A ANUNCIAÇÃO TAMBÉM REVELOU QUE MARIA NÃO TINHA PECADO?

1 – Parece que a saudação do anjo Gabriel a Maria, não revelou nada além do nascimento de Cristo por meio da virgem.[1]

2 – No mais, a saudação angelical dada a Maria foi um cumprimento comum, pois muitos dos profetas, mártires, santos e patriarcas foram CHEIO DE GRAÇA.

3 – Por fim, a graça que Deus nos dá não faz distinção, nem acepção de pessoas, razão pela qual todos nós a recebemos igualmente.

Mas em contrário, somente após receber a anunciação e as saudações do anjo, é que Maria proclamou publicamente: “O SENHOR FEZ MARAVILHAS EM MIM.

SOLUÇÃO: De todos os heróis que receberam a fé e as graças Divinas, apenas Maria ousou dizer: “O Senhor fez maravilhas EM MIM,” no que se nota da afirmação feita pelo Espírito Santo, pelos lábios da virgem,[2] que as maravilhas e os tesouros da graça foram realizados em seu ser, tornando-os de sua propriedade. Ora, ser mãe de Deus, conceber de modo virginal e pela união plena com o Espírito Santo são bens próprios e pessoais apenas de Maria, assim como ter sido tornada sem pecado, desde o momento em que sua alma se uniu à sua carne na concepção, no que se responde as questões acima.

1 – A saudação do anjo Gabriel a Maria revelou muitas maravilhas, sendo a maior e mais importante de todas o nascimento do salvador, Jesus, o Deus feito homem no corpo da virgem. Mas uma graça tão extraordinária tem por efeito outras graças acessórias, também especiais, em favor daquela que geraria em seu ventre o próprio Deus. Por isso, se registrou a palavra grega “kekaritomene” para significar a expressão angelical “CHEIA DE GRAÇA”. Ora, tal palavra significa estado extraordinária de santidade de quem não tem pecado por estar plenamente preenchido da graça de Deus, desde o momento de sua existência, e daí para sempre.[3]  Tal expressão só foi usada na Escritura uma única vez para se referir a um ser mortal, justamente para mencionar o estado excepcional de santidade em Maria, para que então, se cumprisse o que fora profetizado por Jeremias: “De longe me aparecia o Senhor: “Amo-te com eterno amor, e por isso A TU ESTENDI O MEU FAVOR. Eu te RECONSTRUIREI, E SERÁS RESTAURADA, Ó VIRGEM DE ISRAEL! ” (Jeremias 31. 3 e 4)

2 – Não saudar uma pessoa pelo nome, mas por um título, é sinal de grande reverência e respeito, como fez o ser angélico chamado a virgem não por seu nome, Maria, mas por “CHEIA DE GRAÇA. ” Maria não entendeu a saudação: “Entrando, o anjo disse-lhe: “SALVE, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação.”[4] Isto  prova que não era uma saudação comum, pois a saudação do anjo, salve, é escrita na palavra grega “CAIRE”  que equivale a “AVE” no latim, uma forma de tratamento dado só aos nobres, reis, rainhas e pessoas com dignidade superior, sendo que o próprio Jesus fora saudado com esse termo, como lemos na Escritura.[5] 

3 – Como quem está mais próximo da luz recebe maior iluminação, aquele que está mais próximo da santidade, pureza e graça as recebe mais. Os mais próximos de Deus são sempre os mais santos,[6] como os anjos do céu em relação ao homem terreno. Nenhuma criatura foi mais próxima de Deus que Maria, pois Cristo fora concebido em sua carne, morou em seu ventre e participou do seu sangue. Logo, ninguém foi mais santo, puro e mais agraciado que a Virgem, pois a Pessoa do Cristo lhe foi unida e extraordinariamente infusa em seu ser, razão porque estar próximo de Maria é estar mais próximo possível de Cristo, e o desprezo a Maria é o desprezo ao Cristo, como nos ensina a Igreja: “Que Maria sempre enfeite sua alma com as flores e o perfume de novas virtudes e coloque a mão materna sobre sua cabeça. Fique sempre e cada vez mais perto de nossa Mãe celeste, pois ela é o mar que deve ser atravessado para se atingir as praias do esplendor eterno no reino do amanhecer. ” (São Pio de Pietrelcina)”

Deus não faz acepção de pessoas, pois ele não nega suas graças a uns, e as concede a outros, mas as dá a todos, indistintamente. Todavia, é certo que os tesouros e a recompensa da graça, Ele mede, e concede segundo a abundância dos frutos gerados da condição pessoal em que cada um que recebeu gratuitamente a semente da santidade, e a plantou.[7]


[1] “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: “Salve, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação. O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,” (São Lucas 1.  26-32)

[2] “Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! ” E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade para sempre”. (São Lucas 1. 39-56 – Oração Magnificat)

[3] Kekaritomene é palavra composta (hibridismo), que possui núcleo verbal ou radical (CHARITÓ); prefixo (KE) e sufixo (MENE), sendo assim formada: KE + CHARITÓ + MENH = KEKARITOMENHO radical  da frase (charitós) que significa GRAÇA INTENSA e SUPERABUNDANTE, sendo o termo utilizado para expressar a Graça da nossa salvação que está em Cristo: “Para louvor e glória de SUA GRAÇA, com a qual ELE nos agraciou no amado. ” (Efésios 1.6) No grego, temos: “eiV epainon doxhV thV CARITOV autou en h ecaritwsen hmaV en tw hgaphmenw” (Efésios 1. 6) O prefixo “KE” conduz o tempo do verbo para o particípio pretérito (ido/ado) indicando que a ação de agraciar a Virgem já tinha sido completada no passado mais remoto, ou seja, desde sua origem, sendo a origem de todo ser a concepção: (agraciar/ agraciada). Por fim, o sufixo “MENH” indica que aquela que fora agraciada no passado, assim continuaria permanentemente. Se o prefixo “KE”  retrocedeu a graça mariana até sua origem, o sufico “MENH”  proclama sua conservação e permanência definitiva, num futuro inalterável.

[4] Lc 1. 29.

[5] O subalterno que se encontra com um superior, o revência desejando alegria e saúde. Assim eram cumprimentados os sacerdotes, reis, príncipes e imperadores. Ave, salve são equivale a desejar alegria e saúde. Nenhum anjo jamais saudou um ser humano desta forma: “Salve, cheia de graça, o Senhor é contigo.” (Lc 1. 28) No grego temos: “kai eiselqwn o aggeloV proV authn eipen CAIRE kecaritwmenh o kurioV meta sou euloghmenh su en gunaixin”. Essa mesma forma de saudação era dada aos reis de Israel, conforme Mateus 26. 49: “Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: “SALVE, Mestre”. E beijou-o.” No grego temos: “kai euqewV proselqwn tw ihsou eipen CAIRE rabbi kai katefilhsen auton”

[6] “Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da graça. (Gálatas 5, 4)”
 
[7] “Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras:” (Romanos 2. 5 e 6)

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