CRISTO SANTIFICOU A CRUZ COM A IMAGEM DO SEU CORPO.

 

Seria a imagem da cruz, o retrato de algo maldito pelo fato de que nela, Jesus tomou para si toda maldição que nos recaia por nossos pecados? “Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro. (Gálatas 3. 13)” Mas fosse a cruz maldita, por que Cristo nos mandaria tomá-las para só depois seguir-lhe? “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, TOME A SUA CRUZ E SIGA-ME. (São Marcos 8, 34)”

A verdade é que não existe cristianismo sem Cruz.

O nosso triunfo em Cristo nos veio do seu sofrimento, pois Ele: “[…] arregou nossos pecados EM SEU CORPO SOBRE O MADEIRO, para que mortos pelos nossos pecados, vivamos para a Justiça. POR SUAS CHAGAS FOMOS CURADOS(Is 53, 5) ” (I São Pedro 2, 24)

Através do Cristo padecente no madeiro, Deus se reconciliou com o mundo, pois nos reuniu: “[…] num só corpo PELA VIRTUDE DA CRUZ, aniquilando nela a inimizade. (Efésios 2, 16)” No reflexo da santa Cruz em nossas vidas, nas “cruzes” cotidianas que carregados, é onde o perdão e a santificação acontecem, razão porque Ele nos ordena a tomarmos nossa cruz junto da dele: “Foi em virtude desta vontade de Deus que TEMOS SIDO SANTIFICADOS uma vez para sempre, PELA OBLAÇÃO DO CORPO DE JESUS CRISTO. (Hebreus 10, 10-14)”

“Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, TOME SUA CRUZ E SIGA-SE. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras. ” (São Marcos 16. 24-27)

Lógico que não é de uma cruz literal que Jesus nos fala, a qual deveríamos insculpir e andar sobre os ombros até a hora da morte. Todavia, é nítido que Ele utiliza a sagrada imagem como símbolo da genuína fé dos remidos, na mensagem da mortificação do nosso velho homem pecador que perece com Ele no madeiro: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, FOI IMOLADO. (I Coríntios 5, 7)”

A fé cristã nada valeria sem a crucificação.

Sem sacrifício de cruz não haveria propósito no nascimento de Cristo, menos ainda na ressurreição. Cristo não partiria sem antes morrer por todos nós, pois só o seu sacrifício nos leva a esperança da salvação. Depois da crucificação já não há cruz sem Cristo, nem Cristo sem cruz porque o corpo do crucificado está eternamente representado no objeto do seu flagelo1: A LINGUAGEM DA CRUZ é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18) “[…] nós pregamos CRISTO CRUCIFICADO, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; (I Coríntios 1, 23)”

A cruz e Cristo uniram-se definitivamente numa mesma história, numa mesma verdade, num mesmo propósito, razão porque toda imagem da cruz é santa e sagrada, pois o Cordeiro de Deus a SANTIFICOU, marcando-a com seu CORPO SANTÍSSIMO, como prova visível do seu grande amor pela humanidade.

Na cruz, a Divindade fez-se vítima eterna por amor a sua criação.

[…] BENDITO O MADEIRO PELO QUAL SE OPERA A JUSTIÇA.” (Sabedoria 14. 7)

“Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, AO PREÇO DO SANGUE NA CRUZ, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus. (Colossenses 1. 19 – 21)

Se não há cruz sem Cristo, nem Cristo sem cruz, também não pode haver cristão sem cruz, que não goste ou se sinta constrangido por ela, e por isso a desrespeite, denigra, maldiga ou amaldiçoe o símbolo santo.

Toda imagem da cruz é santa.

Cristo a santificou, e o que Ele santifica está santificado ad eternum rei memoriam.

Se a primeira criação fora feita a partir da LUZ, a segunda criação, redimida e ressurreita em Cristo, fora constituída a partir da CRUZ.

Jesus ensinou que seus verdadeiros seguidores devem esperar o martírio e o sofrimento neste mundo. E para tanto, Ele usa a figura da cruz no termo “tomar sua cruz”, o que implica guardar na memória, a imagem do Cristo crucificado: “Quanto a mim, NÃO PRETENDO, JAMAIS, GLORIAR-ME, A NÃO SER NA CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. (Gálatas 6, 14)”

Na cruz, toda maldição que recaia contra a humanidade transformou-se em benção. Nela, a morte tornou-se vida; a humilhação glória; a dor verteu-se em amor e o sangue do Cordeiro transformou-se em sacrifício de misericórdia:

Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles PELA CRUZ.” (Colossenses 2, 15)”

Nela, Cristo tornou possível nossa salvação, e, portanto, todo aquele que não honra a cruz, desonra aquele que nela se deu em sacrifício. Ora, se Cristo convinha tomar a cruz para só depois ressuscitar, a nós não será dado ressuscitar sem que tenhamos morrido crucificados com Cristo: “Na realidade, pela fé, eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. ESTOU PREGADO A CRUZ DE CRISTO. (Gálatas 2. 19) ”

