A CRIAÇÃO, NATUREZA E MISSÃO DOS ANJOS.

I. ORIGEM, MATÉRIA E NATUREZA DOS ANJOS.

Os anjos são seres espirituais, puro espíritos,1 e assim, assemelhados ao próprio Deus criador que em essência é também puro Espírito. A criação desses seres celestiais antecedeu a toda criação corpórea: — “No princípio, Deus criou o céu e a terra. (Gênesis 1. 1)2

Criou-se pela ordem do Primeiro Dia, os espíritos do Céu, e só depois a matéria dos corpos na terra.

Os primitivos padres sucessores dos Apóstolos ensinaram: “Ele primeiro concebeu os Céus e os poderes angelicais. Ele desejou dividir sua bondade na multiplicação. E o primeiro ato foi a criação dos anjos, seus ministros. Depois, ele criou o homem com suas características visíveis e invisíveis.” (São Gregório de Nanziano, ano 329. Teofania, p. 347, série II, vol. VII)

Criando a humanidade, Deus tornou o ser humano a sua imagem e semelhança por meio do seu Espírito. Mas quando se Encarnou por meio do Filho, o próprio Deus em Cristo se fez imagem e semelhança do homem pela carne.3  O ser humano fora criado na união indivisível da alma com o corpo, conforme ensinou Santo Agostinho: “O corpo É O MENSAGEIRO da alma.” (De Ord. II e XI, 32)  Por meio desse corpo natural, é que se tem a ferramenta biológica na qual a alma realiza todas as operações físicas necessária à vida humana.

Já o anjo é imagem de Deus exclusivamente em espírito. Podemos dizer que é uma inteligência viva, imaterial, incorpórea e autônoma que não precisa de corpo para subsistir e agir. Sendo o corpo do homem visível na matéria carnal, a matéria no anjo é o seu próprio intelecto invisível, e assim, são compostos apenas de inteligência e alma4 pelas quais interagem com Deus e também com todas as criaturas.

A inteligência, assim como o oxigênio, é substância real, embora invisível, razão porque é certo que todos os anjos atuam somente pelo intelecto, vez que foram criados como inteligências, sem qualquer elemento corpóreo material, sendo inteligências superiores a qualquer inteligência humana. Embora a alma do homem precise de um corpo,5 o anjo interage apenas pela alma espiritual na qual fora criado para realizar todas as coisas, independente da matéria orgânica. Pelo dom da ciência, Deus depositou neles certos elementos, como o livre arbítrio, a razão e a fé, capacitando-os conhecer quase toda verdade revelada,6 porquanto no espírito Deus lhes participou daquilo que verdadeiramente existe. E participando de modo mais elevado, há certas verdades só por eles compreendidas, até que possamos na ressurreição da carne e elevação à morada celestial, retornarmos a condição da beatitude angelical. 

Diz Santo Tomás: — “Sem esses elementos nenhuma criatura é capaz de interagir com Deus. Os antigos, não distinguindo entre o sentido e o intelecto, opinaram que nada existe fora do que se pode captar pelos sentidos. Como o sentido só percebe corpo, opinaram que não existiam anjos, donde o erro dos saduceus.7 (Q 50, art. 1º, ano 1250 Tratado sobre os Anjos)”

Não tendo corpos, toda necessidade sensitiva como ver, ouvir e falar se realiza sobrenaturalmente através de Deus, ou quando por permissão deste assumem corpos humanos. Santo Agostinho explicou-nos: — “[…] nos anjos há uma vida que  intelege e sente independente da matéria biológica.” (De Civit Dei, lib. VIII cap. VI)”

Prossegue Santo Tomas de Aquino: — “[…] nossa alma tem certas potências (vontades), cujas operações se exercem apenas por certas partes do corpo, como a visão é dos olhos, a audição dos ouvidos. Porém, ela tem certas faculdades que não se exerce pelos órgãos do corpo, como as virtudes, caráter e inteligência. Tais operações não são ato de nenhuma parte do corpo. Ora, os anjos não tem corpos que lhes estejam naturalmente unidos, e por isso, são chamados de intelectos ou inteligências.” (Q 54, art. 5º Tratado dos Anjos)

II.  A RELAÇÃO COM UM CORPO, A IDENTIDADE NOMINAL E NOSSA RELAÇÃO COM OS ANJOS.

Os anjos não foram criados para se unirem a corpos, pois é clarividente que a natureza dos seres celestiais difere muitíssimo da natureza animal.

Mas em certas ocasiões, Deus lhes fez unirem-se a corpos, sendo que essa união, meramente acidental e temporária, não lhes alterou a natureza de puro espíritos. 

Anjos são seres completos, perfeitos e acabados apenas em espírito e intelecto. Neles não há corpo tocável, matéria ou forma. Diferente é o ser humano cujo corpo sem alma é apenas um cadáver; e a alma sem corpo apenas um elemento de espectro fantasmagórico. Os seres angelicais não precisam de corpos porque não tem sentimentos, já que sentimento e paixão estão no âmbito do corpo animal sensível, conforme ensinou Santo Tomás de Aquino: — “não há neles paixões de concupiscências.” (Suma Q 59 art. 2º Tratados sobre os Anjos)

Só há neles o Amor puro e a Caridade perfeita, os quais não são sentimentos, mas dons do Espírito Santo, de acordo com o que esclarece ainda Santo Tomás de Aquino: — “Ora, o amor não é natural dos anjos, mas se lhes infunde nos corações pelo Espírito Santo que lhes foi dado. (Q 109, art. 5º Tratado sobre os Anjos)”

Como se disse, é certo que lhes permitiu Deus, em certas situações, que tomassem por pouco tempo corpos humanos para serem visto, e interagir como seres humanos para alguma missão Divina especial:  “O anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e lhe disse: Tu és estéril, e nunca tiveste filhos; mas conceberás e darás à luz um filho.” (Juízes 13, 3) E o anjo do Senhor desapareceu diante dos olhos de Manué e sua mulher. Manué compreendeu logo que era o anjo do Senhor; (Juízes 13, 21)”

Abraão também dialogou com alguns anjos encarnados:

“[…] levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra.” (Gênesis. 18, 2)

Por três razões permitiu Deus a encarnação do anjo em corpos humanos: Uma: pela necessidade de ser visto, ouvido, tocado, interagir e se comunicar melhor com o ser humano, o qual sendo matéria, percebe mais pelos sentidos naturais. Duas: para figurar Cristo que é Espírito Divino, mas se Encarna num Corpo tornando-se uno nessas duas naturezas; Três: para realizar tarefas terrenas, pois são todos os anjos espíritos ao SERVIÇO DE DEUS, QUE LHES CONFIA MISSÕES para o bem daqueles que devem herdar a salvação. (Hebreus 1, 14)

O anjo não tem o poder, nem a capacidade de criar corpos humanos para si ou para terceiros. Crer nisso seria grave8 erro, pois implicaria crer que toda obra da criação corpórea pudesse então ter sido feita pelos anjos, equiparando-os com um poder criador idêntico ao do próprio Deus

Lecionou  Santo Tomás de Aquino:

“[…] esta opinião é inadmissível, porque a primeira produção da criatura corpórea FOI POR VIA DA CRIAÇÃO, PELA QUAL DEUS PRODUZIU A MATÉRIA EM SI MESMO. Ora é impossível que alguma coisa seja criada a não ser por Deus. (Suma Teológica, Q 65, art. 3º – Da Criação Corpórea, ano 1. 265) 

O poder da criação só cabe a Deus, pois só Ele é onipotente, não atribuindo aos seres criarem coisas diversas de sua natureza.

Em relação a necessidade de “nomes” nos anjos, tal não se identifica porque todo nome é uma identificação personalíssima para uso social.

