MÃE SEM PECADO!


Existem dois princípios na obra da concepção de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus feito homem, sendo que do princípio ATIVO provém sua DIVINDADE; e do PASSIVO advém sua HUMANIDADE. O princípio ativo tem como agente a PESSOA do ESPÍRITO SANTO, que é DEUS, e que para conceber e gerar o Verbo Encarnado que também é DEUS,1 unira-se à humanidade da Mulher, tomando dela o corpo e a carne2 como receptáculos, tornando esta, a paciente sobre a qual atuaria.

O agente ativo é o que semeia, sendo o agente passivo o que sofre a ação do semeador. 

Conclui-se que o que o Espírito Santo semeou na carne da Virgem, e se tem como o seu fruto, é o próprio Deus tornado homem:  “Eis que uma Virgem CONCEBERÁ, e dará a luz a UM FILHO que se chamara Emanuel, que significa DEUS CONOSCO.” (São Mateus 1. 23)

https://igrejamilitante.com.br/index.php/2019/08/09/maria-e-a-origem-biologica-do-cristo/

O que nasce de Maria é UM FILHO,3 e esse Filho É DEUS CONOSCO, Deus Encarnado Homem, do que se conclui ainda ser a Santíssima Virgem, a Mãe de Deus, pelo Filho Divino tornado humano em seu ventre. 

O Espírito Divino é a causa eficiente da concepção, formando exclusivamente do material biológico que apreendera da Virgem, aquele que nascera Deus e homem, sendo Filho de Deus por natureza Divina, e Filho do homem por natureza humana: “Eis que EM TEU VENTRE CONCEBERÁS e DARÁS À LUZ um FILHO,4 e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. […] Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? E, respondendo o anjo, disse-lhe: DESCERÁ sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo TE COBRIRÁ com a sua sombra; pelo que também o Santo, que DE TI HÁ DE NASCER,5 será chamado Filho de Deus.” (São Lucas 1. 25, 34 e 36) 

Sobre a união em hipóstase6 das naturezas em Cristo, formando uma ÚNICA Pessoa, ensinou Santo Tomás de Aquino:

“[….] sua natureza (humana) foi tão perfeitamente unida ao Verbo de Deus na unidade de Pessoa, que o Filho do homem foi o mesmo que o Filho de Deus. (Suma Teológica, Q 32, art. 1 Livro IIIa. Do Verbo Encarnado)”

A humanidade fora assumida numa UNIDADE perfeita e inseparável com a Divindade, numa única Pessoa, razão porque, se diz de Cristo como o Filho de Deus, e simultaneamente Filho do homem (Filho gerado numa humanidade): E dizia-lhes: O FILHO DO HOMEM é Senhor até do sábado.” (São Lucas 6.5) “Assim será no dia em que o FILHO DO HOMEM se há de manifestar.” (São Lucas 17.30) “Porque o FILHO DO HOMEM veio salvar o que se tinha perdido.” (São Mateus. 18.11)  “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o FILHO DE DEUS não tem a vida.” (I João 5, 12) “Tu és o Cristo, o FILHO DE DEUS vivo. (São Mateus 16. 13 à 19)”

Sendo o Espírito Santo uma das PESSOAS DIVINAS da Trindade, Ele jamais entraria em consórcio com uma mulher, tomando dela o material biológico para gerar a Pessoa Divina do Filho, se não fosse essa Mulher PURIFICADA e ISENTADA do contato com todo pecado e todo mal, antes que o mal a atingisse. Pensar que DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO, pudesse ter entrado em comunhão com uma pecadora em estado de pecado, é admitir que a Luz pudesse ter tido alguma relação promíscua com as trevas, manchando o Bem com o mal, e assim, toda Dignidade do Verbo Encarnado. 

A concepção de Cristo se realizou pela UNIÃO entre a Mulher e o Espírito Divino, logicamente porque nem a Mulher, e nem o Espírito Santo conceberam sozinhos, senão em consórcio unitivo: “[…] o Espírito Santo DESCERÁ SOBRE TI.” (São Lucas 25, 34 e 35)

Que comunhão harmônica e fraterna poderia haver entre Deus, na Pessoa do Espírito Santo, e uma escrava do pecado mantida nesta condição? “QUE UNIÃO HÁ entre a Justiça e a Iniquidade? LUZ e TREVAS? E que parte tem o fiel com o infiel? (II Corintios 6, 14)” “Quem DO IMUNDO TIRARÁ O PURO? Ninguém!” (Jó 14.4)

No ato da concepção do Verbo que é Deus Encarnado, a Santidade Eterna e Divina do Espírito Santo, só agiria na Mulher, se com ela houvesse comunhão plena em Santidade, razão porque, teria essa mulher, que ser dotada de extraordinária pureza desde o início de sua existência.

São Tiago ensinou que qualquer amizade com o pecado, equivaleria a inimizade contra Deus: “[…] não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer um que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.” (São Tiago 4. 4)

Ora, o Espírito Santo é DEUS, e DEUS não é inimigo de si mesmo, razão porque, não poderia na concepção do Cristo, interagir em harmonia com a carne pecadora da Mulher, e daí, o pecado da Mulher e a Santidade Plena do Espírito Santo atuarem juntos na concepção do Verbo, pois “não podeis servir a Deus e a mamon.” (Mt 6.24)

Pecado original é o que nos contagia na alma e corpo com a capacidade para prática da maldade e execução dos atos maus no curso da vida, por nascermos desprovidos da comunhão com Deus pelo pecado dos nossos primeiros pais, o que nos leva à condição de inimigos de Deus, situação transmitida por nossas mães no ato da concepção. Disto nos vem os defeitos, imperfeições e vícios adquiridos desta natureza adâmica pecaminosa herdada da mãe, por ser esta, aquela que consuma a obra da concepção do ser nascente: 

“Que é o homem para que seja puro? E o que NASCE DA MULHER para que fique justo? (Jó 15.14)” “Eis que em INIQUIDADE FUI FORMADO, e em PECADO ME CONCEBEU MINHA MÃE. (Salmo 51.5)”

“Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e COMO SERIA PURO AQUELE QUE NASCE DA MULHER? (Jó 25. 4 e 6)”

Convinha então, que APENAS em Maria Santíssima, o ciclo familiar da transmissão da natureza pecaminosa fosse interrompido por causa do Cristo, sendo que o modo conveniente para essa interrupção, era antecipar a salvação7 daquela incumbida de gerar em si o Verbo Encarnado, para que a humanidade do Filho Divino não ficasse sequer exposta ao risco de contrair o pecado materno, e desta maneira, fosse concebida com tendência à prática dos atos maus.

Se Cristo fosse concebido na carne pecadora da mulher, então ele, primeiro, deveria salvar a si próprio do pecado. Mas salvar a si próprio do pecado, implica estar sujeito ao risco de cair sob o domínio do pecado, e Cristo jamais esteve, e não poderia jamais estar nesta condição.

Se o pecado da mãe não poderia ser transmitido, então não poderia ser recebido por ela.

A humanidade de Maria fora assim, o escudo que Deus criou, e usou para proteger e manter incólume a humanidade redentora do Filho, conforme as Escrituras:

“Até quando andarás errante, ó filha rebelde?8 Porque o SENHOR criou UMA COISA NOVA sobre a terra; UMA MULHER PROTEGE A UM VARÃO.” (Jeremias 31.22)

Essa profecia dirigia-se à cidade de Jerusalém, dita como filha rebelde, cujo pecado da idolatria a tornou a GRANDE MERETRIZ, a traidora de Deus (Apocalipse 19.2) Mas esse contexto profético, também traz outra importante revelação Divina inserida numa surpreendente inversão de paradigmas. Anunciava-se que uma MULHER protegeria, cercaria9 um certo VARÃO.

Na cultural hebraica, as mulheres pertenciam a classe inferior, submissas e dependentes do homem, fosse pai ou marido. o varão era o guerreiro forte, e, enquanto classe superior, era o protetor natural e legal da mulher.

Mas o que Deus demonstra na profecia é que a MULHER protegeria o VARÃO. 

O mais fraco cercaria e serviria como escudo para o mais forte.

E se diz ainda que essa MULHER seria uma COISA NOVA de DEUS na terra. 

O ineditismo dessa Mulher, implicaria que não haveria outra idêntica ou semelhante. Entretanto, em que consistiria essa novidade? Por quê? Como se daria essa proteção? É dito do livro do Gênesis que Deus criaria uma certa Mulher, e entre ela e a serpente, o diabo, o próprio Deus colocaria INIMIZADE: “Porei ÓDIO10 ENTRE TI e a MULHER, entre a tua descendência E A DELA. ESTA te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3. 15)

A palavra ódio no hebraico antigo é za-a-ká, e na tradução da septuaginta do grego koiné é meson.

