A BELEZA DO CORPO E DA ALMA.

Quem ama uma mulher pelo que ela é, e não pela forma que ela tem, a amará eternamente.

A beleza visual é temporária, mas a beleza do caráter virtuoso permanece.

Quem ama uma mulher, ama a nobreza da sua história de vida, e não sua mera aparência.

A busca pela exposição do corpo através da sexualização da própria imagem corrompe e vulgariza a beleza, impedindo o verdadeiro amor de florescer. Mergulhássemos na nossa alma, feita imagem de Deus, veríamos uma beleza com tamanha grandeza, que o exibicionismo do corpo físico por mais belo que fosse nos vergonharia.

A beleza verdadeira não é captada pelo olhar.

O belo que olhamos é apenas temporário, e finda muito cedo porque se definha à medida em que envelhecemos. Quem vê a beleza apenas restrita à imagem, “ama” apenas ao que é “imagem,” e não a essência, sendo que esse amor desaparecerá com o desaparecimento da imagem. Logicamente, não podemos chamar isso de amor, mas de simples encantamento, paixão ou pulsão física porque diferente destes, o autentico amor não é produzido nos olhares, mas na vivência digna em Deus, e por Deus, porque se o ser humano só pode amar por meio de Deus, então esse amor é eterno porque Deus que é eterno, é amor.

A beleza real não míngua com o passar dos anos, mas ao contrário, aumenta porque não está na forma do corpo, mas na pureza da alma e na superioridade do intelecto.

Diferente da corporeidade formosa que se vai com o tempo, a nobreza e a virtude das atitudes imprimem em nossa história de vida marcas permanentes.

A ilusão sedutora das imagens erotizadas tende a ofuscar a realidade das atitudes belas e nobres.

A beleza física em si mesma é algo totalmente vazio e desperdiçado se não nos chamar a atenção para uma beleza maior que está além do corpo, nas hospedada na transcendência da alma imortal. Os que amam por causa da imagem viciaram-se num “amor desordenado” que consiste apenas “ver e consumir visualmente” naquilo que satisfaz aos instintos e emoções mais baixas e primitivas.

Cristo expôs o seu corpo seminu de maneira santa em sacrifício de vida, para dar a salvação aqueles que morriam pelo pecado do corpo.

A vergonha que causaram a Cristo ao exibi-lo quase nu, é uma das tantas provas de amor que Ele suportou para nos salvar.

Cristo foi despido e humilhado publicamente para provar seu amor por sua esposa, a Igreja. Se a exposição do corpo seminu de Jesus na cruz é prova do amor santo, também é prova do santo amor a exposição do corpo da esposa para o esposo, e assim reciprocamente.

O prazer sensível só é santo se cumpre o propósito e o papel a ele determinado na vontade Divina.

A alta exposição do corpo esvazia o ser humano da essência que há em si próprio, transformando-o num pedaço de carne disponível ao consumo barato.

Os que renunciam ao prazer de ver ou serem vistos, e tornaram-se castos, atingiram um nível de santidade superior.

A gula pelo corpo da mulher está enraizada numa sociedade doentia que defende o sexo como única fonte da felicidade, e por isso, busca-se apenas o sexo, e o sexo sem limite ou ordem.

Vivemos numa sociedade com compulsão sexual.

Onde está a beleza da mulher no meio de tanta loucura?

O corpo é o instrumento pelo qual a beleza que existe na alma deve ser exposta.

Uma beleza que não mata, mas edifica.

Não acaba, mas permanece.

Já as formas se deformam com o tempo.

A exposição erotizada da imagem do corpo induz e instiga o pecado alheio, ofendendo ao mandamento de amar ao próximo ao menosprezar a salvação deste. Ofende ainda ao primeiro mandamento de Amar a Deus, pois utiliza como instrumento para o pecado um corpo semelhante ao que o próprio Deus tomou e dignificou na cruz, justamente para vencer o pecado.1

O assassinato cometido por Davi contra o seu soldado, nasceu quando Betsabé expôs despudoradamente seu corpo nu à cobiça do rei.2 Nisso temos o pecado do escândalo,3 que é quando se tem um certo comportamento que coloca o outro em situação que possa vir a pecar, enfraquecendo sua fé ou rompendo sua resistência ao mal.

O hábito de vestir ou desnudar é o que dá testemunha aquilo que respeitamos ou não respeitamos.

Dificilmente você veria um juiz realizar um julgamento de pijamas, porque honra sua missão e respeita o réu que por ele será julgado.

A humanidade corrompida deseja a beleza do corpo para consumi-la como carne exposta numa vitrine de açougue, até levá-la a destruição, quando então, será descartada. O mal deseja a beleza para usufruir dela humilhando e corrompendo, como se dá com na relação da prostituta com seu cliente.

A beleza foi feita para ser honrada e conservada, como Cristo honrou e conservou seu próprio corpo humano por meio do sacrifício que leva à ressurreição.

 


*Texto em memória da mártir Santa Águeda (ano 254 ), Santa Teresinha do Menino Jesus (1.873), Santa Rosa de Lima (1.586) e Santa Bernadete (1.844). Que as virgens santas roguem a Cristo por nossos filhos.

1“Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso…” (Fl 3,20).

2″Uma tarde, Davi, levantando-se da cama, passeava pelo terraço de seu palácio. Do alto do terraço avistou uma mulher que se banhava e que era muito formosa.* (II Samuel 11, 2)”

3 Catecismo §2284 – O escândalo é a atitude ou o comportamento que leva outrem a praticar o mal. Aquele que escandaliza torna-se o tentador do próximo. Atenta contra a virtude e a retidão; pode arrastar seu irmão à morte espiritual. O escândalo constitui uma falta grave se, por ação ou omissão, conduzir deliberadamente o outro a uma falta grave.

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