POR QUE CONVINHA A CRISTO UMA MÃE SEM PECADOS?


Existem dois princípios na obra da concepção de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, o Deus feito homem. O princípio ATIVO do qual provém sua DIVINDADE; e o PASSIVO do qual advém sua HUMANIDADE.

O princípio ativo tem como agente a PESSOA do ESPÍRITO SANTO, que é DEUS, e que para conceber e gerar o Verbo Encarnado, que também é DEUS,1 unira-se à humanidade da Mulher, tomando dela o corpo e a carne2 como receptáculos, tornando esta, a paciente sobre a qual atuaria.

O agente ativo é o que semeia, sendo o agente passivo o que sofre a ação do semeador.  Conclui-se, portanto, que o que o Espírito Santo semeou na carne da Virgem, e se tem como o seu fruto, é o próprio Deus tornado homem: “Eis que uma Virgem CONCEBERÁ, e dará a luz a UM FILHO que se chamara Emanuel, que significa DEUS CONOSCO.” (São Mateus 1. 23)

O que nasce de Maria é UM FILHO,3 e esse Filho É DEUS, é Deus CONOSCO, Deus Encarnado Homem, do que se conclui ainda, sem muito esforço ser a Santíssima Virgem, a Mãe de Deus, pelo Filho Divino tornado humano em seu ventre.

E eis que EM TEU VENTRE CONCEBERÁS e DARÁS À LUZ um FILHO,4 e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. […] Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? E, respondendo o anjo, disse-lhe: DESCERÁ sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo TE COBRIRÁ com a sua sombra; pelo que também o Santo, que DE TI HÁ DE NASCER,5 será chamado Filho de Deus.” (São Lucas 1. 25, 34 e 36)

O Espírito Divino é a causa eficiente da concepção, formando exclusivamente do material biológico que apreendeu da Virgem, aquele que nascera Deus e homem, sendo Filho de Deus por natureza Divina, e Filho do homem por natureza humana. Sobre a união em hipóstase6 das naturezas em Cristo, formando uma ÚNICA Pessoa, ensinou Santo Tomás de Aquino: “[….] sua natureza (humana) foi tão perfeitamente unida ao Verbo de Deus na unidade de Pessoa, que o Filho do homem foi o mesmo que o Filho de Deus. (Suma Teológica, Q 32, art. 1 Livro IIIa. Do Verbo Encarnado)”

A humanidade foi assumida numa UNIDADE perfeita e inseparável com a Divindade, numa única Pessoa, razão porque, se diz de Cristo como o Filho de Deus, e simultaneamente Filho do homem (Filho gerado numa humanidade): “E dizia-lhes: O FILHO DO HOMEM é Senhor até do sábado.” (São Lucas 6.5) “Assim será no dia em que o FILHO DO HOMEM se há de manifestar.” (São Lucas 17.30) “Porque o FILHO DO HOMEM veio salvar o que se tinha perdido.” (São Mateus. 18.11) “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o FILHO DE DEUS não tem a vida.” (I João 5, 12) “Tu és o Cristo, o FILHO DE DEUS vivo. (São Mateus 16. 13 à 19)”

Mas sendo o Espírito Santo uma das PESSOAS DIVINAS da Trindade, jamais entraria em consórcio com uma mulher, tomando dela o material biológico para gerar a Pessoa Divina do Filho, se não fosse essa Mulher PURA e ISENTA previamente de todo pecado, e de todo mal. Ora, a teoria que DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO, pudesse ter entrado em comunhão com uma pecadora, é admitir que a Luz pudesse ter tido alguma relação promíscua com as trevas, manchando o Bem com o mal, e assim, toda Dignidade do Verbo Encarnado. A concepção de Cristo se realizou pela UNIÃO entre a Mulher e o Espírito Divino, logicamente porque nem a Mulher, nem o Espírito Santo conceberam sozinhos, senão em consórcio unitivo: “[…] o Espírito Santo DESCERÁ SOBRE TI.” (São Lucas 25, 34 e 35) Que comunhão harmônica e fraterna poderia haver entre Deus, na Pessoa do Espírito Santo, e uma escrava do pecado mantida nesta condição? “QUE UNIÃO HÁ entre a Justiça e a Iniquidade? LUZ e TREVAS? E que parte tem o fiel com o infiel? (II Corintios 6, 14)” “Quem DO IMUNDO TIRARÁ O PURO? Ninguém!” (Jó 14.4)

