MARIA, A RAINHA DO CÉU TESTEMUNHADA NAS ESCRITURAS.

A Escritura, lavrada por inspiração do Espírito Santo, possui sentido não apenas literal. Existe no compêndio dos Livros Canônicos traços importantíssimos da Revelação Divina, os quais permaneceram ocultos por figuras até que fossem desvendados pelo Magistério Infalível da Igreja.

Ensinou Orígenes:  “As coisas que foram escritas, de fato, são formas de certos mistérios e imagens das Coisas Divinas. A este respeito, há uma só sentença em toda a Igreja, que toda a lei é espiritual, e que as coisas que a lei espiritualiza não são conhecidas por todos, mas apenas por aqueles aos quais a Graça do Espírito Santo é concedida na palavra de sabedoria e de ciência.” (De Principiis, II Parte, cap. IV, anos 185-254)

Sobre a Autoridade da única Igreja para elucidar a palavra de sabedoria e ciência da revelação, esclarece São Paulo: “[…] saibas como deves te portar na casa de Deus, que é a IGREJA de Deus vivo, COLUNA E SUSTENTÁCULO DA VERDADE.” (I Timóteo 3, 15)

Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes PODEM CONHECER, PELA IGREJA, A INFINITA DIVERSIDADE DA SABEDORIA DIVINA” (Efésios 3, 10)

“Porque A LETRA MATA, mas o Espírito vivifica.” (I Coríntios 6, 3)

“[…] pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as COISAS ESPIRITUAIS EM TERMOS ESPIRITUAIS.” (I Coríntios 2. 13)

Toda e qualquer Autoridade em relação aos enigmas da fé cristã, vincula-se apenas ao Poder das Chaves conferido por CRISTO a sua Esposa Mística, que é a Igreja Apostólica, representada pelo Apóstolo São Pedro. (São Mateus 16.19) Entende-se Poder das Chaves, a capacidade de abrir, revelar as verdades fideístas que estão aprisionadas, restritas e ocultadas, e com essa liberação da Santíssima Revelação ligar o Céu e a terra. Logo, a incapacidade de ler e discernir as Escrituras sem a interpretação infalível da Igreja, tem levado muitos a negativa de importantíssimos artigos da fé. Um desses artigos, negados por aqueles que não detém a Infalibilidade das Chaves na Interpretação das Escrituras, é o Título Sacerdotal de RAINHA DO CÉU dado à Virgem Maria.

Se algo não se encontra nas Escrituras de modo literal e expresso, com certeza lá estará em modo figurativo. A linguagem da figuração se mostra mais eficiente que a linguagem do sinal da letra. A letra convence, mas a figura convence e mostra. E para entender a mensagem figurada, como ensinado pela Igreja, devemos utilizar dois métodos interpretativos, quais sejam: Anagogia e Analogia.

Tem-se a anagogia, como a interpretação do sentido místico das figuras, o qual transcende ao mero sentido do sinal gráfico, para apontar o sentido espiritual daquelas figuras, dentro do plano salvífico. Já analogia é a interpretação da mensagem figurada pela comparação dos elementos essenciais (analogia entes) entre a figura e a realidade a qual essa figura antecipou. Neste sentido, há nas Escrituras a FIGURA SACERDOTAL DA RAINHA DO CÉU, Divinamente Instituída, cuja missão era ser a PRIMEIRA INTERCESSORA de suma confiança, MAIS PRÓXIMA DO REI.1 Essa figura, que representaria no futuro O PAPEL DA VIRGEM MARIA, tanto na terra quanto no Céu, iniciou-se por Betsabé, mãe do rei Salomão, a qual fora dada a Insígnia de RAINHA MÃE. (1 Reis 14:21; 15:2,13; 22:42; 2 Reis 8:26, 1 Reis 15:13).

Sabe-se que o Título de Rei de Israel, sucessor do trono de Davi, em Salomão era figura de Cristo:

O Senhor fez a Davi um juramento: Colocarei EM TEU TRONO um descendente de tua raça. (Salmo 131)

Assim também, a Jerusalém terrena figurou a Jerusalém Celestial:

Eu vi DESCER DO CÉU, de junto de Deus, a Cidade Santa, a NOVA JERUSALÉM, como uma esposa ornada para o esposo. (Apocalipse 21, 2).

Mas todo Rei e todo reino possui uma RAINHA. Todavia, em razão da POLIGAMIA dos reis de Israel, com milhares de esposas, a Coroa fora destinada as mães dos monarcas. Neste sentido diriam as Escrituras sobre a Rainha Mãe:

“Pede ao rei Salomão, que nada te recusa, que me dê Abisag, a sunamita, por mulher. Está bem, respondeu Betsabé, falarei por ti ao rei. Betsabé foi, pois, ter com o rei para FALAR-LHE EM FAVOR DE ADONIAS. O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. MANDOU COLOCAR UM TRONO PARA A SUA MÃE, E ELA SENTOU-SE À SUA DIREITA.” (1 Reis 2, 17 à 19)

Os profetas também prenunciaram a Rainha do Céu:

“Filhas de reis formam vosso cortejo; POSTA-SE À VOSSA DIREITA A RAINHA, ORNADA DE OURO DE OFIR.”2 (SALMOS 44, 10)

Filhas de reis estão entre suas damas de honra: À TUA DIREITA ESTÁ A RAINHA em ouro de Ofir. Mesmo os povos mais ricos IMPLORARÃO TEUS FAVORES. FAREI TEU NOME SER LEMBRADO EM TODAS AS GERAÇÕES: portanto os povos TE LOUVARÃO para todo o sempre. Seu nome será LEMBRADO EM TODAS AS GERAÇÕES.” (Salmo 44. 9, 12 e 17)

Para não restar dúvida que a pessoa da rainha referia-se à Virgem Maria, é dito que todos os povos a louvariam, e seu nome seria lembrado por todas as gerações:

Disse Maria: Minha alma engrandece ao Senhor, pois considerou a HUMILHAÇÃO DE SUA SERVA! Pois, DORAVANTE, TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO ABENÇOADA.(São Lucas 1.48)

Denotamos assim, que uma característica da Rainha no Salmo 44, 10, é ser conhecida por TODAS AS GERAÇÕES, assim como é a característica dada pelo Espírito Santo a Santíssima Virgem. Também Isaías profetizara: “E tu serás uma esplêndida coroa na mão do Senhor, um  Diadema Real  entre as mãos do teu Deus” (Isaías 62,3)

O sinal do Diadema restou profetizado no Livro de Ester, lembrando que a rainha Ester fora uma das prefigurações da Santíssima como rainha de Israel: “Amou a mais que todas as outras mulheres, e ganhou ela as graças e o favor mais que todas as demais jovens. Tanto que o Rei COLOCOU SOBRE SUA CABEÇA O DIADEMA REAL E A FEZ RAINHA.” (Ester 2, 17)

Uma figura da Virgem Maria nas Escrituras, é a própria cidade de Jerusalém, pois tanto a cidade, quanto Maria, abrigaram o Salvador em seu meio, razão porque, restou profetizado:

CANTA ALEGREMENTE, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija- te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. O Senhor afastou os teus juízos, exterminou o teu inimigo; O SENHOR, O REI DE ISRAEL, ESTÁ NO MEIO DE TI; TU NÃO VERÁS MAL ALGUM.” (Sofonias 3, 14 e 15)

E como numa resposta de Maria ao profeta Sofonias, restou dito por ela:

Minha alma glorifica ao Senhor, MEU ESPÍRITO EXULTA DE ALEGRIA EM DEUS, meu Salvador, (São Lucas 1. 46 e 47)

E por essa razão, ao responder ao pedido da mãe dos apóstolos São João e São Tiago, Cristo disse-lhe: “[…] aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, UM À TUA DIREITA e outro à tua esquerda. Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Quanto porém, ao SENTAR A MINHA DIREITA ou a minha esquerda, isto não depende de mim conceder. ESSES LUGARES CABEM ÀQUELES AOS QUAIS MEU PAI JÁ RESERVOU. ” (São Mateus 20. 20 à 23)

