A FÉ NECESSITA DE UMA EXPERIÊNCIA COM DEUS?

 

Podemos definir teologicamente a fé como sendo a capacidade sobrenatural de reconhecermos a verdade Divina, aderirmos a ela, e assim, recebê-la em nossa realidade prática.

Conhecer Deus pela fé implica na forma mais elevada do conhecimento humano, porquanto Deus só se conhece racionalmente.1

A autêntica fé não colide com a sã razão; assim como essa sã razão elevada à nível superior, não elimina, nem suprime a fé. Antes, com a fé se coaduna.

Mas o que levaria o ser humano não só a perceber a existência de Deus, como também se deixar convencer de uma realidade que não pode ver, ouvir, tocar, sentir ou interagir fisicamente? Seria a experiência sensível ou emocional?

Ora, antes de crer, se deve conhecer, pois não nos é dado acreditar, e assimilar em nossa realidade aquilo que não sabemos existir ou não sabemos exatamente como existe. Por isso, percorrer o caminho que nos leva à fé, implica na análise de como o ser humano conhece, e compreende o mundo natural ao seu redor, bem como, as realidades sobrenaturais que estão além do alcance de sua mediana percepção.

É certo que ao ser humano é dado conhecer ao mundo material no qual habita.

Obviamente que ele sente, e tal como os animais irracionais, o conhecimento humano sobre o mundo físico ocorre pelos cinco sentidos externos. Pelo paladar, sente o que é doce ou amargo; pela visão enxerga o caminho a seguir; pelo tato, a velocidade dos ventos, o calor ou o frio para que se proteja do clima; pela audição, capta antecipadamente a chegada do predador ou a aproximação da tempestade sinalizada nos trovões; e pelo olfato sente o que é agradável ou não. Ora, em todas essas situações é necessário ter uma experiência, pois não é dado aos seres animados o conhecimento das coisas pelos sentidos externos, sem antes experimentá-las. Por lógica, não podemos saber do amargor ou doçura no sabor das frutas sem comê-las.

Toda matéria só se conhece, se comunica e interage através da própria matéria.

Assim, todo conhecimento da matéria natural só pode ocorrer mediante uma experiência material captada por meios dos sentidos, do que se conclui, que todos os seres vivos no âmbito do seu conhecimento privado dos fenômenos físicos e naturais, precisam experimentar para conhecer.

Temos então, o conhecimento sensível ou experimental, comum tanto nos seres racionais, quanto nos seres brutos que se regem puramente pela irracionalidade dos seus instintos.

Todavia, há no ser humano racional, um sentido interior que o distingue dos irracionais. Esse sentido é o que chamamos intelecto ou razão natural, que coloca o conhecimento humano sobre o mundo natural num patamar muitíssimo mais elevado que dos animais irracionais. Inteligir significa a habilidade e o poder de distinguir as coisas, e por consequência no privilégio de conhecer a si próprio e ao seu papel no âmbito de toda criação, além da natureza de todos os seres criados.

Já os irracionais, privados da razão, não podem conhecer, senão, pela experiência dos sentidos que impulsam seus instintos corpóreos.

O cão pastor que realiza a mando do seu dono a vigilância sobre o rebanho não sabe que é cão, assim como as abelhas que mesmo fabricando mel e polinizando flores, não compreendem a sua natureza, nem a importância da função que desempenham, não distinguindo entre bondade ou maldade, justiça ou injustiça, perfeição ou imperfeição.

Por isso, não possuem, eles, a faculdade de praticar atos de virtude moral,2 por não conceberem o que isso seja ou signifique. O cão que salva seu dono, não sabendo da nobreza de seu gesto, o faz por um apelo emocional do instinto de sobrevivência, do mesmo modo com que copula e se relaciona sexualmente com a própria mãe, irmãs ou filhas.

O ser humano, de seu lado, apto a conhecer racionalmente o Bem e o mal, torna-se capaz de compreender a virtude moral em todos os seus atos cotidianos, tornando-se, com isso, apto eficazmente a neutralizar as inclinações do seu corpo animal, colocando o ato nobre acima dos seus apelos emocionais e instintivos.