São Tiago ensinou que qualquer amizade com o pecado, equivaleria a inimizade contra Deus: “[…] não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer um que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.” (São Tiago 4. 4)

Ora, o Espírito Santo é DEUS, e DEUS não é inimigo de si mesmo, razão porque, não poderia na concepção do Cristo, interagir em harmonia com a carne pecadora da Mulher, e daí, o pecado dessa Mulher e a Santidade plena do Espírito Santo atuarem juntos na concepção do Verbo, pois “não podeis servir a Deus e a mamon.” (Mt 6.24)

O pecado original é o contágio de todo ser humano com a maldade, em razão de nascer desprovido da comunhão com Deus por causa do pecado de ADÃO E EVA, e que é transmitido aos filhos pelas mães por ocasião da concepção. Desse pecado, lhes advém por herança todos os defeitos, imperfeições e vícios de atos e hábitos adquiridos da natureza pecaminosa: “Que é o homem para que seja puro? E o que NASCE DA MULHER para que fique justo? (Jó 15.14)” “Eis que em INIQUIDADE FUI FORMADO, e em PECADO ME CONCEBEU MINHA MÃE. (Salmo 51.5)” Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e COMO SERIA PURO AQUELE QUE NASCE DA MULHER? (Jó 25. 4 e 6)” Convinha então, que APENAS em Maria Santíssima, o ciclo familiar da transmissão da natureza pecaminosa fosse interrompido por causa do Cristo, sendo que o modo conveniente para essa interrupção, era na antecipação da salvação7 daquela incumbida de gerar em si o Verbo Encarnado, para que a humanidade do Filho Divino não ficasse exposta a herança do pecado materno, e desta maneira fosse concebida com uma tendência à pratica dos atos maus. Ora, se o pecado da mãe não poderia ser transmitido, então não poderia ser recebido por ela. Maria assim, fora o escudo que Deus criou, e usou para proteger e manter incólume a humanidade redentora do Filho, conforme as Escrituras:

Até quando andarás errante, ó filha rebelde?8 Porque o SENHOR criou UMA COISA NOVA sobre a terra; UMA MULHER PROTEGE A UM VARÃO.” (Jeremias 31.22)

Essa profecia dirigia-se à cidade de Jerusalém, dita como filha rebelde, cujo pecado da idolatria a tornou a GRANDE MERETRIZ, a traidora de Deus (Apocalipse 19.2). Mas esse contexto profético também traz outra importante revelação Divina inserida numa surpreendente inversão de paradigmas. Anunciava-se que uma MULHER protegeria, cercaria9 um certo VARÃO. Na cultural hebraica, as mulheres pertenciam a classe inferior, submissas e dependentes de um homem, fosse o pai ou marido. Já o varão era o guerreiro forte, e, enquanto classe superior, era o protetor natural e legal da mulher. Mas o que Deus demonstra na profecia é que a MULHER protegeria o VARÃO. O mais fraco cercaria e serviria como escudo para o mais forte. E se diz ainda que essa MULHER seria uma COISA NOVA de DEUS na terraO ineditismo dessa Mulher, implicaria que não haveria outra idêntica ou semelhante. Entretanto, em que consistiria essa novidade? Por quê? Como se daria essa proteção?