Num ou noutro idioma significa INIMIZADE CAPITAL, ausência completa de afeição, LIGAÇÃO e harmonia, impedindo o CONTATO, a proximidade e a comunhão entre indivíduos. Exprime a existência de entes completamente DESLIGADOS, separados por abismo ou obstáculo intransponível.

A Mulher do Gênesis é a COISA NOVA NA TERRA (Jr 31.22), cuja peculiaridade é que fora formada sem pecado, sem o concurso da maldade, sem que o domínio da antiga serpente lhe recaisse.

Noutra profecia, restou dito da condição dessa Mulher:

“De longe me aparecia o Senhor: AMO-TE COM AMOR ETERNO, E POR ISSO A TI ESTENDI O MEU FAVOR. RECONSTRUIR-TE-EI, E SERÁS RESTAURADA, Ó VIRGEM DE ISRAEL!11 Virás, ornada de tamborins participar de alegres danças. (Jeremias 31. 3 e 4)”12

Em hebraico, “estendi” (maw-shac) significa ser arrastado para bem longe, esticado.

“Favor”  traduziu-se de cha-sad, que é benignidade, graça completa, préstimo ou pureza extrema.

Temos então, na junção das palavras (maw-shac + cha-sad) um favor PLENO ou GRAÇA PLENA que é a condição sobrenatural apenas DESSA VIRGEM. 

A expressão “serás restaurada” nitidamente expõe que esta Virgem de Israel, aqui profetizada, teria os favores plenos de Deus desde o início da sua existência.

Ora, restaurar é voltar ao que era antes, no princípio, sendo que tudo no princípio era santo e puro.

A condição da humanidade restaurada do pecado na Virgem Maria, é também um tipo da cidade de Israel que será restaurada do pecado da idolatria e infidelidade a Deus. As figuras proféticas da Mulher e da Cidade, portanto, são tipos analógicos.

Ainda sobre a pureza da Virgem profetizada em Jeremias 31. 3 e 4, reportamos a saudação angelical à Virgem Maria, quando da anunciação:

“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO!” (S. Lucas 1, 28)

Notadamente CHEIA DE GRAÇA (gratia plena) se origina do grego kekaritomene:

28 kai eiselqwn o aggeloV proV authn eipen caire kecaritwmenh (κεχαριτωμένη) o kurioV meta sou euloghmenh su en gunaixin

Kekaritomene é uma palavra composta (hibridismo) que possui núcleo verbal ou radical (charitó); prefixo (ke) e sufixo (mene) formando um termo único e inédito nas Escrituras, só utilizado para a virgem Mãe: ke + charitó + menh = (ke) karito (menh).

Charitó (χαριτόω) indica uma graça totalmente preenchida, PLENA em quantitativo e intensidade. Tanto, que é a expressão usada pelos hagiógrafos para definir a natureza da Graça em Cristo.13 E sendo Cristo eterno e incriado, a graça plena está Nele de maneira eterna e incriada, sendo Ele a própria graça personificada. Já numa criatura, como Maria, que não detém em si a eternidade, senão apenas por participação na comunhão com a Divindade, haveria de se estabelecer o início para o ato Divino de lhe agraciar.

Para distinguir a plenitude da Graça Mariana em relação a Graça SUPERIOR de Cristo, delimitou-se no tempo, o favor recebido pela Virgem.

O prefixo “ke” conduz o tempo do verbo para o particípio pretérito (ido/ado), indicando que a ação de agraciar a Virgem já tinha sido completada no passado mais remoto, ou seja, desde sua origem, sendo a origem do ser sua concepção: (agraciar/ agraciada).

Por fim, o sufixo “menh” indica que aquela que fora agraciada no passado, assim continuaria permanentemente. Se o prefixo ke retrocedeu a graça mariana até sua origem, a palavra menh (μενη) proclama sua conservação e permanência definitiva, demonstrando uma ação de Deus sobre Maria de maneira contínua, e num futuro inalterável.

O radical ou núcleo verbal da frase (charitós) significa GRAÇA INTENSA e SUPERABUNDANTE, sendo o termo utilizado para expressar a Graça da nossa salvação que está em Cristo: “Para louvor e glória de SUA GRAÇA, com a qual ELE nos agraciou no amado.”(Efésios 1.6)

“eiV epainon doxhV thV CARITOV (χάριτος) autou en h ecaritwsen hmaV en tw hgaphmenw” (Efésios 1. 6)

Somando o prefixo, sufixo e o radical, temos a expressão GRAÇA COMPLETA ou PLENA desde a origem do ser agraciado, que no caso Maria, é a data de sua concepção, sendo conservada permanentemente para que nunca esgote.

Evidente que a COISA NOVA NA TERRA (Jeremias 31.22), criada por Deus para proteger o Guerreiro, tem na pessoa da Virgem Mãe seu enigma revelado.

Maria não entendeu, na saudação, as palavras do anjo, pois não tinha consciência até então do seu ineditismo, e da excepcionalidade de sua condição diante de Deus: “Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela COM ESTAS PALAVRAS e pôs-se a PENSAR NO QUE SIGNIFICARIA SEMELHANTE SAUDAÇÃO.” (São Lucas 1. 28 e 29)

A finalidade da proteção da Mulher ao varão, conforme instituído por Deus, não é de difícil compreensão.

Todos os que tomam a carne ancestral de Adão, estão submissos ao pecado e maldade desde a concepção, o que lhes fará obrar de modo desordenado ao tempo da razão e arbítrio, mediante o pecado pessoal.14? Sendo Cristo plenamente homem, e tomando em sua encarnação a carne da natureza adâmica, também Ele em SUA HUMANIDADE, ficaria à mercê do pecado, nesta regra universal. 

Todavia, teorizam os gnósticos que apesar de Cristo ter sido concebido na carne pecadora de sua genitora, Ele não se maculou porque a carne estava unida a Divindade.

Tal argumento é descabido.

Para isso acontecer, seria necessário que a humanidade de Cristo fosse concebida na Divindade do Filho, e não na humanidade de Mãe. Era preciso que antes da concepção de Jesus em sua humanidade, sua Divindade já estivesse no útero da Virgem para previamente isentá-lo do pecado que viria da humanidade adâmica tomada de sua genitora. Contudo, FOI PRIMEIRO A HUMANIDADE FORMADA, para só depois a Divindade se Encarnar nessa humanidade já concebida, como testificou São Paulo sobre a antropologia humana:

“[…] Se há um corpo animal, também há um espiritual.” (I Corintios 15,44)

“Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL;15 o espiritual vem depois.” (I Corintios 15, 46)

No útero da virgem, não veio primeiro a Divindade, mas a humanidade do Cristo, na qual depois, a Divindade se encarna. Foi a Divindade que assumiu a humanidade que já existia, já havia sido concebida e formada, e não a humanidade que assumira a Divindade. Surgindo primeiro no ventre da virgem a parte animal ou humanidade do Verbo, é fato que antes da Divindade se encarnar poderia esta humanidade já formada da carne de Maria, ter recebido por herança ancestral, a natureza pecaminosa de sua mãe.

Justamente para que isso não ocorresse, não convinha ao Verbo uma Mãe pecadora, pois receberia dela o pecado adâmico, antes que sua humanidade fosse definitivamente assumida pela Divindade.

APENAS O BATISMO NOS LIVRA DO PECADO ORIGINAL.

Ensinou também Santo Tomás: “[…] a carne não deveria ser assumida pelo Verbo ANTES DE SER CARNE humana. (Suma Teológica, art. 4, Da Assunção das Partes)”

É O CORPO da VIRGEM que o PROTEGE, onde Ele fez o seu SANTUÁRIO; na Virgem Ele edificou um CORPO SANTO, e dele se apropriou, e fê-lo instrumento para nos dar.” (Da Encarnação do Verbo, anos 296 à 373, in Santo Atanásio, ano p. 80 par. 18)

Santuário é local feito imaculado para que Deus nele habitasse.

