A MENSAGEM DO PRESÉPIO.

Semiótica é toda comunicação não linguística, não verbal, da qual se retira certas mensagens por formas, signos e outros elementos visuais.

A comunicação de Deus sempre se operou pelos cinco sentidos sensíveis do ser humano, e não apenas pela linguagem verbal fundada em sinais escritos, falados e audíveis.

O ato de transmitir e receber informação ou conteúdo sobre a Revelação Divina, não raras vezes, utilizava-se de sinais ou símbolos, como quando vemos Deus se comunicando com o seu povo por meio da Arca da Aliança; pela sarça que ardia em chamas; pela serpente de bronze, e por fim, pela Cruz.

Destas comunicações surgiram certos ícones sacros ou iconografia.

Em sua origem etimológica, a palavra iconografia forma-se do grego eikon (imagem) + grafia (mensagem, carta) = Iconografia.

O Presépio de Natal, sendo o memorial do nascimento de Cristo, nos traz sublimes mensagens visuais que testificam as profecias messiânicas sobre o Verbo Encarnado.

Chegando a Belém, conforme ordenado por Deus, toda Família Sagrada vai se alojar num estábulo, pois “[…] não havia lugar para eles na hospedaria.” (São Lucas 1. 8)

Tal ocorreu para que se cumprisse o que fora escrito: “ A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular. ” (Salmo 118. 22)

Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam. ” (São João 1. 11)

 “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá de mim, aquele que é chamado a governar Israel. (Miquéias 5,1)

Não sendo recebido por aqueles do seu próprio povo, os de sua origem ancestral, passou o Menino Jesus,  a dividir espaço num estábulo, nascendo rodeado de animais como bois e o burros, para que se cumprisse aquela profecia:

O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento. ” (Isaías 1, 3).

Mas se os seus não reconheceram seu Senhorio Divino, os animais o souberam fazer.

O nascimento do Cristo também fora acompanhado por cordeiros.

O cordeiro na Antiga Aliança representou Cristo em seu sacrifício, e testificou Dele como verdadeiro e único “ Cordeiro de Deus, que retira o pecado do mundo. ” (São João 1.29) ”

Já o boi representou as DOZE TRIBOS de Israel, o povo escolhido para receber a primeira parte da revelação, abrindo o caminho (como por arado) até a aparição do Verbo Encarnado, cumprindo o que fora dito sobre Israel:

“[…] encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com DOZE JUNTAS DE BOIS diante dele.” (I Reis 19. 19) 

O burro é o que passa na estrada aberta pelo boi por meio do arado, representando o povo romano depositário da segunda da parte da revelação (vindo após os judeus), e através dos romanos todos os outros povos da terra, dando início a fé universal, cumprindo o que o Espírito de Deus revelara ao Sumo Sacerdote Caifás, preocupando-no com a possibilidade de Israel vir à perder seu poderio político e religioso:

“Se o deixarmos proceder assim, TODOS CRERÃO NELE, E OS ROMANOS VIRÃO e tomarão o nosso lugar e toda a nação.” (São João 11, 48)

“Volta, Israel, ao Senhor, teu Deus, porque foi teu pecado que te fez cair. Seus galhos se estenderão ao longe, sua opulência igualará à da oliveira e seu perfume será como o odor do Líbano.” (Oseias 14. 1 e 6) ]

“[…] alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem, foste enxertada em seu lugar e agora recebes seivada raiz da oliveira, (Romanos 11, 17)

Sem dúvida! É pela incredulidade que foram cortados, ao passo que tu é pela fé que estás firme. Não te ensoberbeças, antes, teme. Se Deus não poupou os ramos naturais, bem poderá não poupar a ti. (Romanos 11. 21 e 22)

“Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé.” (Romanos 1. 8) 

Sobre a Doutrina de fé dada a Igreja de Roma, restou dito pelo santo Apóstolo: “OBEDECESTE de coração à REGRA DA DOUTRINA na qual TENDES SIDO INSTRUÍDO. (Romanos 6, 17)” 

Haviam ainda três reis: […] “[…] eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.” (São Mateus 2, 2)

Estavam ali ainda alguns pastores […] “haviam ali pastores que guardavam seu rebanho. “(São Lucas 2.8)

Esses três reis representaram, além da Trindade, a Autoridade Real do Menino Deus: Senhor assentado no seu Trono e todo o exército dos céus em volta dele, à sua direita e à sua esquerda. ” (II Crônicas 18, 18)

Já os pastores representaram o Sacerdócio eterno e universal, cumprindo o que fora profetizado: “Tu és sacerdote para sempre. ” (Salmo 19, 4) 

Os reis lhe trouxeram três presentes: Ouro, Mirra e Incenso.

O ouro simboliza a pureza, aquilo em que não há mistura, o que é absolutamente valioso por si só. Também simboliza a dignidade e a realeza dos talheres e utensílios para Ceia do Rei, que nos dá em comida seu próprio Corpo que é o Pão do Céu:

Fez de ouro puro os utensílios que deviam ser colocados sobre a mesa: os vasos, as xícaras, os copos e as taças necessárias às libações.” (Êxodo 37, 16)” “[…] sobre a mesa dos pães da proposição, o PÃO PERPÉTUO estará sobre ela.” (Números 7. 4)

A mirra é o óleo que se unta cadáveres, preanunciando o sacrifício do Menino Deus, como viria a ser nessa passagem após a morte de Cristo:Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. (São João 19, 39) ”

Perfumei meu leito com mirra.” (Provérbio 7, 17)  

O incenso representou a ascensão, subida do Cristo sacrificado ao céu, após a sua ressurreição:

Construirás um altar para queimares sobre ele o incenso. Fá-lo-ás de madeira de acácia; (Êxodo 30, 1) ”

O toque de sua Santíssima Mãe, Maria, agasalhando-o num manto, fora para testemunhar a pureza e imaculabilidade do ventre que o gerou, pois estava na Lei de Moisés:

“O Senhor disse a Moisés: quando uma mulher der à luz um menino será impura durante sete dias. No oitavo dia far-se-á a circuncisão do menino; ela ficará ainda trinta e três dias no sangue de sua purificação, NÃO TOCARÁ COISA ALGUMA SANTA, e não irá ao santuário até que se acabem os dias de sua purificação,” (Levítico 12. 1 a 3)

Mas a Santíssima, após dar à luz, toca no que há de mais puro e santo em todo universo, porque era a única, dentre os presentes, que podia tocar no Santíssimo Deus:

“E deu à luz seu Filho Primogênito, e, ENVOLVENDO-O em faixas, RECLINOU-O num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. (São Lucas 2, 7)” 

E assim nasceu o MENINO DEUS, de um Pai Divino, e uma mãe Santíssima, para desta forma, testemunhar o que as Escrituras, outrora preconizavam, que “[…] a coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais. (Provérbios 17, 6) ”

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