É dito do livro do Gênesis que Deus criaria uma certa Mulher, e entre ela e a serpente, o diabo, o próprio Deus colocaria INIMIZADE: “Porei ÓDIO10 ENTRE TI e a MULHER, entre a tua descendência E A DELA. ESTA te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3. 15) A palavra ódio no hebraico antigo é za-a-ká, e na tradução da septuaginta do grego koiné é meson. Num ou noutro idioma significa INIMIZADE CAPITAL, ausência completa de afeição, LIGAÇÃO e harmonia, impdindo o CONTATO, a proximidade e a comunhão entre indivíduos. Exprime a existência de entes completamente DESLIGADOS, separados por abismo ou obstáculo intransponível. A Mulher do Gênesis, portanto, é a COISA NOVA NA TERRA (Jr 31.22), cuja peculiaridade é que fora formada sem pecado, sem o concurso da maldade, sendo que o domínio da antiga serpente não recaiu sobre ela.

Noutra profecia, restou dito da condição dessa Mulher: De longe me aparecia o Senhor: AMO-TE COM AMOR ETERNO, E POR ISSO A TI ESTENDI O MEU FAVOR. RECONSTRUIR-TE-EI, E SERÁS RESTAURADA, Ó VIRGEM DE ISRAEL!11 Virás, ornada de tamborins participar de alegres danças. (Jeremias 31. 3 e 4)”12

Em hebraico, “estendi” (maw-shac) significa ser arrastado para bem longe, esticado.

“Favor”  traduziu-se de cha-sad, que é benignidade, graça completa, préstimo ou pureza extrema.

Temos então, na junção das palavras (maw-shac + cha-sad) um favor PLENO ou GRAÇA PLENA que é a condição sobrenatural apenas DESSA VIRGEM. 

A expressão “serás restaurada” nitidamente expõe que a Virgem de Israel, aqui profetizada, teria os favores plenos de Deus desde o início da sua existência. Ora, restaurar é voltar ao que era antes, no princípio, sendo que tudo no princípio era santo e puro. Ainda sobre a pureza da Virgem profetizada em Jeremias 31. 3 e 4, reportamos a saudação angelical à Virgem Maria, quando da anunciação:

“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO!” (S. Lucas 1, 28)

Notadamente CHEIA DE GRAÇA (gratia plena) se origina do grego kekaritomene:

28 kai eiselqwn o aggeloV proV authn eipen caire kecaritwmenh (κεχαριτωμένη) o kurioV meta sou euloghmenh su en gunaixin

Kekaritomene é uma palavra composta (hibridismo) que possui núcleo verbal ou radical (charitó); prefixo (ke) e sufixo (mene) formando um termo único e inédito nas Escrituras, só utilizado para a virgem Mãe: ke + charitó + menh = (ke) karito (menh).

Charitó (χαριτόω) indica uma graça totalmente preenchida, PLENA em quantitativo e intensidade. Tanto, que é a expressão usada pelos hagiógrafos para definir a natureza da Graça em Cristo.13 E sendo Cristo eterno e incriado, a graça plena está Nele de maneira eterna e incriada, sendo Ele a própria graça personificada. Já numa criatura, como Maria, que não detém em si a eternidade, senão apenas por participação na comunhão com a Divindade, haveria de se estabelecer o início para o ato Divino de lhe agraciar. Para distinguir a plenitude da graça mariana em relação a Graça SUPERIOR de Cristo, delimitou-se no tempo, o favor recebido pela Virgem.

O prefixo “ke” conduz o tempo do verbo para o particípio pretérito, indicando que a ação de agraciar a Virgem já tinha sido completada no passado mais remoto, ou seja, desde sua origem, sendo a origem do ser sua concepção: “ido(a) ou ado(a)” – agraciar/ agraciado.

Por fim, o sufixo “menh” indica que aquela que fora agraciada no passado, assim continuaria permanentemente. Se o prefixo ke retrocedeu a graça mariana até sua origem, a palavra menh (men-e/μενη) proclama sua conservação e permanência definitiva, demonstrando uma ação de Deus sobre Maria de maneira contínua, e num futuro inalterável.

O radical ou núcleo verbal da frase (charitós) significa GRAÇA INTENSA e SUPERABUNDANTE, sendo o termo utilizado para expressar a Graça da nossa salvação que está em Cristo: Para louvor e glória de SUA GRAÇA, com a qual ELE nos agraciou no amado.”(Efésios 1.6)

“eiV epainon doxhV thV CARITOV (χάριτος) autou en h ecaritwsen hmaV en tw hgaphmenw” (Efésios 1. 6)

Somando o prefixo, o sufixo e o radical, temos a expressão GRAÇA COMPLETA ou PLENA desde a origem do ser agraciado, no caso Maria, que é a data de sua concepção, sendo conservada permanentemente, para que nunca esgote. É evidente, assim, que a COISA NOVA NA TERRA (Jeremias 31.22), criada por Deus para proteger o Guerreiro, tem na pessoa da Virgem Mãe seu enigma revelado.

Maria não entendeu, na saudação, as palavras do anjo, pois não tinha consciência até então do seu ineditismo, e da excepcionalidade de sua condição diante de Deus: Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela COM ESTAS PALAVRAS e pôs-se a PENSAR NO QUE SIGNIFICARIA SEMELHANTE SAUDAÇÃO.” (São Lucas 1. 28 e 29)

A finalidade da proteção da Mulher ao varão, conforme instituído por Deus, não é de difícil compreensão.

Todos os que tomam a carne ancestral de Adão estão submissos ao pecado original, e maldade desde a concepção, o que lhes fará obrar de modo desordenado ao tempo da razão e arbítrio, mediante o pecado pessoal.14 Sendo Cristo plenamente homem, e tomando em sua encarnação a carne da natureza adâmica, seria correto afirmar que também Ele, em SUA HUMANIDADE, ficaria à mercê do pecado, nesta regra geral e universal.  Todavia, para concordar com a teoria dos gnósticos que afirmam, e ensinam que Cristo fora concebido na carne pecadora de sua genitora, porém, sem se macular por estar “unido” à Divindade, era necessário que antes da concepção de Jesus, a sua Divindade já estivesse no útero da Virgem para que assim, pudesse previamente isentar do pecado a carne da humanidade a ser formada, e posteriormente, ser tomada. Contudo, essa teoria não se sustenta, pois na assunção das partes do Verbo Encarnado, É A HUMANIDADE A PRIMEIRA A SER FORMADA para só depois disso, a Divindade se Encarnar na humanidade já concebida, como testificou São Paulo sobre a antropologia humana:

“[…] Se há um corpo animal, também há um espiritual.” (I Corintios 15,44)

Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL;15 o espiritual vem depois.” (I Corintios 15, 46)

No útero da virgem, não veio primeiro a Divindade, mas a humanidade do Cristo, na qual depois, a Divindade se encarna. Foi a Divindade que assumiu a humanidade preexistente, e não a humanidade que assumiu a Divindade posteriormente. Surgindo primeiro no ventre da virgem, a parte animal ou humanidade do Verbo, é fato que antes da Divindade se encarnar, poderia esta humanidade, já formada da carne de Maria, receber por herança a natureza pecaminosa de sua genitora. Justamente para que isso não ocorresse, não convinha ao Verbo uma Mãe pecadora, pois receberia dela a herança ancestral do pecado adâmico, antes que sua humanidade fosse definitivamente assumida pela Divindade.

APENAS O BATISMO NOS LIVRA DO PECADO ORIGINAL.

Ensinou também Santo Tomás: “[…] a carne não deveria ser assumida pelo Verbo ANTES DE SER CARNE humana. (Suma Teológica, art. 4, Da Assunção das Partes)”

É O CORPO da VIRGEM que o PROTEGE, onde Ele fez o seu SANTUÁRIO; na Virgem Ele edificou um CORPO SANTO, e dele se apropriou, e fê-lo instrumento para nos dar.” (Da Encarnação do Verbo, anos 296 à 373, in Santo Atanásio, ano p. 80 par. 18)

Santuário é local feito imaculado para que Deus nele habitasse. Ora, se os santuários feito pelas mãos dos judeus tinham de ser puros, dirá o SANTUÁRIO onde o VERBO HABITARIA, e ENCARNARIA. Porquanto é certo que o ventre de Maria, por ser a PORTA aberta para que Deus entrasse na terra, tornou-se extensão do próprio Santuário Celestial, Santuário perfeito, não confeccionado por mãos humanas, como reconheceu o apóstolo São Paulo, na Carta aos hebreus, e também o profeta Jeremias (Jeremias 44. 1 e 2):

Ele reconduziu-me ao PÓRTICO EXTERIOR DO SANTUÁRIO, que fica FRONTEIRO AO ORIENTE, o qual se achava fechado. 2. O SENHOR DISSE-ME: ESTE PÓRTICO FICARÁ FECHADO. NINGUÉM O ABRIRÁ, NINGUÉM AÍ PASSARÁ, PORQUE O SENHOR, DEUS DE ISRAEL, AÍ PASSOU; ELE PERMANECERÁ FECHADO.

Sobre isso, encerra Santo Agostinho:

Quem é esse PORTÃO FECHADO (Ez 44. 1-4) se não for MARIA? (in Tratando sobre a Santa Virgindade, IV)”

REVERENCIAREIS O MEU SANTUÁRIO. Eu sou o Senhor.” (Levítico 26, 2)

A teoria errônea, na qual o Logos Divino já estaria no ventre da virgem, antes da sua humanidade restar concebida para a finalidade de impedir que o pecado da mãe atingisse ao Filho, implica que Ele também precisou remover de si mesmo o pecado. Ora, seria motivo de deboche no inferno um “salvador” que precisou “ser salvo”.

Excluindo todas essas teorias espúrias, que tentam macular o ventre mariano, enquanto Santuário do Messias, resta claro nas Escrituras, que lhe fora dada como mãe, uma Mulher Santíssima, o escudo o qual impediria que a humanidade do Cristo, ANTES DE SE UNIR A DIVINDADE, recebesse o pecado original.

Todavia, acusam alguns que para aceitar a Imaculação Concepção em Maria, teria que se aceitar que também os seus pais, e sucessivamente, todos os  seus ancestrais tivessem sido imaculados.

Tal afirmação é infundada.

Ora, se o pecado é transmitido pelas mães diretamente aos filhos (Salmo 51,5), de certo que para cessar a possibilidade dessa transmissão, bastaria ao Filho que a carne de sua mãe restasse isenta da condição pecaminosa. Aquela que não poderia transmitir o pecado, é aquela que também não poderia recebê-lo. Quer impedir a transmissão da doença ao filho, cure-se a mãe tão somente.

Cristo não recebeu nada dos avós carnais, nem da parentela da Santíssima, senão diretamente da Virgem. A pureza de Maria decorreu de ato de salvação, e intervenção Divina; enquanto a pureza de Cristo decorre de ato de Poder Soberano.

Maria não foi pura por sua própria essência ou mérito, mas purificada, haja vista, que por causa de sua genitora, pecadora, havia a possibilidade de Maria ser concebida com tendência ao pecado e à maldade, tendência esta, a qual lhe fora retirada, porque não poderia retransmitir essa condição ao Filho Divino, pois a humanidade Dele ainda não estava UNIDA à Divindade.

A possibilidade de vir a pecar, vem após, a condição de nascer com a semente da maldade em nossa carne humana, oque em Maria foi retirada, e na humanidade de Jesus jamais existiu, porque o processo de transmissão maternal do pecado em sua mãe Santíssima, restou cessado.

Ensina Santo Tomás:

A Santa Virgem foi purificada, no ventre materno, do pecado original, quanto à mácula pessoal; mas não ficou isenta do reato, a que toda natureza estava sujeita, não podendo por isso entrar no paraíso, senão mediante o sacrifício de Cristo; como também se deu com os santos Patriarcas que existiram antes de Cristo.” (Suma Teológica Q 27, art 1º – Da Santificação da Virgem, in Santo Tomás de Aquino)

Não por outra razão, a Igreja jamais afirmou que Maria não tenha sido salva.

Afirmou sim, que sua salvação, assim como sua Maternidade, obrou-se de maneira EXTRAORDINÁRIA, razão pela qual, o Magnificat testemunha: “ Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, MEU SALVADOR.” (São Lucas 1. 46 e 47)

Por isso, é nossa obrigação honrá-la e venerá-la por todas as gerações, e não como fazem os heréticos, tentando imputar mácula naquilo que Deus fez santo: Porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA TODAS AS GERAÇÕES.” (São Lucas 1. 48)

_____________

1 – https://igrejamilitante.com.br/index.php/2019/08/14/o-espirito-santo-e-verdadeiramente-uma-pessoa-divina/

2 – Os patriarcas; deles DESCENDE CRISTO, segundo a CARNE,o qual é, sobre todas as coisas, DEUS Bendito para sempre. (Rm 9. 5)” “JESUS CRISTO, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à CARNE, (Rm 1. 3)” “veio socorro, não dos anjos, E SIM DA RAÇA DE ABRAÃO. (Hb 2, 16)”

3 – O PROTESTANTISMO é o responsável pelo ressurgimento das antigas heresias cristológicas, dentre elas, a chamada HERESIA NESTORIANA (Concílio de Éfeso, ano 431), pois para negar que Maria seja Mãe de Deus através de Cristo, apelam à falaciosa teoria de que existem dois Cristo, Divino e Humano, e não uma Pessoa Divina do Filho, que possui duas Naturezas, a Divina e a Humana.

4 – As Escrituras, portanto, proclamam a MATERNIDADE DIVINA em Maria.

5 – Santo que há de nascer de ti.” SANTO é atributo que predica DEUS, não predica homens, senão apenas por participação em Deus (Não há ninguém Santo como o SENHOR; não existe outro além de ti.II Sm 2.2), demonstrando que o que Maria gera não é simplesmente homem, mas Deus Encarnado homem.

6 – Conforme ensina a Tradição e o Magistério Infalível da Igreja, união hipostática é quando se está unido, sem confusão e sem divisão dos elementos.

7 – Tal como a salvação dos profetas, mártires e heróis da fé que morreram antes do sacrifício de Cristo, Maria Santíssima é também salva pelo efeito prévio do Sacrifício de Jesus, que por ter efeito eterno, que retroage ao princípio dos tempos. Maria, entretanto, é salva antecipadamente, antes que o contato com o pecado lhe produzisse atos de pecado. Deus em sua Onipotência, governa o tempo (cronnos), estando em seu domínio o passado, presente e o futuro, podendo tanto salvar pela redenção consumada (tirando os efeitos do pecado cometido); ou salvando pela precedente (impedindo o pecado de se realizar), porque Ele é o ALFA e o OMEGA, início (passado) e o fim (futuro), estando no passado, no presente e no futuro.

8 – Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém, outrora santa, é sempre retratada como traidora, a FILHA REBELDE, FILHA DA PROSTITUIÇÃO: “Viste o que fez a REBELDE ISRAEL?Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou se prostituindo.(Jr3.6); Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, JERUSALÉM! Até quando ainda não te purificarás? (Jr1 3.27) Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as rebeldias se multiplicaram.(Jr 14.7)

9 – No hebraico protegerá, cercará (sowe-beb) formará em torno do homem barreira intransponível. 

10 – Genesis 3:15

Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém é a prostituta. Refere-se a profecia, tanto a Virgem de Israel enquanto corrompida (Jerusalém), quanto a Virgem de Israel enquanto mantida imaculada (Virgem Maria)

11 – Jeremiah 31:3

12 – Efésios 1.16.

13 – Pecados pessoais, cometidos em razão do uso desordenado da liberdade humana.

14 – Tal como o primeiro Adão, cuja criação em partes, precedeu a matéria ou corpo, e só depois lhe foi soprado o espírito, também o Novo Adão, Cristo, é formado primeiro na matéria da sua Humanidade, para só depois ser nesta Humanidade depositado o Logos.

Seguir:
error

Uma opinião sobre “POR QUE CONVINHA A CRISTO UMA MÃE SEM PECADOS?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial