SACRAMENTO: REALIDADES ESPIRITUAIS ABRIGADAS NA MATÉRIA NATURAL.

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Restou dito por Deus ao Apóstolo: “A ti, basta a minha Graça.”[1]

Mas a Graça invisível e imaterial de Deus, que só nos pôde vir por meio do sacrifício corpóreo e visível de Jesus Cristo, há de se estender aos indivíduos numa realidade igualmente visível chamada ?sacramento?.

A ninguém é dado receber, ou conservar a Graça, sem interagir diretamente com o sacrifício do Cordeiro. Cristo nos salva em sua Santíssima carne, pois só em sua natureza humana Ele se tornou oferta sacrificial para remissão dos nossos pecados, unindo nossa humanidade à humanidade Dele,[2] e com isso, nos reconectando com a Divindade:

“Ele vos reconciliou PELA MORTE de seu CORPO HUMANA,[3] para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. ” (Colossenses 1. 22)

E assim, […] somos um só Corpo em Cristo, (Romanos 12,5)

“Assim, irmãos, também vós estais mortos para a Lei, PELO SACRIFÍCIO DO CORPO DE CRISTO, para pertencerdes a outrem, àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos para Deus. De fato, quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarmos para a morte. Agora, mortos para essa Lei que nos mantinha sujeitos, dela nos temos libertado, e nosso serviço realiza-se conforme a renovação do Espírito e não mais sob a autoridade envelhecida da letra. ” (Romanos 7. 5 e 6)

A santa Paixão de Cristo na cruz nos deixou sinais emanados do sangue e da água que verteram de seu Corpo que jazia sacrificado, sendo estes, os elementos aparentes da Onipresente da sua Humanidade Encarnada, ainda no meio de nós:

“[…] mas um dos soldados ABRIU-LHE O LADO com uma LANÇA e, imediatamente, SAIU SANGUE E ÁGUA. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46) E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram.[4] (São João 19. 34 a 37).

Ei-lo, Jesus Cristo, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA E PELO SANGUE; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. ” (I São João 5. 6)

“Porquanto os filhos participam da mesma natureza, DA MESMA CARNE E DO SANGUE, TAMBÉM ELE PARTICIPOU, A FIM DE DESTRUIR PELA MORTE AQUELE QUE TINHA O IMPÉRIO DA MORTE, isto é, o demônio, (Hebreus 2, 14)”

Dos sinais sacramentais que floresceram do Corpo sacrificado de Jesus é que sua Paixão nos é aplicada. Por esta razão, é certo afirmar que a NATUREZA HUMANA de Cristo se faz ONIPRESENTE nos sinais corpóreos extraordinários produzidos das dores de sua crucificação.

Os sacramentos, portanto, não são símbolos pedagógicos sem valia alguma, num ritual legalista inútil à salvação por não conter qualquer virtude espiritual, como pensam os cismáticos, gnósticos e os apóstatas.

Sacramento, do grego mysterion, aplicado ao contexto sacramental,[5] significa a realidade transcendente e espiritual, que o próprio Deus deposita e oculta numa matéria natural, a qual não pode ser enxergada, captada ou percebida apenas pelos sentidos naturais:

PELA FÉ, RECONHECEMOS que o mundo foi formado pela Palavra de Deus, e QUE AS COISAS VISÍVEIS SE ORIGINARAM DO INVISÍVEL. ” (Hebreus 11. 3)

Cristo, enquanto o VERBO ENCARNADO, é por Excelência o SUMO SACRAMENTO.

Não como sinal, mas na totalidade da sua Humanidade tomada pela Divindade, pois toda realidade que Cristo produziu para salvação dos homens, Ele obrou na matéria do seu corpo humano por meio da Encarnação do Verbo, do Sacrifício do Cordeiro e da Ressurreição da Carne.