É certo que há milhares de anjos: “Milhares e milhares o serviam, dezenas de milhares o assistiam! (Daniel 7, 10)” Mas por sua onisciência, Deus os reconhece individualmente sem precisar de nomeá-los. Todavia, quando um anjo se apresenta ao mundo ele necessita de uma identidade nominal para que possam os seres humanos distingui-los dos demais seres celestiais.

Os anjos nominalmente conhecidos e revelados a humanidade foram apenas três: Miguel, Gabriel e Rafael.9 Cada qual com sua missão, confiada por Deus porque: “Assim será no fim do mundo: OS ANJOS VIRÃO SEPARAR os maus do meio dos justos, (São Mateus 13, 49)”  “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai COM SEUS ANJOS, e então recompensará a cada um segundo suas obras.” (São Mateus 16, 27) “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que LHES CONFIA MISSÕES PARA O BEM daqueles que devem herdar a salvação?” (Hebreus 1, 14)  “O Filho do Homem enviará seus ANJOS, QUE RETIRARÃO de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal” (São Mateus 13, 41)

Permitindo Deus, que se encarnem em corpos, tal não lhes impediu de se comunicarem conosco por outros meios, como sonhos e visões.10

Existindo eles em grande número, estão em todas as partes, atuando junto ao homem como mensageiros, exortadores, instrutores e protetores. Os anjos também são os Guardiões da Sagrada Doutrina: — “Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes” (Atos 7, 53)

Por serem missionários de Deus na terra, é nosso dever honrá-los e respeitá-los, não por eles, mas por aquele a quem representam:“Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, valentes heróis que cumpris suas ordens, sempre dóceis à sua palavra.” (Salmo 102, 20) Assim fizeram Abraão, e muitos outros: “[…] levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e INCLINOU-SE por terra. (Gênesis 18, 2)” “Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e PROSTROU-SE com o rosto por terra. (Gênesis 19, 1)” 

Inclinar em reverência é uma reverência de honra(dulia) destinada a seres superiores, não podendo ser confundida com adoração, pois nela não se reconhece no homenageado qualquer poder sobre todas as coisas (deidade):  “[…] eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava. Mas ele me disse: NÃO FAÇAS ISTO! SOU UM SERVO COMO TU E TEUS IRMÃOS, os profetas, e aqueles que guardam as Palavras deste livro. Adorar-te diante de Deus.” (Apocalipse 22. 8, 9)

A diferença de honrar e adorar é explicada por Santo Tomás: — “[…] a honra não é mais do que o testemunho da excelência da bondade de alguém.” O anjo é superior11 a qualquer ser humano neste mundo, salvo aquelas exceções instituídas pelo próprio Deus, sendo por isso que O ANJO NÃO PROIBIU JOÃO TRIBUTAR–LHE QUALQUER HONRA, MAS SÓ A HONRA DA ADORAÇÃO LATRÊUTICA, DEVIDA UNICAMENTE A DEUS.” (Santo Tomás, Suma Q 103 art. 2º Tratado dos Anjos)”III. DA HIERARQUIA ANGELICAL.

As Escrituras listam algumas hierarquias angelicas, contudo sem explicá-las. São estas são: Tronos, Dominações, Principados e Potestades. Ensinamentos sobre estas hierarquias, São Paulo deixou ao seu discípulo São Dionísio,12 a quem coube repassá-los à Igreja através da Tradição Apostólica.

Os anjos dividem-se em seis Coros (espécies) agrupados em três hierarquias.

Nos coros temos: I) – Dominações: Ordem dominante que rege e distribui a função entre os demais anjos; II) – Potestades: ordem a qual foi dado o poder de realizar prodígios e milagres. Atuam como guardiões da Doutrina e o Governo Universal do Universo; III) – Virtudes: Encarregados de incentivar os homens na busca pela conversão e mantê-los no caminho da Graça; IV) – Principados: Regentes e zeladores da obra de Deus; V) – Arcanjos: Interagem diretamente entre os Céus e a terra; VI) – Anjos: Guardiões individuais do ser humano, a mando de Deus, dando-lhes acesso a Graça para vencerem obstáculos que lhes impeçam conhecer e unirem-se a Deus. Cada componente dos Coros angelicais ainda se agrupam em três outras subdivisões hierárquicas, quais sejam: I) – Tronos: São anjos visto por S. João no Apocalipse, que se encontram mais próximos de Deus servindo-lhe junto a seu Trono Celestial; II) – Querubins: Com os quais Deus partilhou grande parte de sua Ciência, Sabedoria e Conhecimento; III) – Serafins: Com os quais Deus partilha os dons da Caridade.

Os anjos que foram beatificados, que escolheram ficar com Deus durante a rebelião luciferiana estão totalmente livres da sujeição ao pecado, não podendo mais cometerem pecados posto que já exerceram o livre arbítrio, optando por estarem eternamente na presença do seu criador. Ensina Santo Tomás: — Os anjos precisaram da graça para converterem a Deus, cuja essência é beatitude que está acima do intelecto ou vontade criada. Nenhuma criatura pode se mover ao bem sem um agente sobrenatural; isto chamamos auxílio da graça. Logo, o anjo não podia se converter, senão pelo auxílio da graça.” (Suma Teológica, Q 62 art. 2º)”

Continua: — “[…]o anjo beato não podendo querer ou agir sem visar Deus, por nenhum modo pode pecar. Deus está nos anjos porque está em todas as coisas criadas. E de três modos está: — primeiro: pela virtude que é o bem que existe em cada coisa, vez que ao criá-las deu-lhes um fragmento de sua essência que é pura Bondade; —segundo: pela Natureza, porque todas os elementos nos quais os seres foram criados procedem de Deus; terceiro: — na operação, pois ainda que a virtude esteja perdida ou encoberta, Ele está na criação por agir sobre ela.  — “Deus está em todas as coisas.30 Um ser está onde ele age. Ora, Deus age em todas as coisas. Logo, todas as coisas contém Deus. Ele não age naquilo que não contém. E se não está pela virtude31 está pela Natureza ou pela Operação. (Q 62, Suma Teológica)

III. A CARIDADE DOS ANJOS DA GUARDA, SERVINDO AO SER HUMANO COMO PROVA DE AMOR E LEALDADE PARA COM DEUS.

O maior serve ao menor, e essa é a regra básica da caridade e da perfeição Divina, sendo que é neste contexto a participação dos anjos na relação histórica entre Deus e a humanidade. Sendo espíritos superiores a todos nós, o intelecto lhes ordena para o Criador com a finalidade da realização do amor e caridade em favor seres humanos, decaídos pelo pecado, sendo esta, portanto, a única maneira que dispõem para demonstrar sua devoção e fidelidade incondicional a Divindade que os criou.

O zelo dos seres angelicais pelos humanos decorre por duas razões:

Primeira: — O pecado não fora criado pelo ser humano, muito menos por Deus, sendo obra exclusiva dos anjos, cujo resultado residiu na morte, e na necessidade de redenção de toda criação corpórea, em especial do homem;

Segunda: — Sendo o pecado um ultraje contra o Amor de Deus, é mediante a Caridade aos pecadores que os anjos demonstram sua fidelidade, retornando a esse Amor.

Deus não precisa dos anjos, mas os anjos que precisando de Deus, e para demonstração de toda gratidão e toda servidão, colocaram-se à disposição do Criador na ajuda aos seres humanos, decaídos pelo pecado que floresceu no ambiente angelical como fruto da inveja de boa parte deles quando ainda não beatificados. Tornaram-se os bons anjos, à partir da queda dos seres humanos, os seus guardiões.

O pecado nos afastou de Deus, e o anjo é um dos meios pelos quais nos reaproximarmos Dele. A crença nos ANJOS DA GUARDA é uma verdade da fé cristã (Dogma) revelada por Deus à sua Igreja, consoante lemos nas Escrituras: 

Vou enviar UM ANJO adiante de ti para te PROTEGER no caminho e para te CONDUZIR ao lugar que te preparei.” (Êxodo 23, 30) “Vai agora e conduz o povo aonde eu te disse: MEU ANJO MARCHARÁ diante de ti. Mas, no dia de minha visita, eu punirei seu pecado.” (Êxodo 32, 34); “O anjo do Senhor ACAMPA EM REDOR dos que o temem” (Salmo 33, 8) “Meu Deus enviou SEU ANJO E FECHOU A BOCA dos leões; eles não me fizeram mal algum, porque a seus olhos eu era inocente e porque contra ti também, ó rei, não cometi falta alguma. (Daniel 6, 23)  “Eis que ENVIO O MEU ANJO diante de ti: ele preparará o teu caminho.” (São Marcos 1, 2) “Estou certo de que um bom anjo de Deus o ACOMPANHARÁ e disporá solicitamente tudo o que lhe diz respeito, de modo que ele tenha a alegria de voltar para nós. (Tobias 52, 27)”

Lhes fora ainda ordenados a um cuidado especial para com todas as crianças, cujos anjos estão mais próximos de Deus Pai:  “Guardai-vos de menosprezar um só deste PEQUENOS, porque eu vos digo que SEUS ANJOS no céu contemplam sem cessar a face do meu Pai, que está nos céus. (São Mateus 18, 10)  — “[…] um santo anjo do Senhor, Rafael, foi enviado para curar Tobit e Sara, cujas preces tinham sido simultaneamente dirigidas ao Senhor.” (Tobias 3, 25) — “Tobit respondeu: Boa viagem! Que Deus esteja em vosso caminho, e que o seu anjo vos acompanhe.” (Tobias 5, 21)

Os Anjos da Guarda também nos representam junto ao Cristo, como intercessores das bençãos, milagres e das virtudes que pedimos: — “Se perto dele se encontrar UM ANJO, UM INTERCESSOR ENTRE MIL, para ensinar-lhe o que deve fazer (Jó 33, 23) — “A fumaça dos perfumes subiu DA MÃO DO ANJO COM AS ORAÇÕES DOS SANTOS, diante de Deus.” (Apocalipse 8,4). Isto porque os anjos são INSEPARÁVEIS de Cristo: — “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai COM SEUS ANJOS, (São Mateus. 16, 27)”

E ainda: — “Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. (São João 20, 12)”

Eles se alegram quando nos arrependemos. (São Lucas 15,7,10), e muito antes da escolha dos Livros canônicos pela Igreja, os quais viriam a formar as Escrituras Sagradas,33 a Tradição Apostólica já ensinava: “Os Anjos nos AJUDAM em nossa luta para nos mantermos fortes contra os poderes do mal.” (Santo Hilário, ano 300, in De Trinitate)

“[…] embora esteja acorrentado e me seja possível conceber as coisas celestes, as HIERARQUIAS DOS ANJOS, os exércitos dos principados, as coisas visíveis e invisíveis, não sou ainda discípulo. (Santo Inácio de Antioquia, o mártir, ano 97 aos Tralianos)”

Como podem os Anjos estar longe, quando nos foram DADOS POR DEUS PARA AJUDAR-NOS? Eles não se apartam de nós, embora aquele que é assaltado pelas tentações, pense que estão longe.” (Santo Ambrósio, ano 334) – “Consideremos como toda a multidão de seus anjos, estando junto Dele, estão a serviço de sua vontade.(S. Clemente aos Coríntios XXXIV 5-8, ano 340);

Deus está em todas as coisas santas pela virtude e pela natureza, e assim não precisa interagir conosco de modo direto, até porque o pecado humano nos impede de vê-lo face a face. Em Cristo, o Pai Divino interage por nós de modo direto e indireto, sendo indiretamente, quando utiliza sua Igreja na terra e os anjos e os santos no Céu. (Apocalipse 5, 8) 

Sendo os representantes de Deus na humanidade, negar a fé neles equivale a negar um mecanismo importante de comunicação entre o Céu e a terra, pois como disse o Apóstolo, “[…] só a Deus devemos a existência de TODA FAMÍLIA DA TERRA e no CÉU. (Efésios 10. 14 e 15)



 


1 Ele fez dos seus anjos espíritos (Hb 1, 7).” – “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação? (Heb. 1, 14)”

2 A criação terrena só surge após a criação celestial.

3 No princípio era o Verbo; e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória (Jo 1, 14) Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação. (Col. 1, 15)”

4 Os anjos veem sem cessar a face de Deus e todo o seu esplendor. (Mt 18, 10)” Só o ser inteligente age com livre juízo, conhecendo o bem pelo qual pode julgar boa ou má uma ação. Onde há intelecto, há livre arbítrio. Daí que o livre  arbítrio e o intelecto existe nos anjos de modo mais excelente que nos homens. (S. Tomás, Q 59, art. 3º)

5 A  alma do homem, sem o corpo, só pode agir através do Corpo de Cristo no céu, mediante a fé.(Hb. 11, 4)

6 Os anjos só não sabem o dia e hora do juízo final. (Mt. 24, 36)

7  Seita judaica que não cria haver ressurreição, nem anjos. (Atos 23,8)”

8 O MITO QUE ANJOS DESEJARAM MULHERES E CRIARAM PARA SI CORPOS. Gerou-se de interpretação equivocada de Gn. 6, 2: “os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram esposas entre elas. Baseados no livro apócrifo de Enoc, entenderam os judeus que os “filhos de Deus” eram anjos; e filhas dos homens humanas. A Igreja, há milênios, ensina que “filhos de Deus” eram os descendentes de Set, que eram fiéis a Deus, e “filhas dos homens”infiéis descendentes de Caim. O resultado foi uma geração perversa, cuja característica física era um defeito genético por causa da relação incestuosa (gigantismo – Gn, 6 – 3, 4 e 5). Set e Caim eram irmãos, filhos de Adão e Eva. (Gn 4, 25) Só Deus é causa originária e vital de tudo, e de todos. Nada pode existir sem Ele, e se não for por Ele.

9 S. Miguel é o arcanjo da JUSTIÇA. Um dos sete que estão junto ao Trono de Deus. Feito o maior na hierarquia angelical, e seu nome hebraico significa “aquele que é semelhante a Deus, mas não é Deus.” Ele é quem, a mando de Deus, expulsa o mal, a velha serpente e seus anjos infiéis do paraíso após o pecado. Ele e os seus anjos combateram o Dragão. (Ap. 12, 7)” S. Gabriel no hebraico significa ANUNCIADOR, mensageiro do Poder de Deus. É o arcanjo que anuncia a Santíssima Virgem o nascimento do Cristo, e a Zacarias o nascimento de S. João Batista. (Lc 1, 19 à 26) S. Rafael é arcanjo da CURA FÍSICA E ESPIRITUAL. Cura o herói da fé Tobias. Incumbe-lhe instruir os homens, a mando de Deus, sobre a ciência médica e também a cura das feridas da alma criadas pelo pecado do corpo. (Tb 3, 25) Seu nome hebraico significa Terapeuta.

10 Aparecer e desaparecer é função da matéria visível. Logo, o anjo se apresenta em corpo humano para os pais de Sansão. Em sonho, um anjo pede para S. José não ter receio de desposar a Virgem Maria, e depois noutro sonho, um anjo lhe orienta a fugir para o Egito por causa da perseguição de Herodes. (Mt 1, 20-21 e 2, 13) “Gabriel, o ser que eu havia visto antes em visão.” (Dn 9, 21)

11 Por breve momento os anjos foram superiores a Cristo, antes da ressurreição: “Por pouco tempo o colocaste inferior aos anjos; de glória e de honra o coroaste (Hb 2, 7) Depois disto, colocou-se acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo, como no futuro. (Ef. 1, 21)”

12 Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: ENTRE ELES, DIONÍSIO, O  AREOPAGITA, (Atos 17, 34)” Sua obra “Coeleste Hierarchia” descoberta no século V (anos 500 DC), mas antes já citada por vários Padres do século I, como 29. Origenes, S. Máximo, S. Jeronimo e outros.

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