O MATRIMÔNIO É PARA TODA VIDA?

1 – Parece que matrimônio cristão é só uma tentativa do casal permanecer unido até que a morte os separe, sem que isso seja firmado como compromisso.

2 – No mais, a perfeição do matrimônio é o zelo de um para com o outro até o fim da vida, mas sabemos que pelo pecado, nada mais é perfeito, logo, nem o matrimônio o é.

2 – Moisés permitiu o divórcio[1] e novas nupciais, o que demonstra que o laço entre os casados pode ser livremente rompido.

3 – Além disso, há os que protestam contra a Igreja[2], que considera pecado grave não viver o matrimônio indissolúvel.

Mas em contrário, Cristo nos adverte: “Não separe o homem o que Deus uniu, e se deixar o seu marido ou sua mulher e se casar com outro, adultera.”[3] E ainda escreveu seu apóstolo: “A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor, e aos casados, mando (não eu, mas o Senhor), que a mulher não se separe do marido. E se ela estiver separada, que fique sem casar, ou se se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher.

SOLUÇÃO> O matrimônio une homem e mulher numa unidade de vidas até o fim. Os nossos olhos captam apenas a dualidade dos sujeitos (marido e mulher, individualmente), por deficiência em ver uma realidade miraculosa da fé[4] que está além da percepção sensível, que é a unidade dos corpos instituída em Deus. A união do homem com a mulher deixou de ser apenas uma realidade da natureza e dos afetos quando transformada em instrumento para nos santificar. Deus instituiu que o homem se santifique na mulher, e a mulher no homem. Instituiu a santificação na solidariedade, não no egoísmo, porquanto fora dito que “não era bom que o homem estivesse só[5] razão porque, tomando da sua carne e dos ossos de sua costela lhe insculpiu a companheira chamada “mulher” (Gênesis 2.18), e os dois se constituíram numa só carne,[6] e o que Deus une não pode o homem dividir[7]. Ora, tudo que se une eternamente em dois já não pode ser três ou mais, nem voltar a ser um, de onde vem respostas aos argumentos acima.

1 – O matrimônio não é uma tentativa de ficar casado até o fim, mas um voto de amor eterno que se faz diante de Deus, como Cristo amou sua esposa, a Igreja, a ponto de se doar por completo a ela, e por ela. O que distingue o matrimônio da união natural é COMPROMISSO DE FÉ[8] no qual  os nubentes se comprometem em se sacrificarem pelo Bem eterno do outro, como Cristo fez pela Igreja.[9]

2 – Pertencer ao outro implica conservar, cuidar, amar caridosamente e zelar  por aquele que lhe pertente. O que não somos capazes por mérito próprio, somos capazes em Cristo, pois Ele elevou todas as coisas à perfeição. Logo, atingir a perfeição na vida matrimonial exige caridade para com o outro, e com disse o apóstolo, “[…] revesti-vos da caridade que é o vínculo de toda perfeição.[10] Os votos perante Deus conferem segurança e estabilidade  ao convívio do casal, na certeza de que na saúde ou doença; pobreza ou riqueza; bonança ou dificuldade, nenhum deles deixará o outro, porque A GRAÇA DIVINA LHES AUXILIARÁ. O que se promete a Deus é perpétuo. Mas o que juramos entre nós, mais dia, menos dia se rompe, pois somos sujeitos a busca insensata pela renovação das emoções, paixões e prazeres profanos.

3 – Em Moisés se tinha uma lei de tolerância temporária, para não se cobrar uma conduta sem antes ensinar seu valor, e evitar que o homem primitivo matasse a esposa com quem já não queria coabitar. Não se pode condenar sem antes explicar a proibição. Tolerou-se o divórcio na lei antiga, pela ignorância da mente e dureza dos corações dos maridos. Mas essa realidade não seria ser tolerada no tempo em que Cristo santificasse na cruz, a relação matrimonial entre Ele e sua esposa[11], a Igreja. Sendo Jesus, legislador maior que Moisés, restou abolida a lei do divórcio.[12]

3 – O repúdio do esposo contra esposa, e vice-versa, é pecado porque quebra voto feito a Deus, e em Nome de Deus, desonrado pela ausência de vontade de se cumprir o que a Ele fora prometido, que é cuidar e zelar pelo outro até o fim da vida . Além de serem infiéis ao que prometeram um ao outro, também são ao que prometeram a Deus, e o que se promete em seu santo Nome não pode ser descumprido[13] por capricho, impaciência, deleite e comodidade. Por isso, o matrimônio não é para quem não o compreenda,[14]: “Estamos obrigado a fazer aquilo que afirmamos sob voto, para fazer ser verdadeiro o que prometemos, pois do contrário nos faltaria a verdade e mentir diante de Deus consiste numa grave fraude, grave pecado contra sua Graça.[15] Desta forma, por um único ato de divórcio se infringe dois mandamentos, quais sejam, não tomar seu Santo Nome em vão, e não adulterar. [16]


[1] “Se um homem, tendo escolhido uma mulher, casar-se com ela, “e vier a odiá-la” por descobrir nela qualquer “coisa inconveniente”, escreverá uma letra de divórcio, lhe entregará na mão e a despedirá de sua casa. (Deuteronômio 24, 1) ”

[2]Segundo a teoria de Lutero, matrimônio é apenas uma união natural para companhia e procriação. (Sermão sobre o estado do Matrimônio – 1.519), e com base nisso, muitos dos separados da Igreja acreditam que podem divorciar e se casar inúmeras vezes. (Confissão de Fé Protestante de Savoy, ano 1.639)

[3] ‘7. Deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; 8.e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9.NÃO SEPARE, pois, o homem o que Deus uniu. ” 10. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto. 11.E ele disse-lhes: “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, COMETE ADULTÉRIO contra a primeira. 12.E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, COMETE ADULTÉRIO. ” (São Marcos, 10)

[4] “Fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. (Hebreus 11, 5)

[5] Gênesis 2. 18

[6] “Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” (Gênesis 2. 24)

[7] Não separe o homem aquilo que Deus uniu. (São Mateus 19. 6) ”

[8] E seu marido ouviu isso, e manteve sua paz nela, e não a negou; então todos os seus votos permanecerão, e todo vínculo com o qual ela ligou sua alma permanecerá. (Números 30. 11)

[9] Restou dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. EU, PORÉM, VOS DIGO: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimonio falso; e todo aquele que desposa uma mulher repudiada comente adultério. . (São Mateus 5. 31 – 33)

[10] “revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. (Colossenses 3, 14)”

[11] “Esse mistério é grande, quero dizer, com referên­cia a Cristo e à Igreja. * (Efésios 5, 32)”

[12] Isaías 33. 22

[13] “Será glorificado todo o que jurar pelo seu nome, enquanto aos mentirosos lhes será tapada a boca. (Salmos 62, 12)”

[14] Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar! Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado” (Mt 19,7-11)

[15] (Suma Teológica, Q 89, art. 4. Do Juramento)

[16] “Vós todos considerai o matri­mônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros. (Hebreus 13, 4)”

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