O QUE DISTINGUE O SAGRADO MATRIMÔNIO DA UNIÃO NATURAL.

ALIANÇA

A realidade do Matrimônio é feita de Cruz e flores. Pela cruz nos santificamos, e com as flores nos alegramos. A cruz vem do céu, e nos conduz para lá. As flores brotam da terra, e nos lembram com sua beleza e perfume que a cruz vale a pena. A flor há de ser plantada, a cruz aquiescida, e as duas se completam.

Por isso, não podemos desprezar nem a cruz, e nem as flores.

O consórcio carnal ou acasalamento fornicário ou natural, não fora instituído para a raça humana, mas apenas e tão somente para os seres brutos, como cumprimento da Lei Natural.

Nestes, há o instinto ao exercício da obrigação naturalística visando apenas assegurar mediante a prole, a sobrevivência e a perpetuação da espécie.

Difere pois, a união natural, do sacramento do Matrimônio, tanto quanto a raça humana criada a imagem e semelhança de Deus, se distingue dos animais.

Não somos apenas animais.

Somos a imagem de Deus refletida em cada um de nós. Por esta razão, não simplesmente “acasalamos” pois Deus dotou a união do homem e da mulher de um fim específico e sagrado.

A união carnal entre os sexos distintos não pode se dar, nem se extinguir apenas pela conveniência dos instintos, com sói ocorrer com os seres brutos.

Também não pode estar a mercê apenas da conveniência dos afetos aprazíveis, quando é certo que a concupiscência egoística preponderará sobre a vontade de Deus e a razão humana.

Ensinou Santo Tomás de Aquino:

“[…] ao que convém a natureza genérica, convém a todos os animais. Ao que convém só ao homem lhe convém pela natureza diferida. Assim, o Matrimônio do homem se inclina pela diferença. (Q 41 art. 1º, Suplemento da Suma Teológica)”

O sacramento do Matrimônio é a união indissolúvel1  entre UM homem e  UMA  mulher, mediante oferta dos seus corpos em sacrifício mútuo de renúncia, assistência moral, espiritual, material e castidade conjugal exercida através da fidelidade entre os cônjuges, e entre estes para com Deus, porquanto “JÁ NÃO SERÃO DOIS, MAS UMA SÓ CARNE.” (São Marcos 10. 8 e 9)

Numa oferta solene e juramentada,2 ofertam os nubentes mutuamente seus corpos a Deus, na união de vida em sacrifício de renúncia, cuidados recíprocos, afeto incessante, zelo, caridade perfeita, amor e fidelidade de um cônjuge para com outro. Como diz o Apóstolo: 

“A mulher não pode dispor de seu corpo: ELE PERTENCE AO SEU MARIDO. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ELE PERTENCE À SUA ESPOSA. (I Cor 7, 4)

O alcance da ideia do versículo NÃO está limitado ao contexto puramente sexual, como ensinou Santo Agostinho: 

“Amai a Deus primeiro, e depois um ao outro. Primeiro como cristãos, depois como casados. E nada deverá ser próprio, mas tudo comum. E ninguém faça nada para si com exclusividade, pois tudo deve ser feito em função da comunhão de vida. A CARIDADE deve ser assim entendida, ao que prefere o que é comum ao que é próprio.” (Dos Bens do Matrimônio. pub. 1979, p. 03)”

Prefigura o matrimônio, a própria salvação, através da união, fidelidade e do sacrifício de lealdade de Cristo (ESPOSO) para com sua verdadeira Igreja (Esposa):

“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada. (Apocalipse 19, 7)

Tal como CRISTO se sacrificou pela Igreja, o cônjuge se sacrifica pelo outro, numa manifestação espontânea de Amor a Deus e ao próximo :

“Maridos, AMAI AS VOSSAS MULHERES, COMO CRISTO AMOU A IGREJA E SE ENTREGOU POR ELA; assim, os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. QUEM AMA A SUA MULHER, AMA-SE A SI MESMO. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja. (Ef 5. 25, 28 e 29)”

A inclinação à união natural genésica foi dada aos seres animados, mas o MATRIMÔNIO, por sua natureza sacramental, foi  dado  apenas  ao homem e a mulher criados a imagem e semelhança de Deus, para que povoassem terra e Céu com outros seres também à imagem e semelhança de Deus, dignificando-os em SANTIDADE e por intermédio desses filhos tornarem-se cooperadores da obra da criação.

Reproduzir outro ser a imagem e semelhança de Deus, nenhum ser bruto é capaz, senão apenas o ser humano racional e espiritual.

Ensinou Santo Tomás:

A natureza humana não visa só a geração dos filhos, mas a criação deles e a sua educação até o estado de perfeição (com Deus). (Suma Teológica, Q 41, art. 1º Suplemento)”

O sacramento Matrimonial não é apenas uma relação afetiva e natural “abençoada” por Deus, como fazem crer os cismáticos.

Há no Matrimônio algo muito além.

Todo sacramento é um sinal visível e sensível que se constitui mediante uma matéria. E a matéria DIRETA3 no sacramento do Matrimônio são os corpos do noivo e noiva, ofertados reciprocamente e eternamente a Deus.

Deus não está no Matrimônio como terceiro interessadocoadjuvante de luxo, ente secundário atuando indiretamente apenas na “benção” ao casal.

Deus é o princípio necessário, e a própria essência daquele ato.

Se Deus não estiver como fundamento não haverá Matrimônio, e para que haja o Matrimônio, mister o juramento consentido, desimpedido, livre e consciente dos noivos para eternamente (sem permissão ao divórcio) se ofertarem a Deus numa mesma carne, e assim, viverem um para o outro.

Ensina Santo Agostinho:

Deus não os criou, homem e mulher separadamente, unindo-os depois como dois estranhos. Do homem retirou-se a mulher PELA COSTELA, manifestando a força da união lado a lado, na qual fora extraída e formada a mulher.” (Dos Bens do Matrimônio, p. 04, p. Pe Agostinianos, 1979)”

O pecado contra MATRIMÔNIO, que se realiza na união sexual e afetiva que tanto pode ser duradoura  ou casual, está no ser humano EXCLUIR DEUS daquilo que DEUS  ordenou que só se REALIZASSE ATRAVÉS DELE, no caso, a união sagrada entre homem e mulher através dos laços do sacramento matrimonial. Por isso, negar-se de modo livre e espontâneo ao Matrimônio constitui PECADO MORTAL, pois consiste em negar propriamente a Deus em nossas vidas.

 


  1. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera. Marcos 10:12. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de união ilícita, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Mateus 19:9

  1. A dissolução do matrimonio é ainda pecado, posto que consiste em quebrar um juramento feito a Deus, assim como glorificado será, todo aquele que honrar o que jurou: “O rei, porém, se alegrará em Deus. Será glorificado todo o que jurar pelo seu nome, enquanto aos mendazes lhes será tapada a boca. (Salmos 62, 12) Se jurar em vão, isso não o justificará: sua casa será cheia de castigos. (Eclesiástico 23, 14)”eles já não guardam a honestidade nem na vida nem no casamento, mas um faz desaparecer o outro pelo ardil, ou o ultraja pelo adultério. (Sabedoria 14, 24)”
  2. A matéria indireta é a água do Batismo, sem o qual, nenhum outro sacramento é válido, como ensina nosso CATECISMO.
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