A CARIDADE DEVE FAZER PARTE DA POLÍTICA DE GOVERNO?

1 – Parece que nenhum governante precisa da caridade para ser um bom gestor e fazer o Bem a seu povo, pois para ser um bom líder basta cumprir a Constituição de seu país, gerando empregos, saúde, habitação, segurança, dignidade cívica e moral ao seu povo.

2 – No mais, não se deixar corromper, moral ou financeiramente, já seria suficiente para que nada faltasse aqueles que necessitam.

3 – Ademais, caridade é virtude cristã, mas o Estado deve ser laico, não se fundando em princípio de nenhum credo, senão, apenas na vontade popular que deve ser soberana em guiar os destinos da nação.

Mas em contrário, sempre ensinou a Igreja, que a caridade é o cumprimento perfeito de todas as leis, inclusive da lei estatal.[1]

SOLUÇÃO: Quem cuida do próximo por amá-lo, cuida melhor que aquele que cuida por obrigação ou apenas para obter algum ganho numa barganha. Toda barganha é promíscua, posto ser filha da ganância e do egoísmo, os quais se opõem a caridade, assim como toda obrigação no desamor é como um cadáver, que só existe na forma, mas em seu interior é carente de vida e verdade, de onde vem respostas as questões supra.

1 –  O governante que cumpre a Constituição dando saúde, emprego, educação, habitação, segurança, dignidade cívica e moral ao seu povo, faz bem. Mas o que oferta tudo isso por meio da caridade faz melhor, pois o encanto do homem está em sua caridade.[2] Quem dá a César o que é de Cesar faz bem. Mas o que dá Deus o que é de Deus faz melhor, como ensinou um santo.[3] O líder que cumpre a lei humana, dando dignidade de vida ao povo, o faz só para se manter no poder. Mas o que as cumpre tendo por fim o amor ao próximo, se eleva à Cristo, levando consigo toda nação.[4]

2 – Nenhum líder dissociado de Deus, e da verdade em Deus, é capaz de não se corromper, e assim praticar o amor ao próximo desinteressado. A incorrupção está além da capacidade humana natural. Se a corrupção lesa, e cria gravíssimas injustiças, só o amor ao próximo irá nos manter íntegros, e esse amor é dom de Deus. A história do estado laico é a história da decepção, pois mostra o ser humano em sua imperfeição, naquilo que se tornou após pecar contra as Leis Divinas, e a busca por um líder moralmente íntegro será sempre uma expectativa, nunca realidade. Se a corrupção lesa, é na caridade que se pode opor à corrupção que dilacera e mata o próximo. Nunca espere de quem não tem caridade que ele não usurpe o dinheiro público que vai saciar a fome do que ficou privado de renda, e nem que não surrupie o dinheiro dos impostos que seria para o remédio do que ficou doente e morrerá se não medicado. Isso está acima da moral e da ética exclusivamente humana, pois é puro dom de Deus.

3 – A vontade popular não discerne o Bem do mal, apenas aquilo que culturalmente lhe convém e interessa, dentro de um certo momento na história,[5] e torná-la absoluta e soberana, ou seja, colocando-a acima de todas as coisas, é a razão da deterioração social. Existe uma regra da verdadeira Igreja, que está no coração de todo indivíduo, e, assim, no povo que é a coletividade dos indivíduos, a qual leciona a “não fazer com o próximo aquilo que não seria bom que ele fizesse conosco.” Essa é a LEI PERFEITA DA CARIDADE, a qual não é publicada em diários oficiais, nem lavrada por legisladores terrenos, posto que inscrita no coração de cada homem e mulher.[6] Ela não se cumpre por obrigação, mas pela sublime felicidade de amar ao próximo vendo nele a imagem de Deus. O cumpridor da lei instituída pelo Estado, o faz apenas para não se tornar transgressor. Porém, o que pratica a Lei da Caridade, o faz para se elevar diante de Deus. O estado laico, lamentavelmente, possuem muitíssimas leis, mas pouquíssima caridade.


[1] “[…] a caridade é o pleno cumprimento da lei. (Romanos 13, 10)” CARTA ENCÍCLICA – DEUS CARITAS ETS. Papa Bento XVI. http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est.html

[2] “O encanto de um homem é a sua caridade: mais vale o pobre que o mentiroso. (Provérbios 19, 22)”

[3] São Francisco de Assis, in ADMOESTAÇÃO. Cap. 4 Do Cargo e do Prelado, citando JESUS em São Mateus 22, 21.

[4] “Não deixa o ímpio viver, mas faz justiça aos oprimidos. 7.Não tira seus olhos do justo e os faz assentar no trono com os reis, numa glória eterna. 8.Se forem presos em grilhões e atados com os laços da pobreza, 9.ele lhes fará conhecer as suas obras e as faltas que cometeram por orgulho. 10.Abre-lhes os ouvidos para corrigi-los e diz-lhes que renunciem à iniquidade. 11.Se escutarem e obedecerem, terminarão seus dias na felicidade e seus anos em delícias. Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento. 21.Guarda-te de declinar para a iniquidade, e de preferir a injustiça ao sofrimento. 22.Vê, Deus é sublime em seu poder! Que senhor lhe é comparável? 23.Quem lhe fixou seus caminhos? Quem pode dizer-lhe: ‘Fizeste mal?’. 24.Antes lembra-te de glorificar sua obra, que a humanidade celebra em seus cânticos. 25.Todos os homens a contemplam, mas cada um a considera de longe. 26.Deus é grande demais para que o possamos conhecer; o número de seus anos é incalculável. 30.Espalha à sua volta sua luz e encobre as profundezas do mar. 31.É POR ESSE MEIO QUE GOVERNA OS POVOS, E FORNECE-LHES ALIMENTO.” (Jó 36)

[5] A vontade popular, sendo soberana, pode dizer que o aborto é um bem e luta contra o aborto um mal; e que a corrupção deve ser tolerada se a maioria for corrupta; e que adultério, incesto, poligamia são hábitos toleráveis, e o genocídio e o racismo não são errados, dependendo do grupo que é vitima, pois o certo ou errado é apenas uma construção intelectual e cultural daquilo que a maioria aceita ou reprova.

[6] O objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência,” (Rom. 2, 15)

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