NA OBRA DA CONVERSÃO PARTICIPAM DIVINDADE E HUMANIDADE?

Resposta ao Livro de Calvino. Institutas. Livro II. Cap. V. p. 91ss. Se a conversão é produto conjunto de Deus e do homem.

1 –  Os calvinistas acusam a Igreja Católica de ensinar que a obra da conversão seria resultado da nossa própria vontade, emprestando Deus apenas o seu auxílio gratuito, suprindo as fraquezas dessa nossa vontade.[1]

2 – Ensinam ainda que a obra da conversão não é repartida entre Deus e o ser humano, não respaldando essa ideia, nem mesmo o que fora escrito pelo profeta: “Convertei-vos a mim e eu me converterei a vós. ” (Zacarias 1.3)

Mas em contrário, a Igreja, no Sínodo de Orange, no ano de 520, muito antes do calvinismo, já tinha proclamado herético o “pelagianismo” que é a ideia de que cabe ao ser humano o papel principal em sua própria conversão, e como verdade imutável, que a graça de Deus não é resultado da ação humana, mas a ação humana resultado da graça, e que o indivíduo não pode nada sem Deus. Além disso, o mais sábio dos teólogos e doutores já lecionara de que forma e modo, Deus é causa primeira e última de todas as coisas.[2]

SOLUÇÃO: Conversão é ato de amor, e o amor não ama sozinho, por isso, a conversão é uma relação bilateral entre o convertido e Deus. Convergir significa retornar, e quem retorna é o homem que se afastou de Deus pelo pecado. Logo, não é Deus quem se converte ao ser humano (no sentido literal da palavra), mas este que se converte a Deus. Assim, conversão é o movimento do que se afastou e retorna, tanto quanto, daquele que espera, e recebe ao que regressa, tal como um filho pródigo,[3] e por isso, são falsas as acusações acima, pelo seguinte:

1 – Conversão é um convite de Deus para o ser humano, e sem convite ninguém pode participar do banquete. Por isso, Cristo diz que felizes são os convidados para a mesa do Senhor.[4] Sem o convite não pode haver aceitação, e os que aceitam, aceitam livremente, movidos não pela ação humana, mas pela graça de Deus inserida na razão, para que esta possa ver toda luz, beleza, dignidade e felicidade em amar a Deus, tornando assim, Deus mais desejável que o pecado. A conversão é obra ativa e plena da Divindade, e reativa no ser humano. A liberdade é fruto do poder de Deus, pois o homem só é livre porque Deus assim o quer, e assim o criou. E se assim é, logicamente que ele não elimina, nem extingue o livre arbítrio,[5] mas prepara a vontade livre do indivíduo, lançando luz em sua razão, para que esta possa reconhecer a felicidade que só há em Deus, desejando-a livremente na vontade de unir-se a Ele.[6]

2 – O amor existe antes do ato de amar. Logo, Deus é causa primeira do ato de amar, porque Deus é Amor em essência, sendo o amor humano na conversão, uma resposta ao primeiro Amor em Deus. Ora, todo ato de amar ou permanecer no amor, começa e termina sempre em Deus.[7]


 

[1] “[…] estes interpretam cavilosamente os mais sutis, insistindo em que nada impede que nós próprios apliquemos nossas forças e Deus traga ajuda a nossas fracas tentativas. Adicionam, ademais, passagens dos profetas em que a operação de nossa conversão parece ser dividida meio a meio entre Deus e nós: “Convertei-vos a mim e eu me converterei a vós” [Zc 1.3]. “[… ]Que tipo de ajuda nos traga o Senhor foi demonstrado supra, tampouco aqui se faz necessário repeti-lo. Desejo ao menos que isso me seja concedido: em vão se procura em nós a capacidade de cumprir a lei pelo fato de que o Senhor no-la ordena à obediência, quando é evidente que, para se cumprir todos os preceitos de Deus, a graça do Legislador não só é necessária, mas ainda nos é prometida, pelo que daí se evidencia que, no mínimo, se exige de nós mais do que sejamos capazes de executar.

[2] CÂNONE III, Sínodo de Orange: “Se alguém disser que a graça de Deus pode ser conferida como resultado de oração humana, mas que não é a própria graça que nos faz orar a Deus, contradiz o profeta Isaías, ou o Apóstolo que diz a mesma coisa, “ Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam ” (Romanos 10:20, citando Isaías 65:1). Santo Tomás de Aquino. DA EXISTÊNCIA DE DEUS NAS COISAS. Suma Teológica. Q 8º, Livro Ia. Parte. https://permanencia.org.br/drupal/node/183  

[3] A parábola do Filho Pródigo, ensinada por Jesus, é a parábola do homem pecador (filho) que abandona o pai (Deus), mas quando se arrepende, e pede para voltar a casa paterna (céu), é recebido por toda família com uma festa. (São Lucas 15. 11-32)

[4]Não vim CHAMAR justos, mas pecadores” (Mc 2,17) “A estas palavras, disse a Jesus um dos CONVIDADOS: “Feliz daquele que se sentar à mesa no Reino de Deus! ” (São Lucas 14, 15)”

[5] “Enviou seus servos para CHAMAR OS CONVIDADOS, mas ELES NÃO QUISERAM VIR. (São Mateus 22, 3)” “Se um poderoso te chamar, retira-te, e ele será ainda mais levado a insistir. (Eclesiástico 13, 12)”

[6] “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (I São João 4. 8)

[7] “Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.” (I São João 4. 16) Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas. (Romanos 11. 36)

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