O SER HUMANO SÓ PODE AMAR A DEUS POR MEIO DA OBEDIÊNCIA.

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Sendo certo que a pregação desperta a fé,1 e a fé legítima apenas se exerce numa realidade concreta em razão da PALAVRA VIVA2 que  é CRISTO,3 conclui-se que a finalidade do ouvir é obedecer, e todo aquele que se dispõe a ouvir, deve estar disposto também a obedecer.

O objeto da fé é mover o intelecto, a vontade e a ação humana à vontade perfeita de Deus.

“OBEDEÇAMOS à sua gloriosa VONTADE. Convertamo-nos à sua piedade, abandonando a vaidade, discórdia e a inveja que levam para morte. O Pai misericordioso tem o coração voltado para os que o temem e, com doçura e suavidade oferece suas Graças aos que DELE SE APROXIMAM. ” (São Clemente Romano, item 9 e 23, p. 22 e 29, Carta aos Tessalonicenses, nos anos de seu Papado, 88 até 97 DC)

O ato de crer não é um fim em si mesmo, mas um meio que nos conduz até Deus:

“O COMEÇO É A FÉ, E O FIM É O AMOR. Os dois juntos são de Deus, e tudo o mais, que se refere à perfeição e santidade, os seguem.” (Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Efésios, item 14 p. 55, anos 90 DC)

Neste compasso, também ensinou o apóstolo primaz, São Pedro:

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai a vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. ” (II São Pedro 1.1-7)

A fé é dom do Espírito Santo,4 sob a qual o ser humano deve estar submisso por completo, não apenas pelo intelecto, mas principalmente pela vontade prática. Em contrapartida, a infidelidade é o pecado que se opõe à fé, como ensinou o mártir Santo Inácio de Antioquia:

A FÉ NÃO PODE REALIZAR AS COISAS DA INFIDELIDADE, NEM A INFIDELIDADE AS COISAS DA FÉVossa fé é o vosso guindaste que os eleva até Deus. É melhor calar e ser, do que falar e não ser. ” (Epístola aos Efésios, item 7, p. 2)

A infidelidade está naquele, cuja fé se faz presente em seu intelecto, mas por debilidade em receber a Graça santificante, esta fé inacabada, não alcança mover a vontade para se tornar prática.

O infiel possui a consciência do que é certo, reto e justo aos olhos de Deus, mas não detém a Graça eficiente para que sua fé molde e move sua vontade, naquilo que é a vontade de Deus.

Um indivíduo pode ter fé em Cristo, e assim, ciência de que desonestidade é pecado.

Mas se não houver em sua fé, o movimento em direção à vontade prática, não terá ele capacidade de não se deixar envolver pelos laços da indecorosidade, de nada servindo assim, essa sua fé viciosa, deficiente e inacabada.

A obediência, que é virtude da Graça, é necessária para que toda fé passe da POTÊNCIA para o ATO.

Não há salvação para uma fé que conflita com a obediência, pois “[…] sois ESCRAVOS daquele a quem OBEDECEIS, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? (Romanos 6, 16)”

“Estamos prontos também para CASTIGAR todos os DESOBEDIENTES, (II Coríntios 10, 6)” “Em OBEDIÊNCIA à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero.” (I São Pedro 1, 22)

“OBEDECE, pois, à sua voz e guarda os seus MANDAMENTOS e suas LEIS que hoje te prescrevo.” (Deuteronômio 27, 10) “Aquele que é FIEL nas coisas pequenas será também FIEL nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.”  (São Lucas 16, 10)

“Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera—não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como CUMPRIDOR FIEL do preceito , este será feliz no seu proceder.”  (São Tiago 1, 25)

Noutro sentido, temos também a infidelidade enquanto incredulidade, como ensinou Santo Tomás de Aquino:

A infidelidade pode ser considerada como a pura negação (da verdade), chamando-se neste caso, infiel, uma pessoa, pelo fato de não ter fé ou ter (crença) contrária a fé.”  (Suma Teológica. Q 10, art. 1. Da Infidelidade em Comum)

A incredulidade nasce da soberba daquele que, após ter recebido a pregação da Santa Igreja, entende por “bem” desprezá-la, não aceitando se submeter cotidianamente às regras e preceitos da fé, por não acreditar na Sã Doutrina. A infidelidade, sob a espécie de incredulidade, é um pecado intelectual, ao passo que sob a espécie da desobediência tem sua origem na disposição da vontade.

Foi pela obediência e credulidade, que o jovem mártir, Santo Inácio de Antioquia, aceitou voluntariamente o martírio para não ter que renunciar a fé em Cristo:

“Duas coisas estão diante de nós: a morte e a vida. E como se tratasse de duas moedas, a de Deus e a do mundo, cada uma delas é cunhada com a sua marca; os infiéis trazem a marca deste mundo, os fiéis trazem no amor a marca de Deus Pai, gravada por Jesus Cristo. Se não estamos dispostos a morrer por ele, para participar de sua paixão, a vida dele não está em nós.”  (Epístola aos Magnésios, Itens 2 a 5, p. 55)


1 Romanos 10, 17

2 Levar a Palavra não significa apenas a Bíblia, em prosa e verso, mas a própria essência materializada de Cristo que dela se extraí. “Porventura foi dentre vós que saiu a palavra de Deus? Ou veio ela tão-somente para vós? (I Coríntios 14, 36)

3 I Coríntios 14, 36

4 O sentido de fé aqui empregado é a disposição potencial de todo ser humano em buscar Deus, buscar o transcendente e a Verdade Suprema: “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Efésios 2.4)

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