Explicou Jesus que os assentou ao seu lado, tanto esquerdo, quanto direito, já haviam sido destinados. À esquerda de Cristo é o lugar do DEUS PAI, vez que Cristo sentar-se-á à sua direita.” (Colossenses 3.1) À direita de Cristo, o Rei celestial, pertence a sua rainha: 

POSTA-SE À VOSSA DIREITA A RAINHA, ORNADA DE OURO DE OFIR.” (Salmo 44, 10)

Conceder o Título de Rainha do Céu à Santíssima Virgem, convinha a Cristo para testemunhá-lo como REI CELESTIAL, REI DE ISRAEL ETERNO. A rainha, por óbvio, não tem os poderes do rei, apenas a prerrogativa de interceder junto a ele, representado os seus súditos.

Apesar da clareza do Magistério da Igreja, os inimigos da mulher e da Criança, (Apocalipse 12.15) insistem em denegri-la, tentando tirar-lhe o Título de Rainha Celestial que o próprio Deus lhe conferiu. Argumentam na linha do “precedente pagão” que a rainha do céu é um ídolo do paganismo primitivo. Invocam a citação do Livro de Jeremias, onde se diz: “Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do SENHOR, não obedeceremos a ti; mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, queimando incenso à “rainha dos céus,” e oferecendo-lhe libações.” (Jeremias 7. 17 e 18)

Ora, Jeremias adverte contra uma FALSIFICAÇÃO.

Mas nenhuma falsificação poderá extinguir o modelo real. É comum o inimigo das nossas almas tentar confundir os artigos da fé, pervertendo-os. Deus muitas vezes permite essas fraudes para provar nossa fé na Igreja e na Revelação.  O fato de ter existindo uma divindade pagã apelidada de “rainha do céu” não quer dizer que Deus não tenha instituído a Verdadeira Rainha.

A mentira surge para tentar destruir a verdade.

Todos sabemos, por exemplo, que o Título de REI DOS REIS pertence ao NOSSO SENHOR.  Todavia, o rei Nabucodonosor usurpou esse título: “Eis o sonho. Agora vamos dar ao rei a interpretação.  Senhor: tu que és o “rei dos reis”, a quem o Deus dos céus deu realeza, poder, força e glória” (Daniel 2.36 e 37)

Não por acaso, a Rainha, que será a Rainha de Israel Celestial, representado pela Coroa de Doze estrelas, figura das doze tribos que formaram o povo hebreu, fora profetizada como um sinal do Messias, tanto no Antigo, quanto no Novo testamento:

Por isso, o próprio Senhor VOS DARÁ UM SINAL: UMA VIRGEM conceberá e dará a luz a um Filho, e o chamará DEUS CONOSCO.” (Isaías 7, 14)

Apareceu em seguida, um GRANDE SINAL NO CÉU. UMA MULHER VESTIDA DE SOL, tendo a lua debaixo dos seus pés, E NA CABEÇA UMA COROA DE DOZE ESTRELAS.” (Apocalipse 12.1) 

As DOZE ESTRELAS da Coroa da Rainha são figuras das DOZE TRIBOS DE ISRAEL fundamento para a formação do povo e do Estado abrâmico, sendo ainda, figura  da IGREJA edificada por Cristo sobre os DOZE APÓSTOLOS. (Efésios 2. 19 e 20)

A falsificação do Título de Rainha do Céu, no meio pagão, não impede o reconhecimento desse Glorioso Título a quem verdadeira  legitimamente fora conferido.  Sendo CRISTO, o REI DOS REIS, sua Mãe Santíssima é a Rainha do Teu Reino, nossa Mãe, Mãe de toda humanidade regenerada através de seu Divino Filho.


1  O episódio das Bodas de Caná, onde Maria não apenas intercede para Cristo abençoar o matrimônio, fazendo multiplicar o vinho que iria falta aos convidados, como também, antecipou aos serventes da festa que Ele assim agiria. (São João 2. 1-11)

2  Ofir é o nome de uma descendente de Sem, este, filho de Noé, e que habitou numa região muito rica em ouro. Bright, John. (2000). A History of Israel. (4th ed.)

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial