O QUE DISTINGUE O MATRIMÔNIO CATÓLICO DO CASAMENTO PROTESTANTE?

Um verdadeiro Católico, como autêntico representante da legítima fé cristã, mais que qualquer coisa, ama em sua única esposa a imagem e semelhança de Deus que existe dentro dela, a qual, ele, deverá fazer reluzir para transformação e renovação necessárias à conduzi-la ao encontro verdadeiro com Deus, pela responsabilidade de livrá-la de todo mal e corrupção que há neste mundo.

Também para uma verdadeira mulher Católica, a recíproca é pertinente.

O cônjuge deve desejar do outro apenas a plena felicidade, e a felicidade plena só encontramos quando atingimos nosso propósito de nos tornarmos imitadores de Cristo para usufruir da vida eterna no Reino com Ele. Porque é a missão dos casados se conduzirem, e conduzir um ao outro à beatitude que lhe irrompa ao Céu, é que o matrimônio, ratificado e consumado, não pode ser dissolvido por nenhum poder ou ato humano, exceto a morte” (Código de Direito Canônico, Cân. 1141) Quando Deus criou o homem, Ele já havia pensado na mulher; e quando criou do homem a mulher, também já havia pensado nos filhos e filhas que estes lhes dariam como prova de amor. Tal como Cristo se sacrificou até a morte por sua Esposa que é a Igreja, cada esposa ou esposo se sacrificarão para se tornarem instrumentos de Deus para elevação do outro até Cristo, e, consequentemente, à salvação. E assim atuarão até que a morte os separe:

NÃO SEPARA O HOMEM aquilo que DEUS UNIU. ” (São Mateus 19, 6)

Esse sacramento é a participação dos esposos no MISTÉRIO DA CRUCIFICAÇÃO, dando-se a si próprios a Deus para continuidade da humanidade vindoura. Ofertando-se os cônjuges, um ao outro numa só carne como dádiva eterna de amor e caridade, também se ofertarão a Deus eternamente.

A união indissolúvel entre homem e mulher é um tipo, uma figuração da SALVAÇÃO dada por Cristo à sua Esposa, Igreja, de modo irrevogável. Mas dentro do acervo patrimonial comum do casal, não existem apenas os chamados bens temporais, mas um certo bem eterno chamado atemporal. Temporais são os necessários apenas no âmbito terreno, como a mútua assistência material, afetiva, espiritual, fidelidade e todas as virtudes morais que destes provenham. Já o bem atemporal está na honra que lhes é dada, de COOPERAR COM DEUS EM SUA CRIAÇÃO MAIS SUBLIME QUE É O SER HUMANO. (Art. 2 Q 1, Suma Teológica de S. Tomás de Aquino. Dos Sacramentos em Geral) Atemporal, portanto, é não se negar a prole, e estar sempre aberto ao nascimento dos filhos, e dar-lhes a melhor formação e educação espiritual tornando esses, o Bem mais importante e precioso do Matrimônio.

Considerando todo esse quadro, podemos dizer que nisto consiste na essência deste sacramento, e por essência se diz de tudo que é indispensável a existência de algo. Toda essência só se constitui, se mostra e se realiza no mundo sensível e material mediante uma forma. E na formalização do ato matrimonial que se constitui sua indissolubilidade.

O Matrimônio não é a simples manifestação da vontade de “querer, desejar, ter uma intenção” de ficar casado até o fim.

É muito maior que isso.

Em suma, é uma autêntica profissão de fé, porque assim Cristo o instituiu.

O MATRIMÔNIO É UMA PROFISSÃO DE FÉ ANTES DE SER UMA RELAÇÃO AFETIVA.

O que distingue o Matrimônio da simples união natural puramente animal entre homem e mulher, está no JURAMENTO DA FÉ que se faz no Altar, na presença de Deus, de se sacrificarem até o fim um pelo outro, como Cristo fez por sua Igreja, além de se unirem numa vida comum por meio, por causa, e no propósito de Cristo. Sem juramento de vida a dois até o fim não há Matrimônio, pois não há compromisso firmado entre os noivos, nem perante Deus. E sem Deus, nenhum ato matrimonial se realiza.

Não é o aconchego ou o prazer do bem-estar conjugal aqui nesta terra, o objetivo do Matrimônio.

Deus o criou, na união natural entre homem e mulher, e Cristo o santificou em seu Corpo, para que os cônjuges pudessem engrandecer, respeitar, renunciar, cuidar, compartilhar o amor recíproco, e principalmente, elevarem a Deus suas vidas. Foi para que cada um pudesse inclinar a vida do outro rumo à salvação que a união entre homem e mulher fora santificada, para que os nubentes pudessem se colocar contrários ao instinto humano do qual se origina todo pecado. A missão mais sublime do casados é servir de instrumento que possa conduzir o outro à salvação, para que um dia, juntos, possam usufruir da verdadeira felicidade com Deus. Se não houver o voto neste propósito de que só a morte os separará, não haverá Matrimônio. Mas havendo voto recíproco e espontâneo, o qual se faz a Deus, por Deus, e em Nome de Deus, este não pode ser quebrado sem consequência grave.

Tem-se o JURAMENTO como modo de invocar Deus como testemunha de uma promessa (juramento promissário), bem como, usar da Autoridade do seu Santo Nome para prática de um ato (juramente representativo).

Essas duas espécies compõe o JURAMENTO MATRIMONIAL.

O divórcio ou libelo de repúdio do esposo contra a esposa, e vice-versa, é pecado porque consiste na quebra desse juramento feito ao próprio Deus, e em Nome de Deus. Assim como Deus glorificará todo aquele que jurou, e honrou o seu juramento, também castigará aquele que o jurou em falso sobre o seu Santo Nome, o desonrando pela ausência de convicção e vontade de realizar aquilo que prometera:

Será glorificado o que jurar pelo seu Nome, enquanto aos mendazes lhes será tapada a boca. ” (Salmos 62, 12)

Se jurar em vão, sua casa será cheia de castigos.  (Eclesiástico 23, 14)”

Eles já não guardam a honestidade, nem na vida, nem no casamento, mas um faz desaparecer o outro pelo ardil, ou o ultraja pelo adultério.” (Sabedoria 14, 24)

E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, ADULTERA. ”  (São Marcos 10, 12)

Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeitar sua mulher, exceto no caso de RELACIONAMENTO SEXUAL ILÍCITO, e desposa outra comete adultério. ” (São Mateus 19, 9)

ADÚLTEROS, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. ” (São Tiago 4, 4)

O divórcio implica trair Deus, cujo Nome Santo fora invocado em vão para o juramento.

O compromisso que se contrai em Nome, e por meio de Deus não pode estar subordinado aos caprichos, deleites, satisfações próprias, regalos e comodidades da vontade humana.

Ensina Santo Tomás de Aquino:

Estamos obrigado a fazer aquilo que afirmamos sob juramento, para ser verdadeiro o que juramos, pois do contrário, faltaria a verdade em nosso juramento, e mentir diante de Deus consiste numa grave fraude, grave pecado contra sua Graça.” (Suma Teológica, Q 89, art. 4. Do Juramento)

Desta forma, por um único ato de divórcio, se infringe simultaneamente dois Mandamentos, incorrendo em estado de pecado mortal, conforme o Livro de Êxodo 22, versos 1 a 17:

Não tomar seu Santo Nome em vão;

Não adulterarás;

São os votos sagrados perante Deus que conferem segurança e estabilidade necessária ao convívio sadio do casal, na certeza de que, seja na saúde ou doença; pobreza ou riqueza; bonança ou dificuldade, nenhum deles jamais deixará que o outro se perca do caminho que conduz ao Bem e ao Céu, porque A GRAÇA DIVINA LHES AUXILIARÁ neste propósito.

Tudo o que se jura a Deus é perpétuo.

Mas o que juramos só entre nós, mais dia, menos dia se rompe, pois somos falíveis, sujeitos a busca insensata pela renovação das sensações, paixões, prazeres carnais, vaidades profanas e emoções. Sem os votos santos, Deus não estará conosco para nos afastar das tentações, nem para nos sustentar em nosso juramento do Altar.

Escreveu o Apóstolo:

Aos casados, mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. (I Coríntios 7, 10)”

E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher. (I Coríntios 7, 11)”

Disse de viva voz o próprio CRISTO, causando “escândalo” aos judeus:

Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, A FAZ TORNAR-SE ADÚLTERA, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que DESPOSA UMA MULHER REJEITADA COMETE UM ADULTÉRIO. Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: NÃO JURARÁS FALSO, MAS CUMPRIRÁS para com o Senhor OS TEUS JURAMENTOS.” (São Mateus 5, 31 até 33)

Havendo impossibilidade da vida em comum ou coabitação por condutas atentatórias aos fins matrimoniais, como vícios em entorpecentes, conflitos, incompatibilidades, violência doméstica, abandono material, afetivo e infidelidade, dentre outros, para não colocar um dos cônjuges em perigo, lhe é facultado o remédio espiritual do “Desquite Eclesiástico”, o qual NÃO DISSOLVE O MATRIMÔNIO,1 apenas autoriza temporariamente a separação de corpos, a fim de que o consorte, SEMPRE COM O AUXÍLIO E ORIENTAÇÃO DA IGREJA, possa ajudar o outro, sem incorrer em perigo próprio.

O desquite não é o desfazimento divórcio, nem anulação do Matrimônio, enquanto declaração eclesiástica de que lhe faltou algum requisito necessário a validade. (Ex: O consentimento livre). Consiste numa situação excepcional de separação de leito, mesa e habitação, conservando o vínculo e todas as obrigações conjugais, inclusive fidelidade. Frise-se que a situação do cônjuge descumpridor dos deveres conjugais, mesmo sendo irreversível, não permitirá ao cônjuge afetado romper o voto perpétuo feito a Deus, devendo trocar a santidade do Matrimônio pela santidade da castidade.

O ser humano só se livra do pecado da concupiscência da carne vivendo a licitude da sexualidade conjugal ou castidade. Não existe meio termo: Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda. ”  (São Mateus 19, 12)

Assim é o Matrimônio Santo, e o que é Santo não pode ser maculado pelo divórcio.

Divorciar é desatar os laços, desprezar os votos feitos a Deus e ao cônjuge.

Entretanto, com o surgimento do movimento de separação com a Igreja, chamado protestantismo (1.530), surgiu um perigoso, e desastroso ensino contra a preservação das famílias. Os protestantes, inegavelmente influenciados pelo modernismo pagão da filosofia romântica e iluminista de Rousseau (1.762), Locke (1.689) e Thomas Hobbes (1.588), desaguaram na chamada teoria rousseauniana do “Contrato Social”, levando esse pensamento à sua religiosidade.

Surgia a ideia errônea do “Contratualismo Estatal”.

Pela filosofia do “contrato social”, o Matrimônio não seria uma profissão de fé, mas ato jurídico, instituído, e regulamentado somente pelas leis do Estado laico. Antes desses filósofos, Lutero (1.530), em seu pessimismo antropológico, ensinava que por causa do pecado, o matrimônio não poderia jamais ter natureza de ato de fé ou sacramento, mas apenas uma realidade doméstica e natural.2

Logo, as duas ideias erradas (a ideia filosófica contratualista e a ideia religiosa protestante) se abraçariam.

Não haveria no Matrimônio, segundo os defensores desse pensamento, nenhum Bem transcendente ao Céu, apenas uma administração de situações privadas e patrimoniais, visando o aconchego e comodidade cotidiana, mirando o bel prazer dos casados, segundo a conveniência da vontade egocêntrica de cada um, permanecer ou não unido. Sendo só uma realidade natural e social, segundo a visão deles, não teria a Igreja qualquer Autoridade ou papel no Ato Matrimonial, reservando-se apenas ao Estado dispor das leis necessárias a regular o começo e término da relação conjugal, bem como, das normas relativas aos direitos patrimoniais dos casados.

Aderindo a filosofia contratualista, o protestantismo esvaziou os seus matrimônios de todo e qualquer sentido transcendental, para nele prevalecer exclusivamente à vontade humana em detrimento à vontade de Deus. Além de aceitar o divórcio, aceita-se também a possibilidade do divorciado contrair inúmeras núpcias, com inúmeros cônjuges, desde que não simultâneos. No âmbito desse movimento religioso, tem-se até nossos dias a defesa quase uníssona do “direito ao divórcio”, e embora, para eles,  o “matrimônio”  seja uma  “ordenança3 de Deus”, deve, no entanto, ser realizado pelo Estado e regido pela vontade livre e independente.

O “matrimônio protestante” é CONTRATO CELEBRADO NA LEIS DOS HOMENS.

Ora, contrato é o ajuste livre entre os particulares, onde prevalece a autonomia das vontades dos contratantes e nada mais, sendo regido e tutelado pelo Estado, e não pelas leis eclesiásticas. Talvez por isso, os evangélicos ainda hoje acreditam equivocadamente que aquilo que eles realizam no cartório, mediante juiz de paz ou tabelião, jurando PERANTE O ESTADO (não perante DEUS), honrar os compromissos da legislação humana (até que o divórcio os separe), seja ato de fé cristã. Podemos ver esse conceito em documentos históricos do protestantismo, que equiparam um simples contrato ou pacto nupcial:

Art. 5º – O adultério ou fornicação cometido depois de UM CONTRATO, sendo descoberto antes do casamento, dá a parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; NO CASO DE ADULTÉRIO DEPOIS DO CASAMENTO, A PARTE INOCENTE É LÍCITO, DEPOIS DE OBTER O DIVÓRCIO, CASAR NOVAMENTE COM OUREM, COMO SE A PARTE INFIEL FOSSE MORTA. (I Catecismo de Westminster, ano 1.643)

A declaração da fé de Spurgeon (1.639) e declaração de Savoy (1.658) dos confessionais, diz apenas não ser lícito ter outra relação sexual e afetiva, simultaneamente com quem já esteja casado, sendo lícito ter diferentes cônjuges em tempos intercalados:

Art. 1º – Do Matrimônio: O casamento é para ser entre um homem e uma mulher. Não é lícito ao homem ter mais de uma esposa, e nem a mulher ter mais de um esposo AO MESMO TEMPO.”

No casamento protestante, prevalece apenas a independência da vontade humana, e o fim social do casamento, não o seu fim celestial e transcendente, que no caso, é totalmente esquecido.

Ora, se a autonomia da vontade é o fundamento principal do matrimônio, nada obsta que a vontade humana queira o divórcio.

Indo além, nada obstaria que a mesma vontade que deseja repudiar o esposo ou esposa, deseje saciar seus instintos na prática da poligamia, poliandria, relação poliamorosa ou homoafetiva, pois todas essas são manifestações puramente afetivas, atreladas ao bem-estar da felicidade temporal. Disto, surgiram ideologias religiosas anticristãs totalmente contrárias o Matrimônio, tal qual, a poligamia dos Mórmons, praticada de 1.850 à 1.890; a bigamia do líder luterano Felipe I, príncipe de Hesse4 (1.504 à 1.567), no adultério assassino do rei Henrique XVIII, fundador da seita  anglicana (1.491 à 1.547) que matou o padre John Fischer, Bispo de Rochester (1.469 à 1.535), por este ter lhe negado o divórcio, e consequentemente, as segundas núpcias com sua amante Ana Bolena (1.507 à 1.536), até os atuais “casamentos homoafetivos” contemporâneos.

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Mas por qual razão os cismáticos permitem, à revelia do que disse Cristo, o divórcio em suas fileiras? Tal ocorre, porque na tentativa de tentar justificar perante Deus o divórcio e as segundas núpcias, eles, ou aplicam o Velho Testamento na revogada Lei de Moisés, ou simplesmente falsificam as traduções, e mudaram das Escrituras ao seu bel capricho, cometendo dois erros crassos e inescusáveis.

O primeiro erro está em considerar como Vontade de Deus o divórcio, porque na antiga lei mosaica se permitia o libelo de repúdio do homem contra sua esposa: Se um homem, tendo escolhido uma mulher, casar-se com ela, E VIER A ODIÁ-LA por DESCOBRIR NELA QUALQUER COISA INCONVENIENTE, escreverá uma letra de divórcio, lhe entregará na mão e a despedirá de sua casa. (Deuteronômio 24, 1)” O que se tinha era apenas uma lei de tolerância, de natureza temporária, cujo objetivo era não cobrar uma conduta antes de ensinar sobre o seu valor, e principalmente, para evitar que o marido assassinasse a esposa com quem já não queria coabitar. Não se pode condenar sem que antes se explique, e se dê ciência do porquê de uma proibição.

Tolerou-se o divórcio na lei antiga, por conta da ignorância da mente, e dureza dos corações dos homens no trato com as mulheres, implicando que haveria um tempo em que essa realidade já não poderia ser tolerada, sendo esse, o tempo em que o Verbo Encarnado santificaria, na Cruz, a relação matrimonial.

Sendo Cristo Legislador maior que Moisés, restou abolida a lei do repúdio:

Porque o Senhor é nosso juiz, o Senhor é nosso LEGISLADOR; o Senhor é nosso rei que nos salvará. ” (Isaías 33, 22)

FOI DEVIDO À DUREZA DO VOSSO CORAÇÃO que ele vos deu essa lei; 6.mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. 7.Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; 8.e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9.NÃO SEPARE, pois, o homem o que Deus uniu.” 10. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto. 11.E ele disse-lhes: “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, COMETE ADULTÉRIO contra a primeira. 12.E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, COMETE ADULTÉRIO. ” (São Marcos, 10)

Lecionou Santo Tomás de Aquino:

Para não resultar num mal maior, que Moisés, apoiado pela Autoridade Divina, não proibiu o libelo de repúdio. Não era isso uma ordem do Espírito Santo, mas apenas uma tolerância para evitar maiores males. ” (Suma Teológica, Livro Suplementar, Q 67, art. 3 –  Do Matrimônio)

Outro equívoco do pensamento divorcista está na  deturpação das palavras de Cristo, em Mateus 19, 9, onde se tem: Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeitar sua mulher, exceto no caso de relacionamento sexual ilícito, e desposa outra comete adultério. ” (São Mateus 19, 9)

A palavra usada por São Mateus, no verso 19, do capítulo 9 de seu evangelho para relação ilícita é no grego pornéia:8

[…] exceto no caso de “relação sexual ilícita…”

legw de umin oti oV an apolush thn gunaika autou ei mh epi PORNEIA kai gamhsh allhn moicatai kai o apolelumenhn gamhsaV moicatai

O termo “adultério” no mesmo texto, utiliza-se o termo moichéia:

[…] e desposa outra comete adultério…”

amhsh allhn moicatai kai o apolelumenhn gamhsaV MOICATAI

Pornéia não era, nunca foi a palavra certa usada para indicar adultério, e sim falso matrimônio de um casal que vivia socialmente e intimamente em situação de casado, sem nunca ter sido, o que equivale apenas a uma simples união natural pagã ou concubinato. Cristo ensina que numa união natural, sem os laços do Matrimonio, inexiste obrigação de vivência perpétua, e nem mesmo, qualquer compromisso de fidelidade e assistência mútua firmado perante Deus, estando, pois, liberados de vínculos perenes, dada ausência de votos matrimoniais diante de Deus, conforme exige a fé cristã.

Nos ensinos de São Paulo podemos entender as palavras do CRISTO:

Se uma mulher desposou um marido pagão e este consente em coabitar com ela, não repudie o marido. (I Cor 7, 13)

Mas, se o PAGÃO QUISER SE SEPARAR, que se separe; em tal caso, NEM O IRMÃO, NEM A IRMÃ ESTÃO LIGADOS. (I Coríntios 7, 15)”

Cristo jamais disse, nem se escreveu que o pecado do adultério daria o direito ao divórcio. Essa confusão, talvez, tenha sido gerada pelo fato do próprio Lutero acreditar que Cristo teria cometido adultério com a mulher samaritana do poço de água: Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela? ” Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (LUTERO, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

Assim fosse, o pecador adúltero seria beneficiado pelo seu próprio pecado, pois caso quisesse romper o juramento que faz a Deus, bastaria adulterar deliberadamente, para então, divorciar, e casar-se novamente.

Mas inúmeras Bíblias protestantes foram alteradas para criar uma exceção onde não existe exceção.

É dito que o que DEUS UNE o homem não pode SEPARAR. E adultério é causado por ato humano, não por obra Divina.

Se o adultério possibilitasse o divórcio, como já dito, bastaria que o esposo ou esposa, interessados em outros amores, maculasse o dever de fidelidade para que pudessem obter o “direito ao divórcio” e fossem premiados com novas núpcias. Confirma-se, que a única exceção dita por Cristo, está no matrimônio inexistente ou união natural, onde não há matrimônio válido. Por isso, recomenda a Igreja aos casais em união natural, que procurem elevar essa união a condição sagrada. Mas daí indaga-se: Estariam definitivamente condenados ao inferno, aqueles que por algum motivo abandonaram os seus respectivos consortes e contraíram uma união natural, conforme alertou o Apóstolo?

Acaso não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis; nem fornicários, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados. ” (I Coríntios 6.9)

Em tese, não, pois podem optar pela retomada da convivência conjugal, necessitando que o auxílio da Graça Divina possa lhes mover a realizar esse propósito. Mas se nenhuma dessas soluções for viável, pelo fato da união ilícita já ter uma prole ou situação familiar de fato consolidada, recomenda-se manterem-se, os conviventes, num estado contínuo de castidade e santificação na CARIDADE, vez que o desfazimento do casamento e segundas núpcias é também uma ação permanente no tempo e no espaço.

[…] A CARIDADE COBRE TODAS AS TRANSGRESSÕES.”5 (Provérbios)

Diante da seriedade e ortodoxia da Doutrina do Matrimônio, os fariseus reclamaram:

Se tal é a condição do homem diante da mulher, melhor que ele não se case. ” (São Mateus 19, 10)

Respondeu-lhes CRISTO:

Nem todos são capazes de compreender; quem puder compreender, que compreenda. ” (São Mateus 19. 11 e 12)


1 Catecismo§2383 A separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito canônico (cf. CIC, cânones 1151-1155).

2 Conforme mencionado pelo próprio Lutero, in “The Life of Luther”, de Himself. Em outra de sua obra (Do Cativeiro Babilônico da Igreja, ano 1.530 ou 1.531), ele não considera o matrimônio sacramento, por entender, erroneamente, que nele não está presente, nem o sinal, nem a promessa de Deus.

3 A heresia do matrimônio como “ordenança” é também de matriz protestante. Ordenança é tudo que se ordena a prática, sem possibilidade de outra alternativa. Por isso, é ORDEM, IMPOSIÇÃO COERCITIVA, sob pena. Não fazer o mal é ordenança. Mas não o Matrimônio não, porque é VOCAÇÃO, vez que é facultado ao ser humano, a guarda da castidade e dos votos monásticos, logo, não tem natureza “ordenatória” como querem os cismáticos com suas toscas doutrinas humanas: “Cada um fique na vocação que foi chamado. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se. (I Coríntios 7. 20, 7 e 8)

4 Bernard Sesboüé, O Matrimônio, in História dos Dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171.

5 CATECISMO: D.37.6 Obra de caridade para com os divorciados: 1651 A respeito dos cristãos que vivem nesta situação e geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Igreja, pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Igreja: sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus.

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