É pela reta razão que opomos aos apetites dos instintos e das paixões que nos degradam.

Denota-se que nem todo conhecimento é experimental, porque nem tudo o homem necessita experimentar para conhecer. Não precisamos nos jogar de um prédio de 20 andares para saber que morreremos, posto que, racionalmente, temos ciência das consequências desse ato.

Todavia, também é certo que conhecendo seu papel e a natureza de todos os seres e dos elementos do mundo físico, possui o ser humano o controle da causa e efeito da maioria das coisas, podendo assim, produzir uma causa, tanto quanto se prevenir de um efeito. Tendo o ser humano a ciência do cio da terra e do cio dos animais, ele pode ter o domínio da agricultura e da pecuária, como também o domínio sobre a doença e a cura, por exemplo.

Todo conhecimento nos dá o domínio sobre os conhecidos, sendo que quanto maior nosso conhecimento sobre o mundo material, maior será o nosso domínio sobre esse mundo.

Temos aí, além do conhecimento sensível meramente experimental, o chamado conhecimento científico ou racional do mundo físico e visível. E é justamente essa sapiência que auxilia o ser humano em sua relação com Deus, pois através da sua razão natural, ele consegue compreender a existência de uma realidade ou mundo invisível que ele não consegue alcançar, porque que está além dos sentidos, e da própria capacidade de compreensão natural do seu intelecto:

“Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus completamente insensata a sabedoria deste mundo? (I Coríntios 1.20)”

Ensina o sacrossanto Magistério da Igreja:

      • 35 As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.

      • 36 A santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que, Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas. Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade por ser criado à imagem de Deus. As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis e quando estas verdades atingem a vida prática e a regem, requerem sacrifício e abnegação. A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro”

      • 38 Por isso, o homem tem necessidade de ser iluminado pela revelação de Deus, não somente sobre o que ultrapassa seu entendimento, mas também sobre as verdades religiosas e morais que, de per si, não são inacessíveis à razão, a fim de que estas no estado atual do gênero humano possam ser conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro.” (Catecismo R 2.2)

A vida ou alma, que se hospeda nos seres é a prova inconteste de uma realidade incompreendida, invisível e imaterial, dando-nos a certeza de que a verdade existencial não está restrita aquilo que os seus sentidos corpóreos captam. Entretanto, é certo que o ser humano não pode dominar essa realidade porque a desconhece por completo, o que não lhe faculta, por exemplo, obter o controle sobre a vida e a morte.

O homem não compreende nem pela experiência dos sentidos, e nem pelo intelecto ou razão natural, como se dá e se encerra o milagre da vida:

“[…] É NELE (DEUS) QUE TEMOS A VIDA, o movimento, o ser.” (Atos dos Apóstolos 17, 28)

O SENHOR É QUEM TIRA A VIDA E A DÁ; (I Samuel 2. 6) ”

No mundo físico ou material, Deus habita junto com o homem.

No mundo metafísico, só Deus, os santos despidos da vida terrena e os anjos habitam.

O pecado fez com que os seres humanos perdessem o dom de ver Deus face a face, e no estado de pecado em que se encontram, é certo que a visão de Deus e do mundo divino sem uma preparação ou revelação especial do próprio Deus os chocaria.

A visão da plena perfeição é chocante para aqueles que, como nós, são tão imperfeitos.

Então, por meio da ciência especulativa do intelecto, inicia-se a investigação, uma busca por parte desse ser racional, pelo mundo metafísico que se encontra além dos seus sentidos e da sua razão natural. Pela via especulativa Deus nos move a buscá-lo, sendo a fé, o instrumento pelo qual Deus a este ser racional se revela, de acordo com o que leciona o Catecismo:

“§ 1.954 — O homem participa da sabedoria e da bondade do Criador, que lhe confere o domínio de seus atos e a capacidade de se governar em vista da verdade e do bem. ”

Mas como ensinou Santo Tomás de Aquino, “[…] o intelecto especulativo se aperfeiçoa no encontro com a verdade3.”

