POR QUE O DOMINGO É O MEMORIAL DA NOVA ALIANÇA?

Porque a Nova Aliança requer um memorial mais perfeito que a antiga.

A graça plenamente revelada, não traz mais como ícone o sábado, e sim o Domingo, PRIMEIRO DIA da semana, conforme vemos nas celebrações litúrgicas Eucarísticas registradas nos Atos dos Apóstolos: No PRIMEIRO DIA DA SEMANA, ESTANDO NÓS REUNIDOS PARA PARTIR O PÃO, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite.” (Atos 20. 7)

Desde a antiga aliança, os pães faziam parte das cerimônias litúrgicas em consagração a Deus no dia santificado para a adoração: “Esses pães serão colocados diante do Senhor a cada sábado, continuamente, da parte dos israe­litas: essa é uma aliança perpétua.” (Levítico 24, 8)

Todavia, o apóstolo, junto com a Igreja, realizaram esse ato cerimonial não no sétimo, mas no PRIMEIRO DIA da semana, pois dentro do contexto do pão sacrificial e sagrado, dizem as Escrituras que a Igreja Apostólica desde aquela época, perseverava “[…] na DOUTRINA dos Apóstolos, na reunião em comum, na FRAÇÃO DO PÃO e nas orações.” (Atos 2, 42)

É fato que na arcaica e velha Aliança, Deus deu os sábados aos judeus: OS ISRAELITAS GUARDARÃO O SÁBADO, celebrando-o de idade em idade como um PACTO PERPÉTUO.” (Êxodo 31, 16)

Mas instituída a Nova Aliança no martírio da Cruz, confirmada na ressurreição num DOMINGO, foram elevadas a perfeição todas as Leis Divinas que traziam princípios imutáveis e eternos, como a guarda do sábado e o sacrifício de animais, sendo que também o ritual de adoração que os hebreus realizavam por meio de abate de cabritos, carneiros e touros, também fora inscrito como mandamento eterno:

“Este HOLOCAUSTO SERÁ PERPÉTUO e oferecido em TODAS AS GERAÇÕES FUTURAS.” (Êxodo 29. 42)

Esse holocausto ainda se cumpria no sábado, porquanto era a maneira formal e solene com que os israelitas santificavam aquele que era o sétimo dia:

No dia de sábado oferecereis dois cor­deiros de um ano sem defeito, com dois décimos de flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação, e a libação.” (Números 28, 9)

“Esse é o holocausto perpétuo tal como foi feito no monte Sinai, um sacrifício pelo fogo de suave odor para o Senhor.A libação será de um quarto de hin para cada cordeiro; é no santuário que farás ao Senhor a libação de vinho fermentado. Oferecerás, entre as duas tardes, o segundo cordeiro; e farás a mesma oblação e a mesma libação como de manhã: este é um sacrifício pelo fogo, de suave odor para o Senhor.” (Números 28. 6 e 9)

Denota-se então, que o sacrifício de Cristo tomara lugar do sacrifício de animais, assim como o Domingo tomara lugar do sábado.

Muda-se a formalidade, sem mudar a essência da Lei.

A essência do sacrifício é a expiação dos pecados (Mt 26, 28 e Ex 24, 8), e do sábado é o dia de descanso para se mirar e contemplar todo amor que Deus manifestou através da obra da sua criação. (Hb 4,4 e Gn 2.2) Uma vez EM CRISTO ELEVADOS À PERFEIÇÃO, os cultos arcaicos do dia sabático e dos holocaustos sionistas deixaram a imagem simbólica para tornarem-se uma realidade Divina, aperfeiçoados e alterados na FORMA, mantendo incólume e intacto neles, todavia, o que lhes é essencial, no caso do sábado, o amor de Deus por sua criação, que o levou não apenas à formá-la, como também a restaurá-la no futuro:

“Ora, sem dúvida, há uma censura nestas palavras: Eis que virão dias – oráculo do Senhor – em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma Aliança Nova. Não como a aliança que fiz com os seus pais no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito.Como eles não permaneceram fiéis ao pacto, eu me desinteressei deles – oráculo do Se­nhor.” (Hebreus 8, 8 e 9)

O culto que estes celebram é, aliás, apenas imagem, sombra das realidades celestiais.”  (Hebreus 8.5)

Cristo disse ainda: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. NÃO VIM PARA OS ABOLIR, MAS SIM PARA LEVÁ-LOS A PERFEIÇÃO.” (São Mateus 5, 17)

Tudo que antes existia em figura, existe agora em perfeição por causa de Jesus Cristo, variando na forma, mas sem perder a essência. Nele, todo DECÁLOGO fora APERFEIÇOADO, como por exemplo, o preceito de honrar pai e mãe (Êxodo 20, 12) que na Nova Aliança preconiza aos pais  não serem a causa da “ira dos seus filhos.” (Efésios 6, 4) Ensinou ainda o Apóstolo, que “SE A PRIMEIRA ALIANÇA TIVESSE SIDO SEM DEFEITO, certamente não haveria lugar para outra. (Hebreus 8, 7)

Toda lei promulgada possui um fim.

A guarda sabática era para ser levada à perfeição, para se tornar o memorial de vida que apontaria para a RESSURREIÇÃO DO CORDEIRO VERDADEIRO, deixando no pretérito o memorial incompleto e imperfeito da morte, lembrado no arcaico holocausto do cordeiro pascoal, o animal morto e devorado na ocasião do Êxodo do Egito.” (Deuteronômio 5. 15) Daí então, adveio o DOMINGO,o dia da RESSURREIÇÃO, da VIDA NOVA e ETERNA ao lado do legítimo CORDEIRO, pois “[…] se o Ministério da morte gravado com letra em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés por causa do esplendor de sua face, MUITO MAIS GLORIOSO É O QUE PERMANECE!” (II Coríntios 3, 7 e 11)

Os sábados dos judeus eram apenas os dias consagrados ao memorial da finalização da primeira criação, quando, então, Deus descansou em seu Governo Soberano sobre todas as coisas criadas. Já os DOMINGOS são o memorial da NOVA CRIAÇÃO,  REGENERADA, REDIMIDA  e TESTEMUNHADA em Cristo, o novo Adão, cuja ressurreição fora reservada para ocorrer no primeiro dia da semana.” (São Marcos 16, 2)

A veneração aos velhos símbolos da morte, mediante a celebração das ordenanças imperfeitas do antigo pacto, ocorre até hoje porque os rejudaizantes da fé cristã, “QUANDO LÊEM MOISÉS, UM, VÉU COBRE-LHES O CORAÇÃO.” (II Coríntios 3, 15). Ora, “se Deus fala da Aliança Nova, é que ele declara antiquada a precedente. O que é ANTIQUADO E ENVELHECIDO ESTÁ CERTAMENTE FADADO A DESAPARECER.” (Hebreus 9, 23)

Por conta disso, há nas Escrituras um sinal clarividente apontando no sentido do novo memorial. Esse sinal é a LUZ, um dos elementos representativos de Cristo:

“Eu SOU A LUZ do mundo.” (São João 8, 12)

O PRIMEIRO DIA da criação originária fora inaugurado pela LUZ:

FAÇA-SE A LUZ! Foi o PRIMEIRO DIA.” (Gênesis 1. 1 À 5)

O PRIMEIRO DIA da criação redimida pelo sangue e pela carne santíssima do Cordeiro de Deus, também fora inaugurado pela LUZ: “E no PRIMEIRO DIA DA SEMANA, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado” (São Marcos 16, 2); e “um anjo do Senhor desceu do céu, e rolou a pedra, e sentou-se sobre ela, e RESPLANDECIA COMO RELÂMPAGO e suas vestes eram brancas como a neve.” (São Mateus 28. 1 à 3)

Esses dois marcos trazem o Cristo na prefiguração da Luz.

Assim, EleABOLIU O ANTIGO REGIME E ESTABELECEU UMA NOVA ECONOMIA.” (Hebreus 10, 9)

Desta forma, a manutenção do culto aos símbolos da Velha Aliança torna-se um grave pecado contra a GRAÇA.

A Lei perpétua fora instituída no propósito de direcionar, honrar e mostrar o Governo Universal do Deus Pai através do Filho, e o papel protagonístico deste no plano da salvação, por onde se afirma que a Lei da Guarda do Sábado, enquanto Dia Sagrado, só tinha sentido porque apontava para a primeira vinda de Cristo, concebido, gerado, sacrificado e ofertado por nossos pecados na Cruz. Cumprindo-se a primeira vinda do Messias, cumpriu-se o objeto da guarda sabático, e com o advento da Nova Aliança, é certo que a lei eterna do Dia Santo, deveria agora redirecionar para a segunda vinda daquele que seria o primeiro dos homens à ressuscitar para vida eterna, após o seu sacrifício vicário, conforme anunciado e testemunhado por sua ressurreição.

Portanto, cultuar ainda em veneração, as liturgias cerimonialistas que trazem o regresso ao velho pacto, significa negar e desprezar a Nova Aliança, incorrendo em grave pecado: “Todas as cerimônias da lei eram uma afirmação de fé. Ora, embora seja a fé que temos em Cristo a mesma que tiveram os antigos Patriarcas, eles precederam, e nós viemos depois, a mesma fé é expressa por nós e por eles por modos diferentes. A eles foi dito: – Eis que uma virgem conceberá no seu ventre e dará à luz um filho, SENDO O VERBO EMPREGADO NO FUTURO; ao contrário, NÓS O AFIRMAMOS COM O VERBO NO PASSADO: CONCEBEU NO SEU VENTRE E DEU À LUZ. Semelhantemente, as cerimônias da lei antiga significavam que Cristo havia de nascer e sofrer; ao passo que os nossos sacramentos significam que nasceu e sofreu. Assim, peca mortalmente quem, afirmando sua fé, pois diz como os judeus, que Cristo haverá de nascer. Depois da promessa realizada, deve ela manifestar-se por outro sinal, a saber, o batismo, que, assim, substitui a circuncisão, conforme diz o Apóstolo (Cl 2, 11-12): POR ISSO, O SÁBADO, QUE SIGNIFICAVA A CRIAÇÃO INICIAL, FOI MUDADO NO DOMINGO, EM QUE SE COMEMORA A NOVA CRIAÇÃO, COMEÇADA COM A RESSURREIÇÃO DE CRISTO. (Santo Tomás deAquino. Suma Teológica, Da Lei e a Duração dos Preceitos Cerimoniais,  Q 103 art. III e IV)”

Não por outra razão, a Igreja desde o primeiro século ensinava fugir do judaísmo farisaico ou qualquer outra heresia judaizante da fé cristã: “Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem circuncidado do que a judaica de um não-circuncidado.” (Santo Inácio de Antioquia, anos 70 – 110, Epístola aos Filadelfos, cap. IV. 6)

Assim, se guardar o DIA DESCANSO, o shabat (שְׁבִיעִי) na Antiga Aliança tinha por fim contemplar a criação originária, na Nova Aliança tem por desiderato contemplar a criação RESTAURADA, trazendo o Domingo como representação da ressurreição de toda carne redimida. Manteve-se o mandamento, alterando o dia e a identidade da vítima do holocausto, que em vez de ser ofertada em carneiros sacrificados, seria ofertada nos sinais do seu sacrifício na Cruz, nas espécies do pão (carne) e vinho (sangue), sendo que na vigência dos sábados judaicos fora profetizada a santificação do DOMINGO (oitavo dia no calendário lunissolar hebraico):

[…]o dia OITAVO será também soleníssimo e SANTÍSSIMO, e oferecereis um holocausto ao Senhor, PORQUE É DIA DE AJUNTAMENTO E ASSEMBLÉIA; NÃO FAREIS NELE OBRA ALGUMA SERVIL.” (Levítico 23. 36)

Diante disto, “[…] ninguém, pois, vos critique por causa da comida ou bebida; ou espécie de festa ou de luas novas ou DE SÁBADOS.” (Colossenses 2, 16)

Não são os sábados atuais que me agradam, senão aquele que eu fiz, e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do OITAVO DIA, isto é, o COMEÇO DO OUTRO MUNDO. Eis porque celebramos como festa alegre o OITAVO DIA, no qual JESUS CRISTO RESSUSCITOU dos mortos, e depois de se manifestar, subiu aos céus.” (Epístola de Barnabás, documento cristão do ano de 98 DC, XV. versos IV a VIII)

 

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