O QUE SIGNIFICA AMAR A DEUS?

Amar significa realizar as coisas que são próprias do amor.

Muitos dizem que amam a Deus, se emocionam como o seu Nome, extasiam-se em sua memória, proclamam publicamente terem fé, mas praticam às ocultas coisas que humilham e ofendem aquele que dizem amar, colocando a ganância, devassidão, corrupção, egoísmo e o capricho de opinião acima da verdade, obediência, partilha, castidade, consciência justa e, por fim, da caridade.

Como podem amar se praticam contra o ser amado aquilo que é próprio de um inimigo praticar?

Como ousam dizer que crêem e amam, se as práticas e todo seu viver não faz outra coisa senão ofendê-lo? E que espécie de amor é esse, capaz de chorar copiosamente ouvindo um hino, mas é incapaz de dar comida a quem tem fome, bebida a quem tem sede, roupa a quem está nu, conselho a quem está perdido, amor a quem só conhece o ódio, atenção a quem só tem o desprezo?

Onde está nestes a fé?

E onde está nestes o amor?

De que modo amam? E de que modo crêem?

Cristo nos amou enquanto éramos seus inimigos, e nós sequer nos esforçamos para amar aos da nossa própria casa e aos mais próximos, os quais usufruem intimamente da nossa amizade. Nos sentimos constrangidos de professar nossa fé, e por isso, muitas vezes omitidos o bom e verdadeiro conselho com receio de desagradar e sermos tidos por antipáticos, sendo que em razão desse desejo de sermos simpáticos, permitimos que pessoas amadas se percam do caminho da santificação que lhes dará a vida eterna, deixando-as ao risco do castigo sem fim por nossa negligência e comodismo.

Por essa razão é que são próprios do amor a fidelidade e a caridade.

A infidelidade desonra o Amor pela hipocrisia que é uma vertente da mentira e do amor fingido.

A ausência da caridade com Deus, e para com sua imagem que reside no próximo, acaba matando o amor por causa do egoísmo que com o autêntico Amor não se compatibiliza, posto ser este Amor a virtude de se doar ao ser amado, para assim conduzi-lo ao Bem supremo.

Quem ama se entrega.

E quem ama de verdade partilha o Bem que se busca e se tem, com aqueles que são amados, como um pai que constrói e partilha sua herança com o filho, ainda que esse filho não mereça o patrimônio que o seu genitor, com esforço e sacrifício lhe conferiu.

Amor não é sentimento, é virtude.

Amar a Deus não implica apenas amar as coisas que Deus ama e odiar as coisas que Deus odeia.

Significa AMAR COMO DEUS AMA e ODIAR COMO DEUS ODEIA.

Amar como Deus ama, significa esvaziar-se de si mesmo, fazendo-se inferior para interagir e acolher aqueles que são inferiores.

Odiar como Deus odeia é expandir a misericórdia.

É reprovar as imperfeições ao ponto de trabalhar nelas intensamente para que essas deficiências se tornem virtudes, e desta maneira se possa ver no indivíduo a imagem do Pai, a qual lhe permitirá ser reconhecido como filho. É detestar os erros para que estes não privem o Criador do convívio eterno com sua criatura.

Deus odeia o pecado porque antes de tudo ama a santidade contra a qual o pecado se opõe, e com ela não se coaduna, nem se mistura. Quem não crê, e, portanto, não busca a santificação, nunca poderá amar a santidade, e consequentemente jamais poderá odiar totalmente o pecado como Deus odeia, conservando uma certa simpatia pelo erro.

Ensinou Santo Agostinho:

“[…] amemos nossos inimigos para ganhá-los ao Reino de Deus, e ‘odiemos’ em nossos parentes o que existe neles de obstáculo ao mesmo Reino de Deus”. Necessário se faz, por conseguinte, que o discípulo de Cristo aborreça as coisas transitórias naqueles que deseja levar consigo a possuir a felicidade que permanece. E isso tanto mais quanto maior for o seu amor por eles. (Sermão da Montanha e Símbolos da Fé. Livro I. p. 136, nota 141)

Amar o que Deus ama é fácil.

Odiar aquilo que Ele odeia também.

Impossível é ao ser humano, sozinho e sem o auxílio Divino, amar como Deus ama e odiar como Deus odeia.

Sem a graça que nos vêm por intermédio da vivência dos sacramentos e dos mandamentos da Santa Igreja, podemos apenas amar como pecadores e odiar como pecadores.

Odeia como pecador, o promíscuo que tem repulsa em receber orientações que possam refrear sua libertinagem e conduzi-lo à vivência digna, respeitosa e caridosa com o próximo, até então objetado como instrumento de lascívia e prazer. Ama como pecador aquele que se deleita com políticos e juízes corruptos, que por infâmia, premiam os criminosos na leniência e tolerância com suas ilicitudes, deixando sem castigo os assassinos, devassos e ladrões.

Amar como Deus ama é desejar fortemente tudo aquilo que é eterno e nos conduzirá ao seu Reino para sempre. Odiar como Deus odeia é repudiar fortemente todos os obstáculos que impedirão eternamente de irmos ao encontro Dele em seu Reino.

Quem não ama como Jesus, e não odeia como Jesus, não é frio, nem quente é morno. E tudo que é morno é intragável, e será expelido por não ser quente, nem frio: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. (Apocalipse 3, 15 e 16)”

SANTIDADE OU MALÍCIA: DOIS CAMINHOS A ESCOLHER.

 

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial