A MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE DE DEUS ESTÁ LIMITADA SOMENTE A BÍBLIA?

A sola scriptura1 criou o deus do Livro.

Já a Igreja, ao definir nos Concílios,2 a lista dos escritos canônicos, instituiu e proclamou o livro de Deus.

Essa é a distinção chave entre Catolicismo e protestantismo com relação as sagradas Escrituras, na consciência basilar que a Bíblia é o livro do Deus único e verdadeiro revelado em Cristo; e não Cristo, o Deus da Bíblia.

Ora, se a Doutrina é anterior, e posterior à escrita; e a Autoridade Divina anterior e posterior a própria Doutrina, não poderiam, nem a Doutrina, nem a Autoridade, limitarem-se, tornando-se dependentes ou terem sua validade subordinada exclusivamente ao jugo da letra:

Porque o Senhor é que dá a sabedoria, e de SUA BOCA é que procedem a ciência e a prudência. ” (Provérbios 2, 6)

O Espírito da sabedoria e revelação não pode ser contido, e nem podado nos registros gráficos:

Não sabeis? Não o aprendestes? Não nos ensinaram desde a origem? ” (Isaías 40, 21)

A verdade sai da minha BOCA, minha PALAVRA jamais será revogada. ” (Isaías 45.23)

Estivesse a Autoridade Divina unicamente nas Escrituras, encerrada a última palavra do testamento escrito, encerrava-se propriamente o poder, o senhorio e o governo soberano de Deus sobre o curso da história e da Igreja.

Desse modo, conceber que Deus só se manifesta por escrito é dizer que Ele, sendo causa primeira3 de todas as coisas, condicionava-se à invenção da escrita e do surgimento do homem letrado para só então, manifestar-se a sua criatura.

Em TUDO O QUE FIZESTES conserva a tua AUTORIDADE. ” (Eclesiástico 33, 23)

Pela Palavra do Senhor, foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca todo o seu exército. ” (Salmos 32. 6)

Assim, não convinha Cristo restringir a Autoridade de sua Doutrina somente a manifestação da palavra escrita, haja vista, que das muitíssimas vezes que Deus se manifestou à humanidade, Ele não só incondicionalmente expressou essa Autoridade, à míngua de tinta, papel ou qualquer outra forma de registro ortográfico, como também instruiu por sua própria boca os antigos, muitos deles iletrados, e esses, sucessivamente, e de idêntica forma proclamaram os escólios da celestial sapiência doutrinária necessária à conduzir-nos ao fim último que é a vida eterna ao lado do Criador:

O Senhor FALOU, pois, PELA BOCA de seus servos, os profetas” (II Reis 21, 10)”

Porque, se ELE VOS DISPERSOU entre povos que o não conhecem, foi para que PUBLIQUEIS as suas maravilhas e lhes façais reconhecer que não há outro Deus onipotente senão Ele. ” (Tobias 13, 4)

As sagradas Escrituras dão testemunho de algo que é anterior as elas, e muito maior que as próprias Escrituras, e que consiste na sabedoria e autoridade Divina, personificadas naquele que é o Verbo, o Deus tornado homem, que nasceu, viveu, andou, morreu e ressuscitou entre nós, e que é a única base, o centro e o cedro de toda autoridade que emanada do Deus Criador, e que sustenta toda fé Católica Apostólica Romana:

Saí DA BOCA do Altíssimo[…] antes de toda criatura. ” (Eclesiástico 24, 5)

Cristo é a única base da nossa fé. Nele vivemos, morremos, existimos na unidade de ação entre o Pai e o Filho que nos é manifestada. Essa fé, eu posso definir nos seguintes princípios imutáveis: Se o filho é criatura então Ele não fez todas as coisas; se precisou aprender, Ele não tem conhecimento prévio; se Ele é receptor, então não é perfeito; se Ele precisou progredir, não é Deus; se é diferente do Pai, então não é sua Imagem; se é o filho pela Graça, então não é Filho pela Natureza; se não tem parte na Divindade, então habita Nele o pecado. (Santo Ambrósio de Milão. Sobre a Fé Cristã. Anos 340 a 397) ”

A sabedoria, que é o Logos, tanto quanto a Autoridade Divina, não necessitam do papel, tinta ou grafia humana enquanto chancela de validação do seu conteúdo.

Ora, a excelência do ensino de Cristo, assim como anteriormente ensinou Deus Pai aos antigos profetas e patriarcas hebreus, está justamente em não se enquadrar nos métodos comuns e didáticos da criação de um magistério humano; nem se limitar aos meios naturais e corriqueiros de transmissão de uma instrução:

Os judeus se admiravam e diziam: “Este homem não fez estudos. Donde lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras? ” (São João 7, 15)”

A tinta com que Cristo escreveu sua doutrina é o seu próprio sangue; e o papel onde ele a imprimiu é sua própria carne crucificada, com os quais (sangue e carne), Ele assinou de modo irrevogável o Decreto da remissão dos nossos pecados diante de Deus.

E assim Ele disse:

“[…] passarão o céu e a terra passarão, mas minhas palavras jamais passarão; ” (São Mateus 24. 35)

Ele não está, logicamente, falando de palavras cuja autoridade só haverá enquanto transcritas na matéria orgânica deteriorável do papiro ou celulose. Estava falando do seu próprio Corpo, dizendo-se Dele, enquanto o Verbo de Deus, Palavra pura, viva e encarnada:

No princípio era o Verbo, […] e o Verbo era Deus, […] e o Verbo estava em Deus, […] e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (São João 1.1-14)

Cristo não ensinou como os filósofos, nem como os propedeutas, sábios ou ideólogos para não ser confundido com estes, cuja origem de suas crenças espúrias e doutrinas terrenas, repousava na retórica especulativa e persuasão de ideias, tendo como meio de autenticá-las, a tinta, o papel, a fama e a rubrica de suas assinaturas nelas.

Ensinasse desse jeito, teria sido tomado pelos antigos, não como a sabedoria Suprema e Divina, e sim, como mais um dos inúmeros “sábios”, e sua Doutrina, mais uma das inúmeras opiniões enveredadas em explicar a relação transcendente dos seres criados com o Criador, e os enigmas da vida e da morte.

Como ensinou Santo Tomás de Aquino:

Cristo não deveria ter deixado sua doutrina por escrito[…] pois sendo o mais excelente dos doutores, o seu modo de ensinar deveria consistir em imprimir a sua Doutrina no coração dos ouvintes;por causa da excelência da Doutrina de Cristo, que não pode ser abrangida pela escrita. ” (Suma Teológica. Q 42, Da Doutrina de Cristo. art. 4º – Se Cristo Deveria Ensinar a sua Doutrina por Escrito)

Dizendo que haveriam muitas coisas ainda por se revelarem após sua ascensão ao céu, não convinha Cristo escrever de próprio punho sua Doutrina, pois assim, se pensaria que a revelação se encerraria apenas no que Ele havia deixado grafado, quando mesmo no céu, Ele está junto com a Igreja que Ele edificou sobre os apóstolos, descortinando verdades que estavam em enigmas no tempo em que esteve entre nós, as quais só foram completamente descobertas, e proclamadas, após sua partida para junto do Pai, como, por exemplo, o dogma da Trindade; a Pessoalidade do Espírito Santo; o domingo como o novo memorial do Dia do Senhor, dentre outros:

POR QUE O DOMINGO É O MEMORIAL DA NOVA ALIANÇA?

“Muitas coisas ainda tenho a DIZER-NOS, mas não as podeis suportar agora. (São João 16, 12)

Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. (São Mateus 28,20)

A figura da Virgem Maria como Nova Eva, mãe de toda humanidade ressurreta na humanidade Mística do Corpo de Cristo, verdade ocultada nas palavras do Cristo, “filho, eis ai sua Mãe; mulher, eis aí teu filho”, só é explicada pela Tradição Apostólica como vemos4 de São Justino, o mártir, por volta dos anos 100 à 150, além de outros, seus contemporâneos, como Santo Irineu de Lion.5

POR QUE CONVINHA CRISTO UMA MÃE SEMPRE VIRGEM?

A revelação de Deus à humanidade era gradativa, e não se encerraria nos 33 anos de vida de Deus Encarnado registrados na história, pois Cristo continuou revelando-se, mesmo após sua vida terrena, como na aparição ao apóstolo São Paulo, dando-lhe o ministério apostólico, até então, centurião Saulo6:

Este é o discípulo que DÁ TESTEMUNHO de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu testemunho. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.” (São João 25. 20 e 21)

Há de realçar que após sua morte, também ele ensinou, sem nada escrever:

A estes [apóstolos] também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1.3)

Toda escrita é estática, ao passo que a revelação de Deus ao homem é progressiva e dinâmica.

Não é porque está escrito que provém de Deus; é porque provém de Deus primeiro, que se deliberou em redigir numa síntese, a memória escriturada do seu Magistério celestial.

A Doutrina do Deus Encarnado está registrada em toda criação, especialmente nos fatos, atos, acontecimentos e circunstâncias que Ele produziu em sua própria carne, os quais tiveram desdobramento futuros no curso da história, para nos conduzir à ciência de sua revelação, cujas verdades seriam necessárias à salvação da humanidade, sendo a Igreja, a única e legítima guardiã, e ensinante desses preceitos doutrinários, inclusive, no âmbito do seu reflexo no papel e tinta que são as sagradas Escrituras.

Por esta razão, Cristo fez tudo sem ter sido necessário escrever, e em tudo, absolutamente tudo que fez, realizou-se a nossa salvação, aliás, como está testemunhado por escrito:

Porque NÃO OUSARIA mencionar AÇÃO alguma que Cristo NÃO HOUVESSE realizado por meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, PELA PALAVRA e PELA AÇÃO.(Romanos 15, 18)

O QUE DISTINGUE A DOUTRINA SAGRADA DAS INÚMERAS DOUTRINAS HUMANAS?

A verdadeira religião não fora fundada num Livro, mas numa Pessoa Divina chamada Cristo, o Verbo de Deus tornado semelhante a nós, e que tem na Igreja por ele pessoalmente edificada sobre os apóstolos, a extensão de sua autoridade ainda presente na história e no cotidiano de cada fiel. Cristo, de fato, não escreveu nenhum texto, mas em contrapartida, edificou uma Igreja única, una, santa e verdadeira:

Edificados SOBRE O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. ” (Efésios 2. 19 e 20)

Tu és PEDRO, e sobre esta pedra EDIFICAREI A MINHA IGREJA; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS: TUDO O QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS, E TUDO O QUE DESLIGARES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NOS CÉUS. (São Mateus 16. 18 e 19)

O DIÁLOGO DAS PEDRAS E A EDIFICAÇÃO DA IGREJA.

Ora, se a letra da escritura é divinamente inspirada e infalível; inspirado e infalível também há ser também quem a interprete.7 

Qual a eficácia de um motor potente num automóvel com lataria defeituosa? Assim, a infalibilidade e autoridade do escrito está subordinada a infalibilidade e autoridade de quem o interprete. Mas a inspiração, e a infalibilidade da interpretação não foram dadas a cada um de nós, isoladamente, ao alvedrio das ideias individualistas ou da subjetividade caprichosa, e sim, a um CORPO MÍSTICO chamado IGREJA, na qual fora soprado o poder do Espírito Santo, e da qual somos membros quando aderimos a sua fé e comando:

Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.“(Evangelho segundo São João, 20: 21-23)

O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação. ” (I Tessalonicenses 1, 5)

Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a IGREJA de Deus vivo, COLUNA E SUSTENTÁCULO DA VERDADE. ” (I Timóteo 3, 15)”

E se RECUSAR OUVIR TAMBÉM A IGREJA, seja ele para ti como um pagão e um publicano. ” (São Mateus 18. 17 e 18)”

Quem vos OUVE a mim OUVE; e quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. ” (São Lucas 10, 16)

Ele, o Verbo de Deus, que é Deus na Pessoa do Filho, não nos salva pela leitura, nem pela escrita, mas pela união participativa da nossa humanidade corrompida e mortal, em sua humanidade impoluta, imortal e incorrupta, elevando aquela à condição desta. Essa participação, em essência e forma, não está limitada pelo que Dele se escreveu, e se leu.

Antes de se tornar letra, a revelação é ato:

Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas EM ATOS.8” (I Coríntios 4, 20)

Ide ANUNCIAR a João o que tendes visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho; (São Lucas 7, 22)”

O Verbo fez, e ensinou por seus próprios lábios, e compartilhou esses ensinamentos com apóstolos, os quais retransmitiram aos seus sucessores9, que só posteriormente deixaram parte dessas instruções escrituradas:

Povos, escutai bem! Nações, prestai-me atenção! Pois É DE MIM que EMANARÁ a Doutrina e a Verdadeira Religião que será a luz dos povos. ” (Isaías 51,4)

A escrituração é, portanto, apenas uma etapa num curto período da Tradição Divina no curso da história e no curso da Igreja.

Ora, se não acreditassem no que a Igreja dos Apóstolos dizia, e ensinava, como acreditariam no que essa mesma Igreja tivesse escrito?

E o Espírito Divino, que os inspirou a escrever, não os inspiraria ensinar de viva voz?

Por óbvio, que os incumbidos de escriturar a memória de Cristo, também foram, antes de tudo, incumbidos a ensinar oralmente, e publicamente.

Nenhum mestre, antes da aula, entregaria um manual de física quântica a um aluno neófito e ignorante, e lhe exigiria que de uma simples leitura, ele a tudo compreendesse.

Por isso, a ordem cronológica estabelecida por Deus para a revelação é, primeiro, o ensino oral transmitido pela Tradição; e em segundo plano, a escrituração, para que todo aquele que lesse, pudesse de antemão compreender o que estivesse lendo, pois do contrário, haveria enorme confusão, balbúrdia, divisão, cisão, contradição e compreensão irracional do que fora escrito.

Assim foi a ordem cronológica e perfeita estabelecida por Deus para revelação da verdade doutrinária.

É da boca e lábios santos para os Livros sagrados; da Tradição oral para a Escritura que estabeleceu, Deus, as verdades doutrinárias necessárias a mover o ser humano a conhecê-lo, e assim, salva-se.

Essa ordem cronológica restou utilizada por Deus Pai no antigo pacto, tanto quanto Deus Filho, o qual sendo a imagem perfeita do Pai (Colossenses 1.15), da mesma maneira agiu na nova aliança usado o mesmo método de ensino:

No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a profecia posta pelo Senhor na boca de Jeremias, o Senhor suscitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual mandou fazer em todo o seu reino, DE VIVA VOZ, E POR ESCRITO, a seguinte proclamação: (Esdras 1, 1)”

Espero ir ver-te em breve e então falaremos de VIVA VOZ. (III São João 1, 14)”

Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por PALAVRAS, seja por CARTA nossa. (II Tessalonicenses 2, 15)”

Ensina Santo Tomás de Aquino:

[…] para que a Doutrina promanada dele chegasse numa certa ordem, de modo que sendo primeiro os discípulos os ensinados, e ensinassem depois aos outros com as suas palavras e os seus escritos. Se, ao contrário, Ele próprio tivesse escrito, sua doutrina chegaria a todos imediatamente. ” (Suma Teológica. Q 42, Da Doutrina de Cristo. art. 4 – Se Cristo Deveria Ensinar a sua Doutrina por Escrito)

O doutor angélico apenas esclareceu aquilo que os Apóstolos testemunharam, ou seja, que primeiro vem o ensino oral, e só depois, por intermédio deles, nos seria dado acesso aos testamentos escritos, para que pudéssemos confirmar, nos alegrar e nos rejubilar com a perfeição da Doutrina ensinada:

Se alguém vier a vós sem trazer essa doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Apesar de ter mais coisas que vos escrever, NÃO O QUIS FAZER COM PAPEL E TINTA, MAS ESPERO ESTAR ENTRE VÓS E CONVERSAR DE VIVA VOZ, para que a vossa alegria seja perfeita. (II São João 1.1 a 12)

Quisesse Cristo, restringir a revelação Divina apenas à autoridade escrita, teria Ele mesmo redigido de próprio punho seus manuscritos sagrados (scriptura), e testificados deles somente (sola) como sua única e exclusiva fonte fiel para que à humanidade pudesse conhecê-lo. 

Mas assim não fez, justo para não condicionar o poder e a eficácia dos seus ensinos, revelações e mandamentos, às formalidades da documentação registral.

Antes de qualquer juízo profético há o Verbo, e antes de qualquer escrito existe a ação a qual lhe dá testemunho, assim como antes da ação há a sabedoria transcendente.

Por isso, é testemunhado:

Antes de Abraão ser, EU SOU.” (São João 8.58)

Sim, a sabedoria (Cristo) é um Espírito que ama os homens, mas não deixará sem castigo o blasfemador pelo crime de seus lábios, porque Deus lhe sonda os rins, penetra até o fundo de seu coração, e OUVE as suas palavras.” (Sabedoria 1.6)

Porventura, o pensamento, o testemunho e as ações do Verbo de Deus, antes de serem testemunhados por escrito, não continham inspiração, eficácia, e nem Autoridade sobre as verdades divinamente reveladas?

Dizer que só a palavra escrita testemunha Deus, é dizer que Deus precisa da tinta e do papel para agir; e que a causa de sua autoridade e sua prova estariam condicionadas à letra humana. Podemos denotar na Antiga Aliança, que a fonte mais próxima de revelação que Deus instituiu foi em primeiríssimo plano a palavra oral, e só depois escrita, como testemunhou in persona, o Cristo:

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede DA BOCA DE DEUS’”. (São Mateus 4.4)

Muito antes da invenção de qualquer escrita, Adão e Eva receberam diretamente dos lábios de Deus, o mandamento para não comerem do fruto proibido:

O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. Deu-lhe este preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente. ” (Gênesis 2. 15 -17)

Cogitar que antes do memorial ortográfico não pudesse haver revelação, autoridade consuetudinária (tradição) com poder de coercibilidade sobre os atos humanos, nem autenticidade da palavra de Deus aos homens, implicaria que também não poderia haver obediência, nem verdade, nem fé, nem lei, mandamento ou conhecimento de Deus.

Deus inspirou primeiro o pensamento racional, nas palavras Dele que saíram dos lábios de seus profetas, sacerdotes e reis, cujo ensinos transmitidos à coletividade eram autossuficientes de autoridade em relação às verdades divinas, independentemente de estarem registrados em papiros ou pedras.

A teoria da exigência da letra somente como autenticadora da sã doutrina, afoga-se no fato de que, antes mesmo que existissem os primeiros cinco Livros do antigo testamento, Deus já havia, de viva voz, ensinado sua Doutrina sagrada a Abraão e Moisés:

“[…] o Senhor, pois, FALOU PELA BOCA DOS SEUS SERVOS, OS PROFETAS.” (II Reis 21.10)

Moisés disse ao Senhor: “Ah! Senhor! Eu não tenho o dom da palavra; nunca o tive, nem mesmo depois que falastes ao vosso servo; tenho a boca e a língua pesadas”. O Senhor disse-lhe: “QUEM DEU UMA BOCA AO HOMEM? Quem o faz mudo ou surdo, o faz ver ou o faz cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, eu estarei contigo quando falares, e te ensinarei o que terás de DIZER. (Êxodo 4. 10, 11 e 12)

Observareis tudo o que vos DISSE: Não pronunciareis o nome de outros deuses; que o seu nome não se ouça em tua boca. ” (Êxodo 23, 13)”

Bendito seja – disse ele – o Senhor, Deus de Israel, que pela SUA PRÓPRIA BOCA FALOU A DAVI, meu pai, e que pela sua mão, realizou suas promessas. (II Crônicas 6, 4)

Assim se cumpria a profecia que o Senhor tinha dado pela BOCA de Jeremias– Até que a terra desfrutasse os seus sábados –, pois a terra ficou inculta durante todo esse período de desolação, até que se completaram setenta anos. ” (II Crônicas 36, 21)”

É indiscutível, portanto, que Deus constitui em primeiro plano, a santa Tradição, a qual podemos nominá-lá de Tradição pré-apostólica ou Mosaica:

“[…] a fim de que tenhas na BOCA a lei do Senhor, porque foi graças à sua poderosa mão que o Senhor te fez sair do Egito. (Êxodo 13, 9) “

Todos os israelitas, homens ou mulheres, impelidos pelo seu coração a contribuir para alguma das obras que o Senhor tinha ordenado pela BOCA DE MOISÉS, trouxeram espontaneamente suas ofertas ao Senhor. (Êxodo 35, 29)”

“[…] eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: minhas palavras porei em SUA BOCA, e ele lhes fará conhecer as minhas ordens. (Deuteronômio 18, 18)

Foi justamente este o oráculo que o Senhor pronunciou pela BOCA de seu servo Elias, o tesbita: ‘No solo de Jezrael os cães devorarão a carne de Jezabel, (II Reis 9, 36)”

Restabeleceu as fronteiras de Israel desde a entrada de Emat até o mar da Planície, conforme tinha o Senhor anunciado PELA BOCA de seu servo Jonas, filho de Amati, que era natural de Gat-Ofer. ” (II Reis 14, 25)

O início de toda revelação e de toda manifestação de Deus em direção ao ser humano é o diálogo, a dialética, a palavra oral expressada diretamente por seus próprios lábios, e não o manuscrito de alguém que as testemunhou.

E assim fora, para que quando chegasse o tempo da escrituração de seus atos e palavras, aquele que lesse não tivesse dúvida, posto que anteriormente conhecera do assunto, porque o ouvirá da boca daquele dotado de autoridade para proclamá-lo:

Mais vale para mim a Lei de vossa BOCA que montes de ouro e prata. Iod (Salmos 118, 72)

Conservai-me vivo em vossa misericórdia, para que eu observe as prescrições de vossa BOCA. (Salmos 118, 88)”

Hão de vos louvar, Senhor, todos os reis da terra, ao ouvirem as palavras de vossa BOCA“. (Salmos 137, 4)”

Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus LÁBIOS”. (I Reis 17, 24)”

Inspirai as PALAVRAS de minha BOCA, e dai firmeza à resolução de meu coração, para que a vossa casa vos permaneça para sempre consagrada e que todos os povos reconheçam que só vós sois Deus e que não há outro fora de vós”. (Judite 9, 18)”

Sendo o Filho, a imagem perfeita do Pai, a continuação do anúncio da sagrada Doutrina, de igual modo, também se inaugurou pela Tradição Oral Apostólica, para só depois, ser registrada num certo resumo escrito.

É dito sobre a maneira de Cristo revelar as verdades Divinas:

Abrirei a BOCA para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação (Sl 77,2). (São Mateus 13, 35)”

Muitas vezes e de diversos modos outrora FALOU DEUS aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos FALOU por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas.” (Hebreus 1. 1 e 2)

Diante daquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então, ABRIU A BOCA e lhes ensinava,” (São Mateus 5, 1 e 2)

E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem aí o cumprimento da promessa de seu Pai, “que OUVISTE” – disse ele – “da minha boca; (Atos dos Apóstolos 1, 4)”

 Sobre isso, esclareceu a Tradição:

Seus DISCURSOS, porém, são breves e sintéticos, pois ele não era nenhum sofista, mas sua palavra era uma força de Deus. ” (São Justino, o mártir, século I, item 5, p 26 Livro I Apologia)

As palavras de Cristo eram suficientes para infringir aquele que as ouvia, a condenação ou a vida eterna, à míngua de estarem escritas: “Em verdade, em verdade vos digo: quem OUVE a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida.” (São João 5, 24)”

Se vos tenho FALADO das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais? (São João 3, 12)”

Aquele, pois, que OUVE estas MINHAS PALAVRAS e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. (São Mateus 7, 24)”

“[…] quando um homem OUVE  a PALAVRA do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semea­do no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho. (São Mateus 13, 19)”

Essas palavras, saídas dos lábios de Cristo, ouvidas pelos santos apóstolos, mantinham  sua autoridade quando por estes eram retransmitidas pelo ensino oral:

Nós, porém, somos de Deus. Quem co­nhece a Deus OUVE-NOS, e quem não é de Deus, não nos ouve. É nisso que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. (I São João 4, 6)”

Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. (Gálatas 1, 11)”

O nosso Evangelho vos foi pregado NÃO SOMENTE POR PALAVRA, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação. (I Tessalonicenses 1, 5)”

Jesus, de si mesmo, nada escreveu ou mandou que algum dos Apóstolos ou discípulo escrevesse. Mas Ele os enviou, para que fossem levar imediatamente a todos, as boas novas da revelação do Evangelho:

“[…] IDE antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. (São Mateus 10, 6)”

E disse-lhes: “IDE por todo o mundo e PREGAI o Evangelho a toda criatura. ” (São Marcos 16, 15)

“[…] para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido. (São Lucas 1, 4)”

IDE, apresentai-vos no templo e pregai ao povo as PALAVRAS desta vida”. (Atos dos Apóstolos 5, 20)”

Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam FEITO E ENSINADO. (São Marcos 6, 30)”

Todos os profetas, que TEM FALADO sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias. (Atos dos Apóstolos 3, 24)”

“[…] a palavra está perto de ti, NA TUA BOCA e no teu coração (Dt 30,14). Essa é a palavra da fé, que pregamos. (Romanos 10, 8)”

A autoridade do Batismo, que regenera a natureza humana do pecado original, existe e provém do próprio Cristo através do sacramento, sendo que a validade e licitude dos que foram batizados pelos Apóstolos não dependeu de que a instrução para o batismo estivesse previamente redigida:

O BATISMO RECOLHE SUA EFICÁCIA SALVÍFICA DO SACRIFÍCIO E DA RESSURREIÇÃO.

IDE, eis que vos envio como cordeiros entre lobos. (São Lucas 10, 3)”

IDE, pois, e ENSINAI a todas as nações; BATIZAI-AS em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. (São Mateus 28, 19)”

Ora, o primeiro evangelho mencionando o ato batismal, de Marcos, só surgiu nas comunidades católicas entre os anos 65 ou 85, sendo que, Cristo já orienta ao Batismo no ano 33, após sua ressurreição. No primeiro Concílio da era cristã, em Jerusalém, dentre os anos 51, discutiu-se a necessidade de abolir a circuncisão e os ritos da lei mosaica. (Atos 15. 19, 20, 1 e Atos 15. 23 até 29)

Cortareis a carne de vosso prepúcio, e isso será o sinal da aliança entre mim e vós. (Gênesis 17, 11)”

Interessante atentar que a circuncisão está escrita como ordenança no Antigo Testamento, sendo que Cristo não lhes deixou nada por escrito, que autorizasse essa abolição, sendo que nesta época, nem as cartas paulinas, nem os evangelhos ainda não haviam sido escritos. Logo, a abolição dos velhos ritos mosaicos, ocorreu mediante a Tradição Oral dos Apóstolos, posto que se restringisse só à autoridade do precedente escrito, a circuncisão deveria ter prevalecido, o que demonstra a força da autoridade e a fidelidade da Doutrina que os Apóstolos manejavam por meio da oralidade:

Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha BOCA os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. (Atos dos Apóstolos 15, 7)

E São Paulo disse: “O Deus de nossos pais te predes­tinou para que conhecesses a sua vontade, visses o Justo e OUVISSES a palavra da sua BOCA.” (Atos dos Apóstolos 22, 14)

Nas cidades pelas quais passavam, ENSINAVAM QUE OBSERVASSEM AS DECISÕES QUE HAVIAM SIDO TOMADAS PELOS APÓSTOLOS E ANCIÃOS EM JERUSALÉM. ” (Atos 16.4)

Assim, mudando-se o sacerdócio, Cristo também mudou a Tradição Mosaica, como também aboliu as tradições humanas dos fariseus, estabelecendo sua própria tradição, denominada Tradição Apostólica:

Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar, E HÁ DE MUDAR AS TRADIÇÕES QUE MOISÉS NOS LEGOU”. (Atos dos Apóstolos 6, 14)”

Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: “Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras? ”. (São Marcos 7, 5) Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens”. (São Marcos 7, 8)

Intimamos-vos, irmãos, em no­me de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à TRADIÇÃO que de nós tendes recebido. ” (II Tessalonicenses 3, 6)”

A Igreja, desde o primeiro século, até os dias de hoje, jamais entendeu que as Escrituras dispensavam a Tradição, ou mesmo o Magistério:

Caríssimos, escrevemos todas essas coisas, não só para vos advertir, mas também para lembrá-las a nós mesmos. De fato, estamos na mesma arena, e o mesmo combate nos espera. Deixemos, portanto, as preocupações vazias e inúteis, e sigamos a norma gloriosa e veneranda da nossa Tradição.” (Carta de São Clemente, o romano, aos Coríntios, 7, 1 e 2. p 21, Papado entre os anos 88 a 97)

Nós o vimos na nossa infância porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ENSINOU o que tinha APRENDIDO dos apóstolos, que também a Igreja TRANSMITE, e que é a única verdadeira. E é disso que dão testemunho todas a igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e DIGNA DE CONFIANÇA do que Valentim e Marcião e os outros perversos doutores”. (Adversus Haereses 3, 2-4, anos 120 – 170).

A Escritura precisa da Tradição para ser interpretada, assim como a Tradição das Escrituras para ser confirmada.

Explica Santo Irineu: 

“Eles (apóstolos) primeiro pregaram, e depois, pela vontade de Deus, transmitiram por escrito o evangelho nas Escrituras, para que fosse para nós coluna da fé.” (Adversus Haereses, Livro II. p. 243, ano 160) ”

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1 – Sola scriptura é uma teoria surgida com Lutero, fundador do protestantismo, segundo a qual só as Escrituras teriam infalibilidade e Autoridade da fé deixada por Cristo. Seus adeptos não reconhecem a Autoridade do Magistério da Igreja, e colocam a Tradição Apostólica em nível inferior, apenas como conhecimento histórico e humano. Concebem que possa haver divergência entre o que fora legado por Deus a humanidade por meio oral (Tradição) e escrito (Escrituras), sendo que na colisão entre um e outro, prevalecerão as Escrituras, ao passo que a Igreja Católica, fundada por Cristo, e edificara em São Pedro (conforme está na Bíblia) proclama inexistência de colisão, mas perfeita harmonia entre das fontes da revelação, quais sejam, Tradição, Magistério e Escrituras. Com milhares de divisões no protestantismo, surgiram grupos que radicalizaram essa teoria, chegando ao desprezo completo da Tradição Apostólica, defendendo que a Bíblia seria suficiente, tanto formal, quanto materialmente, não precisando de nenhuma fonte externa de compreensão, senão dela própria. Criava-se a nuda escriptura, e só a escritura como “regra de fé e prática”. Tem-se a Tradição Apostólica como o conjunto de ensino que veio de Cristo e dos apóstolos por outros meios que não o escrito na tinta e papel. (Ensino oral; o conjunto da filosofia Patrística; as primeiras orações, ritos, liturgias e rezas da Igreja, desde o primeiro século; a arqueologia; a criptografia etc), desde que reconhecidos pela Igreja como parte integrante da Doutrina Sagrada, conforme a Encíclica Dei Verbum: “Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as TRADIÇÕES que lhes ensinamos de VIVA VOZ OU POR MEIO da nossa CARTA. ” (II Tess 15) Incumbe ao Magistério (I Tm 3, 15), ensinar a harmonia entre a Tradição originária (Oral) e a derivada (Escrita), rejeitando como não sendo nem Tradição, nem Escritura, tudo que entre eles não houver unidade de ensino e fé.

2 – A Escritura é posterior à Tradição, pois não foi deixada por Cristo, nem pelos Apóstolos, sequer a lista dos livros que formariam o Cânon Sagrado. Foi a autoridade Extra Bíblica da Igreja, num período de mais de trezentos anos, que definiu os Livros, rejeitando os que não eram reconhecidos pela Autoridade Eclesiástica, dentre os milhares de escritos utilizados pelas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Concílios são assembleias de bispos, para dentre outras coisas, decidir sob a autoridade do Magistério da Igreja, algum ponto importante para fé. Os Concílios que definiram os livros da Bíblia foram: “Sárdica (Regional – 343 d.C.); Laodiceia (Regional – 363 d.C.); Hipona (Regional – 393 d.C.); Cartago III (Regional – 397 d.C.); Cartago IV (Regional – 419 d.C.) Éfeso (Ecumênico – 431 d.C.), e por fim, Nicéia II, (787).

3 – De como procedem de Deus todas as criaturas e como Deus é causa primeira de todas as coisas. (Santo Tomás de Aquino. Suma Teológica, Livro Ia. Q. 44) Ele é o alfa (começo) e o ômega (fim) de todas as coisas. (Apocalipse 1.8)

4 – O texto do Evangelho escrito de São João 19. 27 e 27, inerente a Nova Eva como sendo Maria, é ensinado desde a Igreja Primitiva: “Por outro lado, confessamos que ele nasceu da virgem como homem, a fim de que pelo mesmo caminho que iniciou a desobediência da serpente, por esse também ela fosse destruída. De fato, quando ainda era virgem e incorrupta, Eva, tendo concebido a palavra que a serpente lhe disse, deu à luz a desobediência e a morte. A virgem Maria, porém, concebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel lhe deu a boa notícia de que o Espírito do Senhor viria sobre ela e a força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, através do que o santo que dela nasceu seria o Filho de Deus. A isso, ela respondeu: – “Faça-se em mim segundo a palavra. E da virgem nasceu Jesus, ao qual demonstramos que tantas Escrituras se referem, pelo qual Deus destrói a serpente e os anjos e homens que a ela se assemelham, e livra da morte aqueles que se arrependem de suas más ações e nele creem. ” (Justino, de Roma, em Diálogo com Trifão, p 169 e 170)

5 – Como por uma virgem caiu o gênero humano, assim veio também por outra virgem a salvação, porque a desobediência virginal, foi compensada em contrapartida por uma obediência virginal. ” (Adversus Haereses, 1. III seção 3, ano 130-220)

6 – “Caindo por terra, ouviu uma VOZ que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues? (Atos dos Apóstolos 9, 4) Saulo disse: – Quem és, Senhor? Respondeu ele: – Eu sou Jesus, a quem tu persegues. (Atos dos Apóstolos 9. 4 e 5)”

7 – Conforme Lutero, “um simples leigo armado com as Escrituras é maior que o mais poderoso Papa sem elas.” (Disputa com John Mayer) Com esse conceito, desdobrou-se a sola scriptura em outra teoria, qual seja, do “livre exame” no qual qualquer pessoa poderá livremente, e de modo infalível, interpretar as escrituras; bem como, a teoria da “perspicácia,” segundo a qual, as Escrituras são de simples compreensão aqueles “iluminados” pelo Espírito Santo. Contrariando essas teorias, diz a própria Escritura: “A quem quer fazer compreender as revelações? A meninos apenas desmamados que acabam de deixar o seio? ” (Isaías 28, 9) “É o que ele faz em todas as suas cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras. (II São Pedro 3, 16) “Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. (Efésios 4, 18) O “Assim, quando vocês virem ‘o sacrilégio terrível’, do qual falou o profeta Daniel, no lugar santo —quem lê, entenda” (Mateus 24:15) Mas seria isso um entendimento livre? Livre escolha, segundo o critério subjetivo de cada um? Não, pois disse São Pedro, a respeito das profecias sobre Cristo: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.* (II São Pedro 1, 20)”Assim, não são todos, individualmente, capazes de entender sem instrutor, as verdades divinas: “E leu nela diante da praça que está fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na presença dos homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei.”(Neemias 8:3)

8 – Referência aos sacramentos da Igreja.

9 – Estudando a sucessão apostólica

Os que defendem a sola scriptura, dois textos bíblicos,  geralmente usados para defesa da sola scriptura, partem de erros crassos de interpretação. Quando São Paulo diz a Timóteio que “toda escritura é inspirada por Deus, ele não faz exclusão de outras fontes da revelação. Até, porque, estaria excluindo os livros do Novo Testamento que ainda não haviam sido escritos, sendo que a referencia de Timóteio sobre Escrituras é apenas o Antigo Testamento que ele já conhecia desde a infância: – “E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.”  (II Tm 3, 15). Outro é esse: “Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, por meio de nós, aprendais a não ultrapassar o que está escrito e para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem. (I Coríntios 4, 6)” Não ir além do que está escrito, não falava da Doutrina, mas da relação de amizade do Apóstolo com Apolo. Haviam falsas informações circulando, de uma possível disputa de autoridade entre Paulo e Apolo, e Paulo invoca suas palavras escritas para desmentir, advertindo ninguém especular além do que está escrito:  “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento. 11.Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado pelos que são da casa de Cloé, que há contendas entre vós. 12.Refiro-me ao fato de entre vós se usar esta linguagem: “Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo”. (I Cor 1. 10-15) “De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. 5.Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que merece. 6.Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, por meio de nós, aprendais a não ultrapassar o que está escrito e para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem.”  (I Cor 4. 4-6)

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