Ora, se os santuários feito pelas mãos dos judeus tinham de ser puros, dirá o SANTUÁRIO onde o VERBO HABITARIA, e ENCARNARIA, porquanto é certo que o ventre de Maria, a PORTA que Deus fez para entrar na terra, no tempo e na história, tornou-se extensão do próprio Santuário Celestial, o Santuário perfeito, não confeccionado por mãos humanas, como reconheceu São Paulo na Carta aos hebreus, e também o profeta Jeremias (Jeremias 44. 1 e 2):

“Ele reconduziu-me ao PÓRTICO EXTERIOR DO SANTUÁRIO, que fica FRONTEIRO AO ORIENTE, o qual se achava fechado. 2. O SENHOR DISSE-ME: ESTE PÓRTICO FICARÁ FECHADO. NINGUÉM O ABRIRÁ, NINGUÉM AÍ PASSARÁ, PORQUE O SENHOR, DEUS DE ISRAEL, AÍ PASSOU; ELE PERMANECERÁ FECHADO.”

Sobre isso, encerra Santo Agostinho:

“Quem é esse PORTÃO FECHADO (Ez 44. 1-4) se não for MARIA? (in Tratando sobre a Santa Virgindade, IV)”

REVERENCIAREIS O MEU SANTUÁRIO. Eu sou o Senhor.” (Levítico 26, 2)

Essa teoria gnóstica na qual o Logos Divino já estaria no ventre da virgem, antes da sua humanidade restar concebida para impedir que o pecado da mãe atingisse ao Filho, implicaria ainda que Ele também precisou remover o pecado de si mesmo. Ora, seria motivo de deboche e zombaria no inferno, um “salvador” que precisou “ser salvo” para não receber  a natureza pecaminosa da humanidade de sua mãe.

Excluindo todas essas teorias espúrias, que tentam macular o ventre mariano,enquanto Santuário do Messias, resta claro que lhe fora dada como mãe, uma Mulher Santíssima, escudo o qual impediria que a humanidade do Cristo, ANTES DE SE UNIR A DIVINDADE, recebesse o pecado original.

Todavia, acusam alguns que para aceitar a imaculada concepção de Maria, teria de se aceitar que também os seus pais, e sucessivamente, todos os  seus ancestrais tivessem sido imaculados.

Tal afirmação é também infundada, porque a pureza de Maria não decorreu por consequência da natureza humana familiar, mas de intervenção direta e pontual do próprio Deus. Se o pecado é transmitido pelas mães diretamente aos filhos (Salmo 51,5), de certo que para cessar a possibilidade dessa transmissão, bastaria ao Filho que a carne de sua mãe restasse isenta da condição pecaminosa.

Aquela que não poderia transmitir o pecado, é aquela que também não poderia recebê-lo.

Quer impedir a transmissão da doença ao filho, cure-se a mãe tão somente.

Cristo não recebeu nada diretamente dos avós carnais, nem da parentela da Santíssima, senão diretamente da Virgem. Além disso, é fato que Maria precisou receber a salvação definitiva antecipadamente para se tornar imaculada e pura, do que se conclui, que sua ancestralidade lhe havia colocado na condição de vir a ser uma pecadora, caso não tivesse a incumbência de gerar o Verbo de Deus. Já Cristo não correra risco de ficar exposto ao pecado, e sendo Ele mesmo, o salvador universal de toda humanidade, necessitar ser salvo, justamente por ter uma Mãe Imaculada que não lhe colocava na condição de nascer sujeito à condição comum do pecado.

Por fim, alguns afirmam que equiparamos a pureza de Maria com a pureza do próprio Deus.

Ora, como ensina o Magistério Infalível da Santa Igreja, a pureza de Maria decorreu de ato de salvação, e intervenção Divina; enquanto a pureza de Cristo decorre de seu próprio Poder Soberano.

Maria não foi pura por sua própria essência ou mérito, mas purificada.

A Virgem correra o risco de se tornar pecadora pelo pecado que estava em seus pais, e que lhe seria transmitido. Jesus porém, em razão de sua DIGNIDADE SUPERIOR, não poderia de modo algum ficar à mercê do pecado, sendo que por esta razão, é que o pecado em sua mãe, Maria, fora eliminado por completo.

Por causa de sua genitora, Sant’ana, que nascera em pecado, Maria haveria de ser concebida com tendência ao pecado e à maldade, tendência esta, que lhe fora retirada porque não podia retransmitir essa condição ao Filho. 

Nascemos com a semente da maldade em nossa humanidade adâmica, o que em Maria foi retirada, e na humanidade de Jesus jamais existiu porque o processo de transmissão maternal do pecado, em sua mãe Santíssima restou cessado.