A Divindade do Cristo é a Verdade transcendente, ?ocultada? na matéria humana natural. Verdade que se reconhece, se capta, nem se enxerga somente pelos olhos da fé. Por isso, Pilatos e os judeus não o viam como Deus,[6] pois só o viam pela visão dos sentidos que apreende apenas Jesus em sua humanidade.

Mas é certo que Ele é “[…] a IMAGEM DE DEUS INVISÍVEL, o Primogênito de toda a criação.” (Colossenses 1. 15)

“Desde a criação do mundo, AS PERFEIÇÕES INVISÍVEIS DE DEUS, o seu sempiterno Poder e Divindade, se tornam VISÍVEIS à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. ” (Romanos 1, 20)

O corpo crucificado do Cordeiro nos revelou sua Divindade, e através desse Corpo, é poderemos encontrá-lo nos sinais da água e sangue, pelos quais nos é dado interagir com o sagrado.

Ora, a Graça espiritual de Deus não pode alcançar espiritualmente um ser corpóreo, senão quando também é recebida no corpo deste ser.

É como disse o Apóstolo:

SE HÁ UM CORPO ANIMAL, também há um ESPIRITUAL. ” (I Coríntios 15,44)

MAS NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL[7]; o espiritual vem depois. ” (I Coríntios 15, 46)

Toda matéria viva é sensível; e todo Espírito é transcendente. E o que é sensível, tanto recebe, quando percebe antes que o espiritual.

Conforme ainda uma Lei Natural descoberta pelos físicos, chamada LEI DA GRAVITAÇÃO UNIVERSAL revelada por Isaac Newton (1.689) em sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, toda matéria só se move, e só exerce atração para outra matéria ou massa idêntica.

Ajustamento essa Lei Física à economia dos sacramentos, é certa a compreensão de que o ser humano imperfeito e decaído não poderia se mover a Deus, senão por meio de uma humanidade semelhante, perfeita e incorrupta:

“Sim, é tão sublime o mistério da bondade divina: “manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na glória!” (I Timóteo 3, 16)”

“O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, O SEU PRÓPRIO FILHO NUMA CARNE SEMELHANTE À DO PECADO, CONDENOU O PECADO NA CARNE, (Romanos 8, 3)”

Santo Tomás de Aquino explica:

É da natureza humana o corpóreo e o sensível até atingir ao espiritual. A ligação espiritual final, atinge primeiro a sensibilidade e o intelecto. Por isso, convinha a Divina Sabedoria conferir auxílios à salvação, sob certos sinais corpóreos e sensíveis chamados sacramentos; […] pelo pecado, o homem tornou-se sensível e afeito às coisas corpóreas; […] e onde padece uma doença, aí se deve aplicar o remédio. Por meio de sinais corpóreos, Deus aplica ao homem uma medicina espiritual, como era a circuncisão. Pelos sacramentos, o homem é ensinado conforme sua natureza. ” (Suma Teológica Questão 65, art. 1º Dos Sacramentos. Livro IIIa)

Assim, quando recebemos em nosso corpo físico as virtudes espirituais da Graça, provindas dos sinais da Paixão de Cristo instrumentalizados por meios dos sacramentos, essa Graça recebida em nossa carne é conduzida até nossa alma espiritual. Nisso se compreende que Espírito do Criador não agirá diretamente no ser humano para lhe ministrar a salvação, senão através de uma MEDIAÇÃO.

E o único Mediador, que é três numa só Pessoa, possui duas naturezas distintas e sagradas, sendo Deus pleno e homem perfeito, naturezas estas, que não se confundem e nem se anulam, antes, se comunicam em perfeição absoluta.[8]

Ele é Deus e homem, e, portanto, Espírito e matéria.

O Espírito Divino é o elemento incriado que sempre existiu, ao passo que a matéria que Ele toma, transforma e diviniza quando se encarna é retirada da própria criação, precisamente do elemento adâmico que o liga aos antigos patriarcas.

Daí, temos que:

Primeiro: — por vontade de Deus, a obra da regeneração da criatura (e que procede do Espírito Divino), não alcança o ser humano diretamente, senão por Mediação;

Segundo: — o Mediador não é exclusivamente Espírito, mas Espírito e matéria, porquanto todas as graças e virtudes espirituais que nos levam à regeneração do pecado, foram depositadas na matéria corpórea do Verbo Encarnado, e só depois nos são comunicadas através do seu Corpo sacrificado.

Terceiro: — Deus se comunica com o ser humano por completo, e sendo esse ser humano, espírito e matéria, essa comunicação ocorrerá nesses dois elementos.

Disto ainda tiramos outra tríplice conclusão:

Primeira: — convinha o Verbo se fazer carne, para que todas as coisas invisíveis e sobrenaturais de Deus pudessem se tornar visíveis e acessíveis ao homem carnal. 

Segunda: — sendo o homem atingido por inteiro, no corpo e espírito pelo pecado, a Graça que o salvará no espírito, será também para o corpo, por causa da necessidade da ressurreição da carne.

Terceira: — justamente pela necessidade do ser humano ressuscitar na carne, é que a Graça de Deus não lhe deve ser comunicada apenas e tão somente na alma espiritual, mais também na matéria corporal; e sendo indivisivelmente criado corpo e alma espiritual, o que lhe atinge na matéria, atingirá após na alma.

Por causa da mediação, é que toda Graça de Deus é disposta na Humanidade de Jesus, para só depois vir a ser partilhada à humanidade dos indivíduos, porque Deus não salva almas ou seres puramente espirituais, mas ao ser humano por completo, em corpo e alma.

Todavia, é certo que os defeitos e vícios da alma são causados pelo pecado da carne.

Como disse o Apóstolo, “[…] os desejos da carne combatem contra a alma. ” (I São Pedro 2, 11)

A corrupção da alma é fruto da fragilidade do corpo, corroído pela condição pecaminosa que altera e deteriora os sentidos, a vontade e o intelecto, desordenando-os da visão contemplativa de Deus, permitindo ainda que os instintos animais se sobreponham à razão e a sabedoria espiritual.

Ora, onde reside a doença, ali se aplica o remédio.

Como do veneno da cobra veio o soro antiofídico, é da própria humanidade que Deus, o Sumo Médico do corpo e da alma, extraiu o remédio sobrenatural para salvação dos que padecem no risco da perdição eterna.

Dessa forma, restou instituído o plano da salvação, denominado pelo Magistério da Igreja como Teândrico, que implica o plano em que a Divindade ou Theo (????) atua e maneja através de uma humanidade ou Andro (??????).

A HUMANIDADE SANTÍSSIMA do Cordeiro será uma espécie de filtragem na qual nossa humanidade, maculada pelo pecado e transgressão à Lei Divina será restaurada para a ressurreição da carne no juízo final.

E assim podemos sintetizar o plano divino da redenção humana:

“Restaurar a humanidade corrompida e morta pelo pecado, por meio de uma Humanidade incorrupta, imortal e santíssima que o próprio Deus através de Cristo, assumiu, Divinizou e ofertou como sacrifício de Justiça, para depois partilha-la conosco, nos tornando sacrifício em comunhão com o sacrifício Dele.”[9]

Nos sinais extraordinários provindos do corpo martirizado de Jesus, é que os homens se incorporam à cruz e ao mistério do sacrifício do Cordeiro de Deus fez para remissão dos nossos pecados.

Se no mistério Glorioso da Encarnação do Verbo, o criador escolheu tomar a nossa matéria criada, e transformá-la em via condutora do seu Espírito incriado, de igual modo acontece com a água batismal, na qual habita o Espírito Divino, comunicador das Graças oriundas do sacrifício do Cordeiro:

“No princípio, Deus criou os Céus e a terra, a terra era informe e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e o ESPÍRITO de Deus PAIRAVA SOBRE as ÁGUAS. ” (Gênesis 1. 1 a 3)

Por causa do pecado, o nosso elemento orgânico tornou-se incapaz de ascender à Graça independentemente da matéria, sendo que a matéria que nos liga ao sagrado está nos elementos do corpo santo do mediador. (I Tm 3, 15; Ef 5, 23 e 24)

Deus não só nos deu a salvação gratuita, mas também os meios e os instrumentos que precisamos para obtê-la. E sendo a graça, algo sobrenatural, também sobrenaturais seriam os meios para acessá-la.

Ensinam as Escrituras, que “[…] são insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e ATRAVÉS DOS BENS VISÍVEIS, não souberam conhecer aquele que É, nem reconhecer o Artista considerando suas obras. ” (Sabedoria 13. 1)

Nas profecias antigas a respeito de sinais que viriam do céu, bem como, do Sacerdócio Apostólico da Nova Aliança, cuja autoridade se conferiria para ministração desses sinais misteriosos, restou dito:

“Não imiteis o procedimento dos pagãos, NEM TEMAIS OS SINAIS CELESTES, COMO TEMEM OS PAGÃOS. ” (Jeremias 10. 2)

Respondeu Jesus: “Porque a vós (Corpo Apostólico) é dado COMPREENDER OS MISTÉRIOS do Reino dos Céus, mas a eles (judeus) não. (São Mateus 13, 11) Que os homens nos conside­rem, pois, como simples ope­rários de Cristo, e ADMINISTRADORES DOS MISTÉRIOS DE DEUS. (I Coríntios 4, 1)”

“Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram, comprovando-a o próprio DEUS, POR SINAIS, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a sua vontade? ” (Hebreus 8, 3,4)

Mas é ainda sabido, que no mistério da bondade Divina, manifestado nos primeiros sinais originários da água da qual emana a pureza e a assepsia; e do sangue do qual emana todos os atos sacrificiais e de comunhão corporal, produziram-se outros selos, totalizando sete sinais:

Conforme a economia dos sacramentos, estes são os sete sinais materiais deixados por Cristo à sua Única Igreja: Batismo (água); Crisma (água e óleo); Matrimônio (união carnal e sanguínea); Ordem ou Ordenação Sacerdotal (água e a carne e o sangue que o Ministro ordenado oferta o Corpo de Cristo); Eucaristia (sangue e carne do Corpo de Cristo); Penitência e Unção aos enfermos (água, óleo e sangue).

“Vi também na mão direita de quem estava assentado no Trono, um Livro escrito por dentro e por fora, SELADO COM SETE SELOS. ” (Apocalipse 5. 1)

Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra. ’ (Apocalipse 5. 9 -10)

“Quem é digno de abrir e desatar os selos? O Leão da Tribo de Judá, o DESCENDENTE DE DAVI, achou meio de abrir o Livro E DESATAR OS SETE SELOS.”[10] (Apocalipse 5. 2 e 5)

Os sinais materiais ou corpóreos sempre estiveram, e ainda estão presentes na relação espiritual entre Deus e os seres humanos, através da Igreja.

Após substituir o sinal da circuncisão (Gálatas 6, 16) pelo batismo (Atos 9, 18), e assim, o judaísmo farisaico pela fé cristã, apostólica e romana (Rm 1.1 a 8; 6, 17; 15, 14 e 16, 20), admitiu de viva voz o Apóstolo toda importância da marca corpórea do Verbo Encarnado:

“Porque a circuncisão e a incircuncisão de nada valem, mas sim a nova criatura. De agora em diante, trago em MEU CORPO AS MARCAS DE JESUS. ” (Gálatas 6. 15-17)

“Ele NOS MARCOU COM O SEU SELO e deu aos nossos corações o penhor do Espírito. ” (II Coríntios 1. 22)

O Antigo Testamento prefigurou aquilo que viria pelos sacramentos, ou seja, a comunicação indissolúvel entre a matéria criada e o Espírito eterno e incriado.

Temos sinais no sangue dos cordeiros marcando as portas dos hebreus e nos pães consumidos em celebração antes da fuga do Egito, prefigurando a eucaristia:

“[…] SANGUE sobre as casas em que habitais vos servirá de SINAL: vendo o sangue, passarei adiante, e não sereis atingidos pelo flagelo destruidor, quando eu ferir o Egito. ” (Êxodo 12, 13)

“Comer-se-ão pães sem fermento durante SETE DIAS. Não se verão em tua casa, em toda a extensão do território, nem pães fermentados, nem fermento. ” (Êxodo 12. 15) “[…] será isso para ti como um SINAL sobre tua mão, como uma MARCA entre os teus olhos, a fim de que tenhas na boca a lei do Senhor, porque foi graças à sua poderosa mão que o Senhor te fez sair do Egito. ” (Êxodo 13. 9)

Há ainda sinais nos elementos das águas, prefigurando o batismo: 

“ ASPERGI-ME com um ramo de hissope e FICAREI PURO. LAVAI-ME e me tornarei MAIS BRANCO QUE A NEVE. ” (Salmo 50. 9)

“ A prosperidade do homem está na mão de Deus; é ele que PÕE NA FRONTE do escriba um SINAL de honra. ” (Eclesiástico 10. 5)

Há outros sinais, que Deus colocou na própria matéria orgânica de certos homens, como prova da eficiência da comunicação entre matéria e Espírito Divino, assim como entre as naturezas divina e material do Cristo: 

“ Cortareis a CARNE de vosso PREPÚCIO, e isso será o SINAL DA ALIANÇA ENTRE MIM E VÓS. ” (Gênesis 17. 11) “[…] navalha não tocará a sua cabeça, porque esse menino será nazareno de Deus desde o seio de sua mãe, e será ele quem livrará Israel da mão dos filisteus. ” (Juízes 13. 5) OS SEUS CABELOS recomeçavam a crescer. ” (Sansão, no livro dos Juízes 16. 22)

Certos prodígios e inúmeros milagres que foram canalizados por intermédio de determinados objetos:

“Toma em tua mão ESTA VARA, com a qual operarás prodígios. ” (Êxodo 4.17) “Eis o que diz o Senhor: nisto reconhecerás que eu sou o Senhor: vou ferir as águas do Nilo COM A VARA que tenho na mão e elas se mudarão em sangue. ”  (Êxodo 7.17)

Notamos Deus realizando o sobrenatural utilizando-se da matéria natural criada, como na cura do cego com emprego de saliva e argila:

“Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: “Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. DITO ISSO, CUSPIU NO CHÃO, FEZ UM POUCO DE LODO COM A SALIVA E COM O LODO UNGIU OS OLHOS DO CEGO. Depois lhe disse: “Vai, lava-te na piscina de Siloé” (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.” (São João 9. 1 – 7) 

Apenas com o Poder de suas Palavras, logicamente, poderia Jesus tê-lo curado da cegueira.

Mas a forma utilizada para cura, foi um modo de ensinar os efeitos da Encarnação do Verbo, pois a Divindade invisível agiria por meio da matéria visível que é a argila ou lodo, sendo o logo uma figura da Humanidade do Verbo, fez que toda humanidade fora criada do barro e da argila que contém o lodo da terra:

O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem se tornou um ser vivente. (Gênesis 2, 7)”

Embora essas prefigurações, como protótipos, não contivessem plenamente a Graça, continham certas manifestações dela no perdão; na purificação; na força física na ajuda Caritativa aos cativos, e nos atos sacrificiais, dentre outros.

Atuando na matéria, o criador quis que estes sinais servissem de preparo para os sinais verdadeiros do porvir, demonstrando ser Ele o único capaz de reunir novamente a criação com o criador; o natural com o sobrenatural; o material com espiritual, e assim, a matéria perecível e poder da Divindade imortal.

Os sinais arcaicos e figurativos da antiga Aliança, perduraram até a chegada dos legítimos sinais sacramentais.

Unindo-se a matéria de sua criatura, a Divindade de Cristo não se despiu ou perdeu quaisquer dos seus atributos.

Ensina Santo Agostinho: 

“Por ter-se unido à carne humana, não abandonou ou perdeu o exercício do Governo Universal; pois Deus é Grande pela sua Virtude. Por isso, a Grandeza não se comprimiu com a exiguidade local. Não é, portanto, incrível, que O VERBO DEUS, PERMANEÇA TOTAL E SIMULTANEAMENTE EM TODA PARTE. Por onde, nenhum inconveniente resulta para Deus, a Encarnação. ” (Aquinate, 1, I.)

Há em Cristo duas naturezas, unidas perfeitamente sem confusão ou separação (em hipóstase), e numa só Pessoa, num único ser, atuando harmonicamente.

Entretanto, há operações que são próprias da natureza humana, como comer e o andar. Outras que são próprias da natureza Divina, como milagres e os prodígios, e por fim, há algumas que são próprias da natureza Divina, instrumentalizadas em sua natureza humana, como a ressurreição e oferta seu corpo e do seu sangue na matéria do pão e do vinho. 

A natureza Divina, eterna e imortal do Cristo, operou a ressurreição através da sua natureza humana.

Assim, o Divino humano se relaciona de modo equilibrado com o humano Divino.

Em Cristo convinha coexistirem duas naturezas, porque: 

Primeiro: — se não fosse Divino, não serviria de sacrifício digno para Deus;

Segundo: — se não fosse humano não redimiria a humanidade na carne e na alma, e nem serviria sacrifício, posto que só sua natureza humana poderia morre

Cristo é a Divindade humanizada e a humanidade Divinizada.

Em seu corpo Encarnado, guardam-se todos os elementos e sinais onde podemos encontrá-lo e interagir com Ele.

Os sacramentos são verdadeiramente a extensão do Corpo Encarnado de Cristo entre nós, o qual ascendeu ao Céu e que mesmo assim continua presente através do depósito da Fé dado à sua única Igreja: 

Ele, que esteve visível como nosso redentor, agora passou para os sacramentos. (São Leão Magno, ou São Leão I, ano + 440) ”

Negar os sinais, é negar a Onipresença do Deus Encarnado.

Finaliza Santo Tomás: — “[…] os sacramentos podem ser considerados em relação à CAUSA Santificante que é o VERBO EN­CARNADO, que por meio de coisa visível toca o corpo, e é crido pela alma por meio da Palavra.  Donde vem essa tão grande virtude da água de tocar o corpo e puri­ficar o coração, senão do Verbo enquanto crido? ” (Suma Teológica Q 60, art. 5º Dos Sacramentos)

Negar os sinais celestial outorgados à matéria natural, implicaria negar que Cristo, em suas duas naturezas indivisíveis, ainda esteja Onipresente na história da humanidade, como Ele próprio dissera, por onde se afirma categoricamente, que a Onipresente da Humanidade do Verbo Encarnado se faz presente nos sacramentos: 

O ESPÍRITO DA VERDADE QUE O MUNDO NÃO PODE ACOLHER PORQUE NÃO SE VÊ, NEM O CONHECE. VÓS CONHECEIS PORQUE PERMANECE CONVOSCO! EU VIREI A VÓS! O MUNDO NÃO ME VERÁ, MAS VÓS ME VEREIS, PORQUE EU VIVO EM VÓS E VÓS VIVEREIS. NESSE DIA COMPREENDEREIS QUE ESTOU EM MEU PAIS, E VÓS EM MIM E EU EM VÓS. ” (São João 14 a 20)

Trabalhai, não pela COMIDA QUE PERECE, mas pela que DURA ATÉ A VIDA ETERNA, que o Filho do Homem vos dará. POIS NELE DEUS PAI IMPRIMIU UM SINAL.” (São João 6, 27) Pois a MINHA CARNE é VERDADEIRAMENTE uma COMIDA e o MEU SANGUE, VERDADEIRAMENTE uma BEBIDA. (São João 6, 55) ”

Por onde então se afirma, que a Onipresente de Cristo ?em sua HUMANIDADE?, de modo extraordinário e miraculoso se faz presente de modo contínuo nos sacramentos.

 

 

 

[1] II Coríntios 12.9

[2] O corpo é uma unidade, embora seja composta de muitas partes. E embora suas partes sejam muitas, todas elas formam um corpo. O mesmo acontece com Cristo. (I Coríntios 12.12)

[3] Porque a humanidade teria que ser sacrificada em sua própria natureza mortal, e não na natureza imortalizada na humanidade. (Tratado do Verbo Encarnado, S. Tomás de Aquino, Q 14, art. 1º)

[4] Zacarias 12,10.

[5] Na cultura greco-romana, era o “selo no corpo” que os Centuriões faziam para demonstrar fidelidade ao Imperador. (Russel Norman. Enc.Bíblica teologia e filosofia.6. ed. SP Hagnos, v. 5, 2002. p. 302)

[6] São João 18. 33 -40.

[7] Na prática é assim: Se somos agredidos fisicamente, é o corpo que primeiro sente a dor, e só depois nasce no espírito o desejo de vingar, perdoar ou de justiçar.

[8] Na UNIÃO HIPOSTÁTICA, as Naturezas Divina e Humana de Cristo são inconfusas, indivisíveis e inseparáveis. As naturezas estão juntas, mas não se misturam; são distintas, mas não separadas. (Concílio de Calcedônia, 451). ” Cristo não é metade Deus, metade homem, mas Deus Homem Encarnado. É o princípio Teândrico da Salvação: no grego teo = Deus + andros = Homem. 4 – DIOFISISMO é o termo teológico que identifica a posição Oficial da Igreja, quanto a União das Naturezas em Comunicação (Communicatio Idiomatum). 5 – Rom, 1, 3; II Tim. 2,8; Rom. 9,5; Heb. 2, 16. 6 – Por isso está escrito: “Ei-lo Jesus, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA” (I Jo 5.6); todos que fostes BATIZADOS, FOSTES REVESTIDOS DE CRISTO. (Gal 3, 20) ”

[1] II Coríntios 12.9.

[2] O corpo é uma unidade, embora seja composta de muitas partes. E embora suas partes sejam muitas, todas elas formam um corpo. O mesmo acontece com Cristo. (I Coríntios 12.12)

[3] Zacarias 12,10.

[4] Na cultura greco-romana, era o “selo no corpo” que os Centuriões faziam para demonstrar fidelidade ao Imperador. (Russel Norman. Enc.Bíblica teologia e filosofia.6. ed. SP Hagnos, v. 5, 2002. p. 302)

[5] São João 18. 33 -40.

[6] São João 18. 33 – 40.

[7] Na prática é assim: Se somos agredidos fisicamente, é o corpo que primeiro sente a dor, e só depois nasce no espírito o desejo de vingar, perdoar ou de justiçar.

[8] Na UNIÃO HIPOSTÁTICA, as Naturezas Divina e Humana de Cristo são inconfusas, indivisíveis e inseparáveis. As naturezas estão juntas, mas não se misturam; são distintas, mas não separadas. (Concílio de Calcedônia, 451). ” Cristo não é metade Deus, metade homem, mas Deus Homem Encarnado. É o princípio Teândrico da Salvação: no grego teo = Deus + andros = Homem. 4 – DIOFISISMO é o termo teológico que identifica a posição Oficial da Igreja, quanto a União das Naturezas em Comunicação (Communicatio Idiomatum). 5 – Rom, 1, 3; II Tim. 2,8; Rom. 9,5; Heb. 2, 16. 6 – Por isso está escrito: “Ei-lo Jesus, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA” (I Jo 5.6); todos que fostes BATIZADOS, FOSTES REVESTIDOS DE CRISTO. (Gal 3, 20) ”

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