O MATRIMÔNIO É UMA PROFISSÃO DE FÉ ANTES DE SER APENAS UMA RELAÇÃO AFETIVA.

O matrimônio une o homem e a mulher numa mesma carne, num propósito de vivência indivisível, levando dois seres a unidade de vidas até o fim.

Mas a realidade do Matrimônio é feita de Cruz e Flores. Pela cruz nos santificamos, e com as flores nos alegramos. A cruz vem do céu, e nos conduz para lá. As flores brotam da terra, e nos lembram com sua beleza e perfume que a cruz vale a pena. A flor há de ser plantada, a cruz aquiescida, e as duas se completam, por isso, não podemos desprezar nem a cruz, nem as flores.

É o mais profundo e intrigante mistério de uma unidade que não extingue a dualidade, e de uma dualidade ligada indissoluvelmente à unidade.

Ora, tudo que se une eternamente em dois, já não pode se unir em três ou mais, e nem voltar a ser apenas um.

O consórcio entre homem e mulher deixou de ser apenas uma realidade da natureza e dos afetos, quando, por Cristo, fora alçado ao patamar de instrumento para santificação do casal e sua prole. A verdadeira felicidade, enquanto virtude Divina, a qual nos permite regozijar na contemplação da beleza e perfeição de Deus, não nos cabe individualmente, pois o pilar de ser feliz está no ato de partilhar essa beleza e essa perfeição com aqueles que amamos.

Deus instituiu a felicidade num conjunto, não numa singularidade. Instituiu-a na solidariedade, não no egoismo, porquanto fora dito por ocasião da criação da raça humana que “não era bom que o homem estivesse só,” razão porque, tomando da sua carne e dos ossos de sua costela,1 lhe insculpiu uma companheira chamada “mulher.” (Gênesis 2.18)

O ato de amar não pode ser contido, nascendo e findando apenas num indivíduo, pois o Bem maior do Amor que temos ou recebemos, está na felicidade que proporcionamos ao próximo. (Mt 12, 30-40) E nada há de mais próximo na criação, que a união matrimonial, celebrada na unidade com Deus para formação de uma família: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que UMA SÓ CARNE.” (Gênesis 2. 24)

Ao criar o ser humano, Deus o pensou dentro da família porque a Santíssima TRINDADE (Pai, Filho e Espírito Santo) é uma família.

A IGREJA (Esposa) e CRISTO (Esposo) formam igualmente uma família, e assim como homem e mulher geram filhos naturais, Cristo e a Igreja geram filhos espirituais para Deus, no conjunto de indivíduos ligados às verdades produzidos pelo sacrifício que o Esposo suportou em seu próprio corpo para salvar a Esposa:

“Felizes os convidados para a CEIA DAS NÚPCIAS2 do Cordeiro. ” (Apocalipse 19, 9)

“Cristo é o chefe da Igreja, SEU CORPO, do qual ele é o Salvador (Efésios 5, 23)

“Assim os maridos devem amar as suas mulheres, COMO A SEU PRÓPRIO CORPO. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. ” (Efésios 5, 28)

“MARIDOS, amai as vossas mulheres, como CRISTO amou a IGREJA e se entregou por ela,” (Efésios 5. 25)” “Consequentemente, já não sois hóspedes, nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da FAMÍLIA DE DEUS (Efésios 2, 19), ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra. (Efésios 3, 15)”

Também toda criação, obra de um conjunto perfeito, equilibrado e harmônico, é em sentido amplo uma família: “Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que DORES DE PARTO até o presente dia. (Romanos 8, 22)”

Como no âmbito da Trindade, da Igreja e da criação não pode haver divisão que lhes rompa a perfeição, beleza e harmonia, tal inseparabilidade, semelhantemente, é aplicável ao Matrimônio.

A perfeição está na harmonia que encontramos na união complementar entre os opostos, como no caso o homem e a mulher.

Já a imperfeição, por sua vez, reside na desarmonia entre os iguais, que ao invés de se completarem, permanecerão INCOMPLETOS porque unidos apenas pela natureza do prazer e do afeto, sem jamais alcançar o fim útil do matrimônio que é a continuação da história moral e espiritual através dos filhos consagrados à Deus através da fé cristã herdada dos pais.

Se na Santíssima Trindade não há divórcio; e se entre Igreja (Digníssima Esposa) e Cristo (Digníssimo Esposo) há união eterna, também entre homem e mulher que se casam, tal qual, não lhes é dado direito ao desfazimento da unidade.

“Assim, já não são dois, MAS UMA SÓ CARNE. Portanto, NÃO SEPARE O HOMEM  O QUE DEUS UNIU.” (São Mateus 19, 6)

Matrimônio é criação Divina, não uma invenção afetiva, política, religiosa, ideológica ou social. Deus, em sua onipotência, poderia ter criado toda a humanidade de uma só vez, e todos nós já poderíamos ter nascido no Éden. Mas criou apenas UM CASAL, homem e mulher, e assim o fez, porque desejou nos chamar à participar da obra mais importante da sua criação, quando então, o casal, formado em comunhão com Ele, geraria os santos e santas que o amariam, honrariam e o adorariam em Amor eterno.

Por este sacramento, somos chamados a participar do Gênesis, sendo o Matrimônio, a continuação da criação, a qual agora acontece em nós através desse sacramento. Na Eucaristia, Cristo disse expressamente: — “isto é meu Corpo que é dado por vós para remissão dos pecados. ” (São Lucas 22, 19) No Matrimônio, é manifestado implicitamente pelos nubentes: — “Este é meu corpo, dado a ti para elevação das nossas vidas e almas.” E assim, é dito que: “A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. ” (I Coríntios 7, 4)

O ato de pertencer ao outro, induz aquele se torna dono, a responsabilidade de conservar, cuidar, amar caridosamente e zelar da melhor maneira possível pelo que lhe pertence:

“[…] e os dois constituirão uma só carne.” (Gênesis 2,24)

Eucaristia e Matrimônio são sinais sagrados da comunhão entre o ser humano e Deus.

Por isso, o mundo e os demônios odeiam o Matrimônio, porque antes de tudo, odeiam a Eucaristia (a carne e o sangue de Cristo sob as espécies do pão e vinho consagrados), pois detestam toda e qualquer ideia de humanidade ofertada a Deus para santificação ou remissão dos pecados.

Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja.” (Efésios 5. 30, 31 e 32)

Os nossos sentidos captam apenas a dualidade dos sujeitos (marido e mulher individualmente), por deficiência em vislumbrar a realidade miraculosa que está muito além da percepção sensível, e que é a unidade dos corpos instituída por Deus:

FÉ É A CERTEZA daquilo que esperamos e a prova das coisas que NÃO VEMOS. ” (Hebreus 11, 5)

A finalidade do Matrimônio é nos honrar, mediante a participação na obra da perpetuação dos únicos seres que trazem em si, a imagem e semelhança de Deus.

Disse Cristo: “Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento, mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos NÃO TERÃO MULHER, NEM MARIDO. ” (São Lucas 20, 34) Essas palavras aparentam contradizer o propósito matrimonial instituído por Deus Pai para que o “homem deixasse pai e mãe para SE UNIR À SUA MULHER; e já não fossem mais que UMA SÓ CARNE. ” (Gênesis 2, 24), e que fossem “fecundos, enchessem e multiplicassem sobre toda terra. ” (Gênesis 9. 1) A explicação é que Cristo parte do ser pecador para o ser remido na vida eterna, onde não havendo pecado e morte, também não haverá matrimônio, cujo fim último é a preservação da espécie. Já Deus Pai, parte do ser puro, em estado de inocência no paraíso para o degenerado, antevendo no futuro o pecado que o mataria, e assim, a toda espécie humana.

A Onisciência de Deus, antecipando-se a existência do pecado no Éden, o fez projetar desde o princípio o Santíssimo Matrimônio, criando homem e mulher, para que no consórcio de um com outro a criação pecadora não morresse, mas se conservasse na descendência das suas gerações.

O Matrimônio nos faz cooperadores com a obra do Gênese, tornando-nos partícipes da Divina Criação pela dádiva que nenhum outro ser vivente possui, que é conceber aqueles que, como nós, são imagem e semelhança de Deus na terra. Imprime no homem e na mulher o atributivo do criacionismo, transformando-os em especiais colaboradores da obra-prima da criação.

Há no Matrimônio um sinal indireto que é a água do Batismo; e outro direto que são os corpos dos noivos doados de livre e espontânea vontade ao tempo da idade e da razão, em sacrifício de renúncia perpétua em favor de Deus e do outro cônjuge:

“O pacto matrimonial pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o consórcio de toda a vida, por sua índole natural ORDENADO AO BEM dos cônjuges e a geração e educação da prole, entre BATIZADOS foi por Cristo Senhor elevado à dignidade de sacramento”. (Código de Direito Canônico, Cânon 1055 § 1) “Portanto, entre BATIZADOS, não pode haver contrato matrimonial válido que não seja, ao mesmo tempo, sacramento” (Idem, § 2)

É, pois, uma elevação da união natural do homem com a mulher, à um plano de santidade e perfeição sobrenatural.

O QUE DISTINGUE O MATRIMÔNIO CATÓLICO DO CASAMENTO PROTESTANTE?


1 Nem da cabeça; nem dos pés. A costela que significa nem mais, nem menos, mas o total equilíbrio entre homem e mulher. Implica na mensagem de que em termos de Dignidade humana, não há diferença entre homens e mulheres, conforme já lecionava Santo Tomas de Aquino, no século 12.

2 Em Apocalipse 19.7, a DESPOSADA DO CORDEIRO é apresentada como sendo uma FIGURA TERRENA, a qual abrigou o sangue dos mártires dos primeiros séculos que morreram em Nome de Cristo para não lhe negar a Fé durante a perseguição do Império Romano, numa clara alusão a Igreja Católica, Apostólica Romana dos tempos primitivos. Já no capítulo 12, verso 2, do mesmo Livro, ela é apresentada como uma FIGURA CELESTIAL, a Jerusalém que vem do Céu, não a Jerusalém terrena dos judeus, do Estado sionista e da religião judaica herética, farisaica e apóstata, mas a verdadeira, cujos habitantes se produziu da referida figura terra (Igreja Militante), os quais ressuscitarão com Cristo, e virão com Ele julgar o mundo no fim dos tempos: “Então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo. (Zacarias 14, 5)

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2 opiniões sobre “O MATRIMÔNIO É UMA PROFISSÃO DE FÉ ANTES DE SER APENAS UMA RELAÇÃO AFETIVA.

  • 18 de novembro de 2019 em 22:12
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    Boa noite… Como vai o Professor? Sou o Marco de Cabo Frio… Que Jesus te abençoe…

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    • 22 de novembro de 2019 em 10:27
      Permalink

      Olá meu querido amigo Marco, seja bem vindo, nos acompanhe. Assim que concluir as edições, e colocar as postagens novas colorei o novo site nas redes. Obrigado.

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