatido intelectualmente pelos escritos de Santo Irineu (Contra as Heresias, ano 120) e, posteriormente, Santo Agostinho (Contra os Maniqueus, ano 397). A Igreja declara herético o pensamento gnóstico porque ele nega a Encarnação do Verbo, negando que Cristo seja Deus e homem, simultaneamente. (Concílios de Lateranense, em 1215, e de Éfeso, em 431).

[2] Catecismo §1505: Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: “Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças.” Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13). A cura do corpo e da alma, se não for nesse tempo, será para o tempo transcendente. Nisso consiste o sacramento da unção aos enfermos.

[3] Jo 6, 27 e 6.

[4]Jo 3, 5.

[5] A Doutrina Cristã. 3, 9, 13; A cidade de Deus 10, 5.

[6] II Coríntios 6. 14: QUE COMUNHÃO PODE TER A JUSTIÇA COM A INIQUIDADE? OU QUE COMUNHÃO A LUZ TEM COM AS TREVAS? (II Coríntios 6. 14)

[7] Parábola do Semeador. (Mt 13)

[8] “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. (São João 6, 54) ”Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (São João 6, 51) “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (São João 6, 54)

[9]“Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério dessa reconciliação. (II Coríntios 5, 18) ”Eis que agora ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. (Colossenses 1, 22)”; Somos santificados pela oferta do Corpo de Cristo, de uma vez por todas…. (Efésios 10. 10)

[10] “EU SOU O CAMINHO, a verdade, a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim. (Jo 16, 14)

[11] Não imiteis os pagãos, NEM TEMAIS OS SINAIS CELESTES, COMO TEMEM OS PAGÃOS. (Jeremias 10, 2)

[12] AQUINO. Santo Tomás. Art. 6 Q 63 Dos Sacramentos, Livro

[13] Cristo é inseparavelmente homem e Deus (Concílio da Calcedônio, ano 451), sua humanidade entra na união com sua Divindade, e assim, todos os atributos da Divindade habitam agora também em sua humanidade, como a imortalidade pela qual ressuscitou, e onipotência, onisciência e a onipresença, pois se Cristo não for onipresente, onisciente, imortal e nem onipotente, então ele não é Deus:

“EIS QUE ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, ATÉ O FIM DOS TEMPOS.” (Mt 28,20)

“O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS; VOCÊS, PORÉM, ME VERÃO, porque eu vivo, vocês também viverão. Naquele dia, compreenderão que ESTOU EM MEU PAI, VOCÊS EM MIM, E EU EM VOCÊS. (Jo 14; 19 e 20)

TomaicomeiISTO É O MEU CORPO.   (Mt 26. 26 e 28)

“QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE PERMANECE EM MIM E EU NELE.” 
(Jo 6, 56)

[14]“ELE, QUE ESTEVE VISÍVEL COMO NOSSO REDENTOR, AGORA PASSOU PARA OS SACRAMENTOS. (São Leão Magno, ou São Leão I, ano + 440);” PORQUE NELE HABITA CORPORALMENTE TODA A PLENITUDE DA DIVINDADE. (Colossenses 2, 9)

[15] “Como poderia o homem ter razão diante de Deus? Ele não é um humano como eu a quem possa responder, com quem eu possa comparecer na justiça. Pois que não há entre nós um homem que ponha sua mão sobre nós dois.” (Jo 1, 29, 32 e 33)

[16] “Ora, a salvação do homem, depende do poder de Deus, que o santifica. Não pertence ao nosso próprio juízo escolher as coisas com o que nos santificamos, mas estas, devem ser determinadas por um instituto Divino. Por isso, no sacramento das Lei Novas, haveis de ser sido lavados, haveis de ter sido santificados. (AQUINO. Santo Tomás. Suma Teológica. art. 5 Dos Sacramentos. Q 60, Livro)

[17]

[18] AQUINO. Santo Tomas. Suma Teológica. Livro IIIa. Q 62 artigo 5.

[19]“Porque este vive para sempre, possui um sacerdócio eterno. (Hebreus 7, 24)” 

[20]“Se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio levítico (porque é sobre este que se funda a legislação dada ao povo), que necessidade havia ainda de que surgisse outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e não segundo a ordem de Aarão? (Hebreus 7, 11) Pois, transferido o sacerdócio, forçoso é que se faça também a mudança da Lei. (Hebreus 7, 12)” 

[21] Pois, havendo Moisés pregado todos os mandamentos da lei a todo o povo, tomou o sangue de bezerros e bodes, junto com água, lã escarlate e hissopo, e aspergiu o rolo e todo o povo, (Hebreus 9, 19)

[22] AGOSTINHO. Santo. A grandeza da alma. Paulus SP, 2008. p.253- 351 (Coleção Patrística, n. 24)

[23] E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. (Daniel 12,2)

[24] Gálatas 6.8.

[25] Gênesis 1, 31.

[26] Suma Teológica. Q 32 art. 5 Livro Suplementar.

[27] Catecismo §1504: Muitas vezes Jesus serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lama e ablução. Os doentes procuram tocá-lo, “porque dele saía uma força que a todos curava” (LC 6,19). Também nos sacramentos Cristo continua a nos “tocar” para nos curar

[28] PURIFICA-ME COM HISSOPO, e ficarei puro. LAVA-ME, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria, e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e APAGA todas as minhas INIQUIDADES.” (Salmo 51.4-9)

[29] Gênesis 2, 7

[30] “Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele:” Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. DITO ISSO, CUSPIU NO CHÃO, FEZ UM POUCO DE LODO COM A SALIVA E COM O LODO UNGIU OS OLHOS DO CEGO. Depois lhe disse: ”vai, lava-te na piscina de Siloé” (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.” (São João 9. 1 – 7) 

[31] AGOSTINHO. Santo.

[32] Os salvos são um só Corpo, uma só Humanidade em Cristo, nascida, morta e renascida em Jesus Cristo: “A Igreja em sua Autoridade (I Tim. 3, 15) ensina desde os tempos primitivos, que a ligação dos santos alcançada na fé que nos torna membros do Corpo de Cristo, NÃO SE EXTINGUE COM A MORTE FÍSICA; AO CONTRÁRIO, SOBREVIVE DE MODO DEFINITIVO À MEDIDA QUE OS SANTOS TROCAM ESTE CORPO NATURAL PELO CORPO DE CRISTO, ATÉ O DIA DA RESSURREIÇÃO DA CARNE. (Santo Irineu de Lyon Livro I p. 64, Adversus Haereses, anos 120-180)”” Ele nos manifestou o misterioso desígnio[…] DE REUNIR EM CRISTO TODAS AS COISAS, AS QUE ESTÃO NOS CÉUS E as que estão NA TERRA. (Ef 1. 9 e 10)”

Existe uma união sobrenatural entre todos os justos e santos, porque nossa relação com Cristo acontece num Corpo, numa só humanidade na qual ressuscitaremos, e não em cada um de nós isoladamente: “[…] formamos um só Corpo em Cristo, e CADA UM DE NÓS É MEMBRO UM DO OUTRO. (Rom 4, 5); “SOIS O CORPO DE CRISTO, E CADA UM de sua parte, É UM DOS SEUS MEMBROS. (I Cor 12, 27); “O que falta às tribulações de Cristo, COMPLETO na minha carne, por seu CORPO que é a IGREJA. (Col 1, 24)

Em seu Corpo Místico, o Céu e a terra se comunicam,  formando a Família Espiritual: “Consequentemente, já não sois hóspedes, nem peregrinos,  mas sois CONCIDADÃO DOS SANTOS e MEMBROS DA FAMÍLIA DE DEUS.” (Ef 2, 5)”

“[….] PELA IGREJA [….] por esta causa sobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda FAMÍLIA NO CÉU E NA TERRA. (Ef 3, 15)”

“TODO O CORPO COORDENADO E UNIDO POR CONEXÕES que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria,  efetua  esse  crescimento espiritual, VISANDO A PLENA EDIFICAÇÃO DA FÉ NA CARIDADE. (Ef 4. 16)

[33] Como o Espírito Santo falou profeticamente pelos lábios do então Sumo Sacerdote, Caifás: – QUE MORRA UM SÓ HOMEM PELO POVO, E NÃO PEREÇA TODA A NAÇÃO. (São João 11, 50)

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