Temos na fé, portanto, os olhos da alma pelos quais nos é dado ver a Deus em santidade: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles VERÃO A DEUS. (São Mateus 5, 8) ”

A fé é assim, a razão superior ou logikus (λογικός)4 o conhecimento adquirido por dádiva Divina de reconhecer a pura verdade invisível, abrigada nas realidades visíveis:

“São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras. (Sabedoria 13, 1)”

Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. (Romanos 1, 20)”

“Os céus revelam a glória de Deus, o firmamento proclama a obra de suas mãos. (Salmo 19.1) ”

Neste contexto, não é a fé uma experiência emocional ou afetiva do ser humano com Deus:

“Tudo sofro para que os seus corações sejam reconfortados e que, es­treitamente unidos pela caridade, SEJAM ENRIQUECIDOS DE UMA PLENITUDE DE INTELIGÊNCIA, PARA CONHECEREM O MISTÉRIO DE DEUS, ISTO É, CRISTO, NO QUAL ESTÃO ESCONDIDOS TODOS OS TESOUROS DA SABEDORIA E DA CIÊNCIA.” (Colossenses 2. 2 e 3)

As experiências sensíveis nos causam sensações.

Sensações dão e passam, ao contrário da comunhão com Deus que permanece.5

Além disso, o conhecimento e a ciência sobre Deus não nos são experimentáveis pela visão, paladar, tato, olfato ou audição que nos conduzem à emoção. Não podemos interagir com Deus pela “experiência interior e pessoal em cada um de nós” posto que nenhuma experiência sensível e passional é racional quando despreza a verdade. 

Como “sentir Deus” nos levaria conhecer as verdades Divinas, e aplicá-las em nossa realidade prática de vida? Ninguém vai para o céu porque “sentiu” e “experimentou algo com Deus”, mas porque a fé lhe conduziu a obediência e a caridade:

Tendei a perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em paz, e o Deus de amor e paz estará convosco. (II Coríntios 12. 11)

“[…] aquele que não cuida dos seus, e principalmente dos da própria casa, NEGOU A FÉ, E É PIOR QUE UM INCRÉDULO. (I Timóteo 5.8) ”

“[…] ponde agora vossos membros a serviço da Justiça, para chegar a santidade. (Romanos 6. 19)

A ideia de que temos que ter uma experiência com Deus para crer provém da heresia modernista, espalhada entre os Católicos por aqueles que vieram do protestantismo, e migraram para um movimento chamado RCC (renovação carismática católica), pois  o modernismo que degrada a sociedade atual, nasceu justamente da teologia liberal protestante6 dos chamados “quakers.”

Quakers ou “tremedores” era um movimento cismático e apóstata inglês dos séculos XVII e XVIII, inventado por John Fox (1.624 – 1691), que pregava costumes ultraconservadores e puritanos sob pena de castigos físicos e morais, e também ensinavam que para conhecer Deus verdadeiramente seria preciso somente “senti-lo dentro de cada um de nós.” O “culto de adoração” que realizavam dentro das casas, eram “experiências individuais e silenciosas” onde aguardaram até por horas, uma manifestação de transe, catarse ou tremores histéricos, os quais eles diziam ser o “espírito santo.”

A nossa relação com Deus não é uma experiência visível, emocional ou sensível, e nem é dado ao homem alcançá-la pela razão natural, senão pela fé, também chamada de razão superior. A fé é uma virtude intelectiva porque provém dessa inteligência superior que habita em nossa alma, na imagem de Deus que reflete em nós sua sapientíssima ciência.

O mérito da fé não está em ver para crer, mas crer para ver.

Nossos primeiros pais, Adão e Eva, viram Deus, mas isso não foi suficiente para que cressem Nele, quando lhes dissera para não comerem da árvore do conhecimento do Bem e do mal. Nós agora, enquanto descendentes de Adão, devemos provar nossa fé sem experimentar, sentir ou ver.

Disse Cristo a São Tomé: 

Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor, e meu Deus! Disse-lhe Cristo: Creste, porque me viste. Bem-aventurados os que não viram e creram.” (São João 20. 20 a 29). 

Cristo não disse:

— “Toca-me, veja-me, experimente pelos sentidos o seu contato comigo, chore e se emocione para só então crer em mim.”

Fé não deve ser confundida com experiência emotivas, e nem experiência emocionais com experiências místicas, porque a fé que se realiza na verdade santa é o autêntico conhecimento racional das realidades que ainda não vemos, mas esperamos confiantes dela participar algum dia:

A esperança vista não é esperança. Quem espera o que já pode ver? (I Coríntios 4.18) ”

Por isso, fixamos nossos olhos não no que é visto, mas no que não é visto, pois o que é visto é temporário, mas o que é invisível é eterno. (II Coríntios 5.7)

Porque andamos pela fé, não pela vista. (Hebreus 3.6) ”

As experiências místicas dos santos e dos mártires são consequências de uma fé já estabelecida dentro das Verdades Sagradas que não se originam de opiniões produzidas através da soberba. Em nenhum momento, eles colocavam a emoção ou suas experiências pessoais acima da obediência às verdades reveladas por Deus.

Mesmo porque, é perfeitamente possível ter uma experiência emocional negando a Deus. Podemos nos emocionar profundamente, entrar em algum tipo de êxtase emocional, ouvindo de algum sacerdote belas palavras sobre Cristo num casamento homoafetivo ou com casais adulterinos em segundas ou terceiras uniões. Qualquer experiências mística que causa algum tipo de êxtase ou transe emocional, como o espiritismo, a macumba e o pentecostalismo, em desprezo as verdades dada por Cristo à sua Igreja, são manifestações luciferianas e demoníacas, visando enganar, confundir, criar dúvidas, divisões e desavenças através da mentira:

E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA. (São Mateus 16, 18) Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E SE RECUSAR TAMBÉM OUVIR A IGREJA, SEJA ELE PARA TI COMO UM PAGÃO OU PUBLICADO. (São Mateus 18, 17)”

A experiência particular, a ser considerada doutrina, levaria a destruição da fé, pois partindo disso, cada indivíduo seria sua própria religião. Como já dito pelos sábios, não se pode colocar a experiência no lugar da verdade.

Até quando, insensatos, amareis a tolice, e os tolos odiarão a ciência? (Provérbios 1, 22)”

Irei contra os profetas de sonhos enganadores que, ao narrá-los, ludibriam com mentiras e fatuidade o meu povo, quando nem missão lhes outorguei, nem mandato algum, e de nenhuma valia são para esse povo – oráculo do Senhor. (Jeremias 23, 32)”

O coração do inteligente procura a ciência; a boca dos tolos sacia-se de loucuras. (Provérbios 15, 14)”

Por essa razão, ensina-nos o Magistério Sagrado da Igreja, desde o seu primeiro Chefe Temporal que traz as Chaves de Cristo que ligam o céu e a terra, o Apóstolo primaz São Pedro:

“O Poder Divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por esse meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à cor­rupção que a concupiscência gerou no mundo. Por esses motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno e ao amor fraterno a caridade. Se essas virtudes se acharem em vós abundantemente, elas não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Porque quem não tiver essas coisas é míope, é cego: esqueceu-se da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição. Procedendo desse modo, não tropeçareis jamais.” (I São Pedro, 2 – 10)


1 Todo pecado é contrário a razão, porque atenta contra a natureza humana criada por Deus perfeita, à imagem e semelhança de seu Criador. (R 2.1. Catecismo § 1.872)

2 Virtude vem do termo verter, mover, inclinar-se. Virtude moral é a inclinar-se ao bom costume cristão, discernido pela razão, vez que a palavra moral ou “moris” no latim, implica a capacidade de se alinhar aos fins de sua natureza, que no caso do ser humano é o fim à beatificação do agir retamente, conforme a image de Deus que está na essência daquele.

3 Suma, Q 57. DAS VIRTUDES INTELECTUAIS, art. 2°.

5 Permanecei em mim, que Eu permanecerei em vós. (São João 15.4)

6 Quakers vieram do anabatismo luterano, e quando foram perseguidos pela igreja anglicada, na Inglaterra, foram para os EUA, e lá deram origem ao pentecostalismo, aos menonitas, as testemunhas de Jeová e aos amish’s.

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