MARIA, MÃE DE JESUS, MÃE DE DEUS.


A Virgem é Mãe de DEUS.

Não que a Pessoa Divina do Filho começasse existir a partir dela, mas porque seu Filho Divino, sem renunciar a Divindade, tomou nossa natureza humana na qual também passou a existir como Filho do Homem.

Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido. (São Mateus 26. 24)”

Pela Encarnação do Verbo, aquele que eternamente existe, começava existir numa natureza humana, na qual se tornava PESSOA HUMANA. Mas isso sem anular ou separar-se da sua natureza Excelsa, na qual é também, e eternamente, PESSOA DIVINA:

Nele habita CORPORALMENTE toda PLENITUDE da DIVINDADE.” (Colossenses 2.9)

Pela perfeição da criação, existir numa HUMANIDADE, implica ser concebido e gerado, vindo após, a nascer, sendo que no processo pelo qual Deus escolheu nascer homem, o ato de conceber e gestar até o nascimento só se realiza por meio da MATERNIDADE.

Pela natureza humana de Cristo, Deus experimentou nascer, embora existisse eternamente; experimentou ser gerado num ventre de Mulher, sendo Ele mesmo o Criador de todas as coisas; e experimentou a morte, sendo Ele imortal, posto que a própria vida presente em todo universo.

Ensina São Tomás de Aquino:

“[…] como no princípio mesmo da concepção, a natureza humana foi assumida pela Pessoa Divina, podemos afirmar que DEUS foi concebido e gerado pela Virgem, pois dissemos que uma mulher é Mãe quando concebe e gera. Só seria possível negar que a Santa Virgem foi MÃE DE DEUS, se disséssemos, como pretendia Fontino, que Cristo foi concebido e gerado, e só depois tornou-se Filho de Deus; ou segundo Nestório, que a humanidade não foi assumida pela Divindade. A Santa Virgem deve ser considerada MÃE DE DEUS, por ser a Mãe da PESSOA que traz em si, as Naturezas Humana e Divina SEM SEPARAÇÃO. (Suma Teológica, Q 35, art 4° Da Natividade de Cristo)

Ensinam as Escrituras que uma Virgem teria um Filho, e que esse seu Filho seria DEUS CONOSCO, no meio de nós, e semelhante a nós:

Eis que a Virgem CONCEBERÁ e DARÁ À LUZ um FILHO, que se CHAMARÁ Emanuel (Is 7, 14), que significa: DEUS CONOSCO. (São Mateus 1, 23)”

Somente negando que  CRISTO seja DEUS CONOSCO, gerado no sangue e na carne puríssima da Virgem, é que se pode negar que esta seja MÃE DE DEUS. 

Santa Isabel, ao receber em sua residência a Virgem grávida, sob inspiração do Espírito Santo lhe declarou:

“Bendita és Tu, entre as mulheres, e Bendito é o Fruto do vosso ventre.  De onde me vem essa honra de vir a mim a  MÃE DO MEU SENHOR? (São Lucas 1. 42 e 43)

O Senhorio de que Santa Isabel proclamava, estava ligado à DIVINDADE daquele que até então habitava o ventre de Maria.

Também um anjo disse para São José, numa visão:  “Após a morte de Herodes, eis que um anjo do SENHOR apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, TOMA O MENINO E SUA MÃE e vai para a terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino”. Então, José se levantou, tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel, (São Mateus 2. 19-21)

“Cristo tem DUPLA NATUREZA: A que recebeu abeterno do Pai, e aquela que recebeu temporalmente da sua Mãe. Dizemos que nasceu carnalmente porque por nosso amor, e para nossa salvação, uniu-se a um corpo verdadeiramente humano. (Suma Teológica, Q 35, art 2° Da Natividade de Cristo)

Embora não tenha deixado de ser Deus, Jesus fora gerado numa HUMANIDADE, razão porque, não era preciso que sua mãe fosse “deusa.” 

Um ser Divino não nasceria da natureza humana, salvo se também tomasse a natureza humana e a mantivesse de maneira inseparável com sua Natureza Divina. Esse é o fundamento da ENCARNAÇÃO DO VERBO – DEUS FILHO toma para si a natureza humana de sua criatura, e através dela, realiza a obra sacrificial pela salvação universal da humanidade.

A Virgem não gerou uma natureza, mas um ser completo, que é DIVINO e HUMANO ao mesmo tempo.

Maria torna-se MÃE DE DEUS por ser MÃE da Pessoa Divina, o Emanuel, que une num mesmo ser, Divindade e Humanidade: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus E O VERBO ERA DEUS. E o Verbo SE FEZ CARNE, e habitou entre nós, e vimos sua Glória. (São João 1.1 e 14)”

Embora em Cristo hajam duas Naturezas (DIVINA e HUMANA), essas estão numa única Pessoa. Ora, a natureza é o conjuntos dos elementos essenciais que dão origem a um ser, a qual o define em suas qualidades, e na qual este ser está contido, não sendo algo que se possa ser gerar sozinha ou em separado.

A natureza de um ser só pode existir no ser.

Uma mãe não gera uma natureza, mas um ser completo em sua natureza, e que necessariamente possui tanto a natureza da mãe, quanto do Pai.

Ensinou Santo Agostinho: — “Tanto a substância1 Divina, como a substância humana formam o Filho único de Deus. Uma pelo Verbo, outra pelo homem. (Suma Teológica Q2 art. 2º da Encarnação do Verbo)” 

Maria Santíssima não poderia ser Mãe da uma natureza humana, mas de um ser na PESSOA COMPLETA DO CRISTO que é Deus e homem simultaneamente.  Aceitar que pudesse ser mãe apenas de um “cristo carnal” separado do “cristo divino,” implicaria que a Trindade já não seria Três. 

Daí o Título de Teótokos2 conferido a Virgem, desde a Era Primitiva da Igreja.

Se não se fez a união das duas naturezas, então não se fez a Pessoa do Filho. (Santo Tomás de Aquino Q 31 art. 2º Tratado do Verbo Encarnado)”

No Verbo Divino não é uma coisa a Pessoa, e outra a sua natureza. (Suma Teológica, Q 31 art. 4º do Verbo Encarnado)”

De certo que Maria não formou a Divindade do Filho, do mesmo modo, que nenhuma mulher forma a alma espiritual dos filhos, e nem por isso deixa de ser mãe. Maternidade associa-se a natividade, e não a criação completa do sujeito. Nos seres vivos existe a alma e a matéria biológica na qual o corpo se forma. Desses, apenas a matéria incumbe ser participada aos progenitores, posto a alma ou “sopro de vida” (Gn 2.7) ser criação exclusiva de Deus. 

Logo, geramos filhos por natividade.3

Usurpar o Título de Mãe de Deus da Virgem Maria, como queria Nestório4 por ela não ter gerado a natureza Divina do Cristo, teríamos que tirar o título de mãe de todas as mulheres, pois delas também não proveio a natureza espiritual dos filhos.

A Virgem não é, como defendia a heresia gnóstica dos nestorianos e dos fontinistas,5 apenas a progenitora da “natureza carnal,” pois a natividade do Cristo reúne numa única Pessoa as naturezas Divina e humana, formando em unicidade (Hipóstase), o ser completo.

Daí os dizeres de São Cirilo, Patriarca de Alexandria: 

HÁ UM SÓ CRISTO, feito pela União das Naturezas Divina e Humana.” (Quinto Sínodo, anos 300, p.12, 4; Migne, PL 50, 467)

A Santíssima Virgem é MÃE de CRISTO, e por isso MÃE DE DEUS, posto que lhe ter sido concedida a Graça maior de  conceber e gerar a Pessoa Divina do Emanuel, que reúne em si, inseparavelmente,  a Divindade numa humanidade.

A MATERNIDADE DE MARIA TESTEMUNHA QUE DEUS NASCEU NUMA HUMANIDADE.


 

1 – No conceito aristotélico é toda matéria individual ou genérica, heterogenia ou homogenia do qual se possa dar uma forma, e do qual se forma um ser.

2 – (????????: Théos = Deus + Tókos = Mãe, Portadora ou Geratriz) é um Título Sarcedotal  conferido a Santíssima desde século I.

3 – Natividade ou ato final do processo de geração (nascimento) Como disse Santo Tomás de Aquino: — “Por isso, a natividade é própria da Pessoa, do sujeito que nasce, e não de sua natureza. (Q. 35 art. 2º da Natividade do Cristo) Natividade ou nascimento é o movimento do ser sendo gerado e expelido de uma determinada NATUREZA, a qual é responsável por lhe dar determinada forma e essência. Não existe um ser sem uma natureza, como não existe a natureza que não esteja num ser.

4 – Promoveu grande divisão na Igreja, (cisma nestoriano). Vencido no Concílio de Éfeso (431 DC) fora excluído do Clero por heresia. Defendia que Maria não podia ser a MÃE DE DEUS, pois  “cristo homem” não tinha a Natureza Divina do Pai. (Epístola aos Monges do Egito, Patrologia Graeca 77:13B) Funda sua seita, a “igreja” Assíria do Oriente, que após 1.700, anos retorna a Comunhão com a Sé Romana, abandonando as doutrinas do seu antigo fundador, tornando-se a Igreja Católica da Caldeia.

5 – Seitas do século III, que negavam a união das duas Naturezas, num único ser em Cristo, negando a maternidade Mariana, angelicalmente proclamada nas Escrituras: “um ANJO do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o Menino E SUA MÃE e foge (S. Mateus 2, 13)”

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