O cristão verdadeiro está de modo pregado à cruz de Cristo com Cristo, e essa morte não é “força de expressão”, mas realidade que os olhos não podem enxergar. Se morrer crucificado em Cristo fosse  linguagem figurada, igualmente seria a ressurreição. Crucificação e ressurreição são realidades sobrenaturais que se entrelaçam e jamais se separaram, pois fora “[…] cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam, aboliu-o definitivamente, ao ENCRAVÁ-LA NA CRUZ.” (Colossenses 2, 14); e “[…] AO PREÇO DO PRÓPRIO SANGUE NA CRUZ, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus. (Colossenses 1, 20)”

“Ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira. MAS APROUVE AO SENHOR ESMAGÁ-LO PELO SOFRIMENTO. (Isaías 53. 4-9) ”

Somos salvos na humanidade sacrificada do Cristo, porque: “[…] o castigo que nos salva pesou sobre Ele (Isaías 53.) E como Ele próprio disse: Quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo. (São Lucas 14, 27)” O ladrão morreu na cruz com Cristo, purgando NA CRUZ os seus pecados individuais pela confissão. Isso só foi possível, porque Cristo purgou o pecado universal da humanidade pelo sacrifício de morte. Mas é certo que não adiante “acreditar em Cristo” negando a sua cruz ou amaldiçoando o símbolo da sua vitória contra morte e o pecado.

A Cruz foi verdadeiro altar de Cristo, pois todas as vítimas são oferecidas em altares. Os sacrifício de cordeiros animais no Antigo Testamento eram simbólicos, assim como seus altares. O verdadeiro Cordeiro tem um verdadeiro no Altar onde fora erguida sua Cruz. Cristo quis deixar visível a imagem perpétua do seu sacrifício, sendo que o sacrifício de Jesus é oferta agradável a Deus, como prova máxima do amor à humanidade dado por seu Filho Divino: E A OBLAÇÃO DE JUDÁ E DE JERUSALÉM SERÁ AGRADÁVEL AO SENHOR, COMO NOS DIAS ANTIGOS” (Malaquias 3.4 e 5) 

A imagem da cruz sempre foi forte e poderosa entre o povo verdadeiramente escolhido, tendo Deus, no deserto, lhes ordenado para que insculpissem a imagem de uma serpente em bronze pendurada num madeiro (que era representação da cruz e da morte de Cristo, matando o pecado representado na serpente), para que todos os que fossem picados por cobras venenosas, fossem curados ao tocar-lhe: “[…] e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente, E METE-A SOBRE UM POSTE. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”. (Números 21, 8)  COMO MOISÉS LEVANTOU A SERPENTE NO DESERTO, ASSIM COMO DEVE SER LEVANTADO O FILHO DO HOMEM, (São João 3, 14)”Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, E FIXOU-A SOBRE UM POSTE. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. (Números 21, 9)”

Também é figura da cruz, o cordeiro pascal, devorado antes da fuga do Egito, cujo sangue fora untado sobre o madeiro das portas das casas dos israelitas: O animal será sem defeito, macho, de um ano; podereis tomar tanto um cordeiro como um cabrito. E o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; então toda a assembleia de Israel o imolará no crepúsculo. Tomarão do seu sangue E O PORÃO SOBRE AS DUAS OMBREIRAS E SOBRE A MOLDURA DA PORTA  das casas em que o comerem.” (Êxodo 12. 3-7)

Cristo se fez maldito por nós na cruz para que, por seu sacrifício, pudéssemos ser abençoados: “Cristo remiu-nos da maldição da Lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21,23). ASSIM A BENÇÃO DE ABRAÃO SE ESTENDE AOS GENTIOS, em Cristo Jesus, e pela fé recebemos o Espírito prometido.” (Gálatas 3. 14 e 15)  

Todo aquele que se constrange com a imagem de Cristo pregado na Cruz, não é merecedor da benção e da misericórdia que nos provém dela, como o que a maldiz, e não a toma, não se faz digno do sacrifício que o Cordeiro fez por ele.

Os que não suportam a imagem da cruz em seus olhos, de igual modo não a suportação em suas vidas.

Negar e maldizer a cruz é negar e maldizer o sacrifício que nos salva.

Apenas a santa Cruz está de tal modo investida da identidade pessoal de Cristo, que é o único memorial VISÍVEL capaz de expressar o sacrifício que nos salva, sem precisar da palavras. O diabo é inimigo da santa Cruz, porque só ele vê nela a sua derrota e sua condenação eterna, e, portanto, toda inimizade à Cruz é afinidade com o diabo.

ICONOCLASMO: DESONRANDO DEUS NOS SINAIS VISÍVEIS POR ELE DEIXADOS.

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