Ensina Santo Tomás:

A Santa Virgem foi purificada, no ventre materno, do pecado original, quanto à mácula pessoal; mas não ficou isenta do reato, a que toda natureza estava sujeita, não podendo por isso entrar no paraíso, senão mediante o sacrifício de Cristo; como também se deu com os santos Patriarcas que existiram antes de Cristo.” (Suma Teológica Q 27, art 1º – Da Santificação da Virgem, in Santo Tomás de Aquino)

Não por outra razão, a Igreja jamais afirmou que Maria não tenha sido salva.

Afirmou sim, que sua salvação, assim como sua Maternidade, obrou-se de maneira EXTRAORDINÁRIA, razão pela qual, o Magnificat testemunha:

“ Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, MEU SALVADOR.” (São Lucas 1. 46 e 47)

Por isso, é nossa obrigação honrá-la e venerá-la por todas as gerações, e não como fazem os heréticos, tentando imputar mácula naquilo que Deus fez santo:

“Porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA TODAS AS GERAÇÕES.” (São Lucas 1. 48)


1 –https://igrejamilitante.com.br/index.php/2019/08/14/o-espirito-santo-e-verdadeiramente-uma-pessoa-divina/

2 – Os patriarcas; deles DESCENDE CRISTO, segundo a CARNE,o qual é, sobre todas as coisas, DEUS Bendito para sempre. (Rm 9. 5)” “JESUS CRISTO, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à CARNE, (Rm 1. 3)” “veio socorro, não dos anjos, E SIM DA RAÇA DE ABRAÃO. (Hb 2, 16)”

3 – O PROTESTANTISMO é o responsável pelo ressurgimento das antigas heresias cristológicas, dentre elas, a chamada HERESIA NESTORIANA (Concílio de Éfeso, ano 431), pois para negar que Maria seja Mãe de Deus através de Cristo, apelam à falaciosa teoria de que existem dois Cristo, Divino e Humano, e não uma Pessoa Divina do Filho, que possui duas Naturezas, a Divina e a Humana.

4 – As Escrituras, portanto, proclamam a MATERNIDADE DIVINA em Maria.

5 – Santo que há de nascer de ti.” SANTO é atributo que predica DEUS, não predica homens, senão apenas por participação em Deus (Não há ninguém Santo como o SENHOR; não existe outro além de ti.II Sm 2.2), demonstrando que o que Maria gera não é simplesmente homem, mas Deus Encarnado homem.

6 – Conforme ensina a Tradição e o Magistério Infalível da Igreja, união hipostática é quando se está unido, sem confusão e sem divisão dos elementos.

7 – Tal como a salvação dos profetas, mártires e heróis da fé que morreram antes do sacrifício de Cristo, Maria Santíssima é também salva pelo efeito prévio do Sacrifício de Jesus, que por ter efeito eterno, que retroage ao princípio dos tempos. Maria, entretanto, é salva antecipadamente, antes que o contato com o pecado lhe produzisse atos de pecado. Deus em sua Onipotência, governa o tempo (cronnos), estando em seu domínio o passado, presente e o futuro, podendo tanto salvar pela redenção consumada (tirando os efeitos do pecado cometido); ou salvando pela precedente (impedindo o pecado de se realizar), porque Ele é o ALFA e o OMEGA, início (passado) e o fim (futuro), estando no passado, no presente e no futuro.

8 – Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém, outrora santa, é sempre retratada como traidora, a FILHA REBELDE, FILHA DA PROSTITUIÇÃO: “Viste o que fez a REBELDE ISRAEL?Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou se prostituindo.(Jr3.6); Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, JERUSALÉM! Até quando ainda não te purificarás? (Jr1 3.27) Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as rebeldias se multiplicaram.(Jr 14.7)

9 – No hebraico protegerá, cercará (sowe-beb) formará em torno do homem barreira intransponível. 

10 – Genesis 3:15

Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém é a prostituta. Refere-se a profecia, tanto a Virgem de Israel enquanto corrompida (Jerusalém), quanto a Virgem de Israel enquanto mantida imaculada (Virgem Maria)

11 – Jeremiah 31:3

12 – Efésios 1.16.

13 – Pecados pessoais, cometidos em razão do uso desordenado da liberdade humana.

14 – Tal como o primeiro Adão, cuja criação em partes, precedeu a matéria ou corpo, e só depois lhe foi soprado o espírito, também o Novo Adão, Cristo, é formado primeiro na matéria da sua Humanidade, para só depois ser nesta Humanidade depositado o Logos.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial